25 setembro 2008

Coisa de Gordo - 395



395 – QUE BARULHO É ESSE?
Mistérios da meia-noite. Ou do meio da manhã. Quem primeiro escutou foi a Sra Kátia. Eram batidas, pancadas, um som seco contra uma parede. Ou um vidro. O que seria aquilo?
De um dia para o outro, ela relatou-me que escutava umas pancadas, um som que ainda não conseguia definir. No início não dei muita importância. Deve ser a dilatação dos materiais. A mudança de estação. Sei lá. Mas ela insistiu que era algo estranho.
Noutro dia, ao amanhecer, o ruído voltou. E desta vez eu também o escutei. Batidas, pancadas, um som seco de algo batendo contra outro algo. Mas de onde vinha aquilo?
Perambulei rapidamente pelos recantos da casa, mas sempre que me aproximava o ruído cessava. O mistério continuava. O que era aquilo?
Lembrei dos primórdios do Espiritismo, quando as Irmãs Fox deram vazão a uma torrente de manifestações físicas em seu pequeno barraco. Eram pancadas, ruídos, aparentemente sem uma causa aparente. E deu no que deu. Sacudi a cabeça por ter relacionado as duas coisas. Mas o mistério persistia.
Horas se passaram, já houvera vasculhado o derredor da casa, a vizinhança, o Google Earth e nada.
Novamente a Sra Kátia veio trazer luzes sobre o mistério. Após uma breve análise do caso, após curtas comparações entre coisas e troços, por fim ela matou a charada. Não, não eram almas de outro mundo. Não era a dilatação dos materiais diante do sol. Sequer eram ruídos dos vizinhos. Tudo estava na ação de um, apenas um, passarinho.
Acostumada a cuidar das coisas do pátio, ela familiarizou-se com um Sabiá que freqüentemente aterrissa por ali. Era antes um pequeno pássaro, com o passar das semanas e por se alimentar de minhocas e formigas que nossa casa lhe fornece, o pequeno ser alado foi ficando não apenas grande, mas de fato um pouco gordo. Sim, ela já houvera me chamado a atenção para aquele Sabiá, inclusive se referira a ele como “o nosso Sabiá”. Engraçado que o bicho não sabia disso. Ela voa o dia todo livre pelas redondezas, e numa certa hora da manhã aterrissa em nosso pátio para o lanche da manhã. Pois essa assiduidade fez dele o “nosso Sabiá”.
Pois justamente este singelo animal é o causador dos ruídos. Numa certa hora da manhã, o sol faz um certo ângulo com uma de nossas janelas, tornando o vidro dela um perfeito espelho. Justamente nesta hora o bicho vem comer por ali. Ao ver-se no reflexo do vidro, ele julga estar diante de outro Sabiá, o que é inadmissível para o seu domínio territorial. Assim, ele senta num galho próximo, enxerga-se no vidro e, diariamente, parte para o ataque. A si mesmo!
Imagino ele voando lá pelo alto, curtindo o amanhecer, a movimentação da cidade. Aí ele vem dar uma curingada no meu pátio, mas como o sol ainda não se posicionou ele não enxerga nada. Meio da manhã chegando, ele volta ao seu terreiro e dá de cara com aquele “intruso”. A partir daí ele fica enlouquecido e investindo contra o vidro. Que bicho burro. Bom de visão, mas burro.
Enfim, desfez-se o mistério. Pela perspicácia da Sra Kátia que desvendou o segredo.
Nossa casa não estava sendo alvo de manifestações transdimensionais. Não era alvo de meteoros intergalácticos. Sequer era uma estação de recepção de Código Morse. Tudo, tudo aquilo era obra de um Sabiá. Um gordo Sabiá. Que insiste em investir contra o nosso vidro. Água mole em pedra dura... Cadê o vidraceiro que tava por aqui??..
Silvano – o impossível




IMAGEM DO BICHO
Ei-lo em pleno ataque. Terei que ver um psicólogo para esse Sabiá. Ele anda muito auto-destrutivo. Tendências suicidas.. quem sabe uma fluoxetina ao entardecer...











OUTRA IMAGEM DO BICHO
Perceba que ele está meio gordo, seu IMC deve estar acima de 30.


25/09/2008

Dica de Filme


DICA DE FILME: NOSSO AMOR DO PASSADO
Já comentei aqui neste espaço que de vez em quando é bom a gente ver um filme (cinema ou DVD) em que não haja tiros, explosões, carros voando sobre lanchas e tecnologia de animação digital. É bom lembrar que com sentimentos também de faz cinema. E dos bons. Os europeus que o digam. Vimos na SKY, mas acredito que também esteja nas locadoras. O filme se chama NOSSO AMOR DO PASSADO e traz na verdade o diálogo de duas pessoas sofridas. O filme começa, um vem falar com o outro, a conversa começa e quando a gente se dá conta já passou meia-hora de filme e eles continuam conversando. E prendendo a nossa atenção. Com o avançar do filme, sentimentos afloram e feridas sangram. Lá pelas tantas...uma revelação impressionante. Assim como é impressionante a atuação dos dois protagonistas. Eles estão perfeitos em seus papéis. Esta atriz Helena Bonham Carter é deslumbrante! Vale o filme, vale o tempo, vale o divertimento e acima de tudo vale a lição de arte. O único efeito especial deste filme é remexer com os nossos sentimentos. Imperdível. Nota: 9,5!
Silvano

FICHA TÉCNICA
Título no Brasil: Nosso Amor do Passado
Título Original: Conversations with Other Women
País de Origem: Inglaterra / EUA
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Direção: Hans Canosa
ELENCO
Aaron Eckhart .... Homem
Helena Bonham Carter .... Mulher
Brian Geraghty .... Noivo
Brianna Brown .... Noiva
Thomas Lennon .... Cara filmando

22 setembro 2008

Conto curto de Fim-de-Inverno


Os passos rápidos escadaria abaixo prenunciavam que alguma coisa iria acontecer. Ele segurou-se firmemente ao travesseiro, escondendo o rosto contra a fronha. Como se aquilo o protegesse do que estava por vir. Forçaram inicialmente a porta. Depois, a janela. Seu pequeno coração acelerou ainda mais. O cara ia conseguir entrar! E ele estava sozinho. Indefeso. Esperando pelo pior. Ouviu um barulho de vidro quebrando. O cara tinha entrado pela janela. Passos secos pela sala. Até que a mão o tocou no ombro.
- Agora é a tua vez, neném! – disse a voz aterradora!
Por segundos ainda vislumbrou sua cadeira de rodas, pedaço de seu corpo, ali ao lado da cama. O cara arrancou o travesseiro de suas mãos retorcidas e o comprimiu contra o seu rosto, aos gritos de: - Morre, aleijado filho-da-puta! Na próxima vez que for testemunhar contra mim lembra que tudo tem volta.
Obediente, ele morreu!

Silvano - 19/09/2008

Conto curto de Início de Primavera


- Me dá uma lambidinha no teu sorvete? – disse a voz fininha, assim do nada.
O homem estranhou aquilo ali, em meio ao parque, naquela hora da tarde. O que faria aquela menina ali sozinha? Onde estaria sua mãe, seu pai, alguém? No entorno não havia ninguém que parecesse conhecer a menina.
- Quem está te cuidando, guria? Com quem tu veio aqui?
A vozinha insistiu: - Moço...me dá uma lambidinha no teu sorvete... Eu vou chamar o Tadeu.
Mas que situação maluca. De onde tinha saído aquela criança, meu Deus?
- Isso, guriazinha, chama esse Tadeu logo. Chama ele aqui, por favor.
A pancada forte na cabeça acabou por derrubá-lo, mal ele viu o brutamontes se aproximando de skate por trás. Agora ali jazia ele, cabeça ensangüentada, o cara esvaziando seus bolsos. E por suprema ironia, o sorvete ainda na mão. Voltou a vozinha:
- Moço, agora que o Tadeu já pegou o que ele queria...me dá uma lambidinha no teu sorvete?

Silvano - 19/09/2008

Dica de DVD


DICA DE DVD: HOMEM DE FERRO
Sim, eu sei que a gente já está de saco cheio desses filmes de super-heróis, começamos com o Batman, Homem-Aranha, Super-Homem, passamos pelo Quarteto Fantástico e pecamos no Incrível Hulk. Mas cabe indicar este filme por uma série de eventos convergentes. O principal deles é o ROTEIRO bem amarrado. Este roteiro é que dá veracidade a tudo que se vê na tela (ou na TV). Na versão dos quadrinhos (de Stan Lee – sempre ele), o herói surgia na Guerra do Vietnã. Neste filme a coisa foi atualizada e a transformação se dá em pleno Iraque. Ou será no Afeganistão? Bom, é no mundo bélico árabe da atualidade. Um milionário é seqüestrado e, a partir disso, cria uma roupa especial, um traje com super-poderes, para combater o mal. As cenas são belas, críveis, impressionantes. Confirmando a tendência de sua carreira, o ator Robert Downey Jr abrilhanta este filme. Após isso por certo ele cai em overdose de drogas de novo, num contínuo sobe-desce. Mas neste filme ele está na ascendente. Tem também o Jeff Bridges, a Gwineth Paltrow e como curiosidade o próprio Stan Lee numa pontinha.
Vale a pena tirar na locadora. Diversão garantida! Nota: 9,0!
Silvano – enferrujado

FICHA TÉCNICA
Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Direção: Jon Favreau

Elenco
Robert Downey JR ( Tony Stark – Homem de Ferro)
Terrence Howard ( Cel Jim Rhodes)
Jeff Bridges (Obadiah Stane – Monge de Ferro)
Gwineth Paltrow (Virginia Pots)

18 setembro 2008

Coisa de Gordo - 394




394 – DOS CÉUS PARA AS TAÇAS
Por indicação de amigos, fomos levados a um doce passeio pelo interior aqui de Santo Antônio. Já havíamos escutado algumas coisas, já tínhamos conversado sobre isso, mas ainda não experimentáramos o sabor.
Para dirimir este pequeno suspense inicial, parto da história curta de uma pessoa. O nome dele é ZOLIN. Nessas fotos aqui ao lado é aquele de vermelho e com avental estilizado. O homem era piloto de avião na Varig, aposentou-se e foi em busca de diversificar sua atividade. Numa propriedade localizada no interior de Santo Antônio, localidade chamada Evaristo, ele ergueu uma Vinícola e passou a produzir seu próprio vinho. Da marca ZOLIN, é óbvio.
A partir disso, eventualmente a gente cruzava com o tal empreendedor. Numa exposição em um Supermercado. Num estande de Festas Regionais. A gente passeando, e lá estava o Zolin expondo, divulgando, vendendo seu vinho. O qual ainda não prováramos.






Para divulgar sua marca, seu produto, o Zolin passou então a organizar jantares lá na Vinícola. Jantares para casais. Em grupos pequenos, coisa de vinte e poucas pessoas, o povo local começou a visitar a Vinícola, nessas jantas onde se paga um valor fechado, come-se livremente e bebe-se o vinho do cara à vontade. Para a nossa pequena cidade isso foi um achado. Algo diferente. Algo inusitado.
Numa noite dessas, lá fomos conhecer.
Partindo da zona urbana da cidade, andam-se 13 km em estrada de chão, estrada boa, dá para carros comuns. A gente sai da cidade e vai em direção ao Monjolo. Vira à direita e segue em direção ao Evaristo, a tal localidade onde a coisa está. No folder que recebemos quando da aquisição do Ingresso, há toda uma seqüência de referências. Passa duas pontes, entra à direita. Numa encruzilhada há uma placa indicando a Vinícola. Passa então por uma Igreja Adventista à direita, depois um Cemitério à esquerda, mais uma ponte e ...ufa, chega-se ao alvo!





O prédio é todo novo, erigido dentro das normas sanitárias vigentes, paredes azulejadas, limpeza total. O dono obteve ainda licença junto à FEPAM e ao IBAMA. A produção de vinho se dá a partir de uvas ali mesmo plantadas e colhidas. E também a partir de uvas nobres da Serra Gaúcha.
A partir disso ele fabrica quatro vinhos, assim descritos no folder.
Um SUAVE, elaborado com uvas americanas Bordô e Isabel, selecionadas no próprio vinhedo. Você sabe que vinho suave não é a minha praia! Mas para quem gosta, tem este.
Um TINTO SECO, elaborado com as mesmas uvas citadas no anterior.
Um BORDÔ, vinho tinto de mesa, encorpado, de cor rubi, elaborado com uvas americanas e Bordô e uma pequena percentagem de uvas americanas Isabel, selecionadas no próprio vinhedo.
Por fim, um CABERNET SAUVIGNON, vinho tinto fino, encorpado, de cor rubi, com um leve sabor de frutas vermelhas silvestres e um toque sutil de carvalho, elaborado com uvas selecionadas da Serra Gaúcha.




Este Cabernet Sauvignon ficou de fora do preço do jantar, não estava para consumo livre. Quem o quisesse beber pagava por fora. Mas valia a pena. Se valia!
Ah, sim já ia esquecendo. O prato da noite era SALMÃO NA BRASA, acompanhado de Arroz, Batata Suíça e Saladas. Janta deliciosa! Saborosa. E que se prestou muito bem a nos acolher ali na Vinícola, naquela fria noite de inverno. Não é restaurante. Não é lancheria. Trata-se de uma Vinícola divulgando sua produção. Quem vai até lá vai imbuído deste espírito.
Vale o delicioso passeio pelo interior de Santo Antônio (sempre belo), vale o encontro, as pessoas. E vale sobretudo conhecer este belo empreendimento ali incrustado.


Fomos à noite, já citei que foi um jantar. Fiquei com vontade de voltar de dia. Para mais fotos. Mais passeio. Mais campo, natureza. Mais vinho e queijo. Enfim, para quem veio dos céus da Varig, um mergulho em taças saborosas vale como uma lição de vida.
Silvano – o impossível




CONTATOS COM O HOMEM?
O site está em construção, portanto por aqui ainda não dá. Mas para quem quiser falar direto com o produtor, tem o celular (51) 99994494. O e-mail que está no folder é vinicolazolin@gmail.com


18/09/2008

11 setembro 2008

Coisa de Gordo - 393


393 – VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
O tema da fome é uma coisa muito maluca. A gente ouve todo dia pelo menos umas dez ou vinte vezes a palavra FOME, seja de nossa própria boca, antes do almoço, seja das pessoas ao redor, seja do casal do Jornal Nacional. Se tivéssemos que selecionar as cinqüenta palavras com as quais passamos o dia, por certo a fome estaria lá pelo alto da lista.
Fome na Etiópia, Programa Fome Zero, fome de votos, o termo preenche os minutos da TV e do Rádio. A palavra ficou até vulgar. Banalizamos o seu uso. No futebol? Fome de gols.
No meu dia-a-dia profissional, as mães me repetem em cantilena que seus filhos não têm fome! Amigo(a), se elas permitissem que a criança tivesse fome...
Isso me lembra certa criança que tive a chance de atender, tempos atrás, cuja mãe me pranteava exatamente isso. “Ela não come, ela não quer nada, a gente tem que ficar oferecendo coisas o tempo todo” e por aí afora. Mães são assim. E em seu relato minucioso ela me contou que a cada vinte ou trinta minutos ela assediava a criança com um prato de mingau, ou uma gelatina, ou uma bolacha, ou sei lá eu o quê! Na hora do sono, ela traiçoeiramente socava uma mamadeira na criança a cada três horas. Pensei um pouco e disse a ela que a pobre criança nunca tivera a sensação de fome em toda sua curta vida de dois anos. Que ela, a mãe, nunca permitira que aquela área do cérebro que dá o aviso, o alerta da fome, fosse irrigada por sangue. Que a filha dela tinha uma espécie de deficiência cerebral, tendo em vista a total vigilância alimentar que a própria mãe exercia. E finalizei pedindo que ela desse uma folga para a coitada da criança, para que, pela primeira vez na vida, ela pudesse ter s sensação de fome! Os olhos aterrorizados daquela mãe me perscrutaram de cima a baixo, ela silenciou, a consulta terminou e ambas se foram. Para nunca mais voltar. A verdade assim colocada, por vezes fere ouvidos mais sensíveis.
Trago esse tema para uma pontinha de filosofia. Dia desses, horas adiantadas, algo me impediu de seguir a rotina tradicional de acordar, banho, café, pasta de dente, trabalho, almoço...blá..blá..blá. E eis que lá pelas tantas senti essa estranha sensação. Sim, amigo(a), falo dela, aquela que a citada criança nunca tivera! Para admiração minha...eu estava com FOME!!! Gente do céu... – pensei de mim para mim mesmo – então fome é assim. Tinha até me esquecido! No meu específico caso, havia uma mescla de um pequeno mal-estar abdominal, com um centésimo de enjôo, um milésimo de irritabilidade e sim, eu estava com fome!
Percebi, diante do acima exposto, que na rotina em que vivemos acabamos da mesma forma impedindo que a fome apareça. A gente trabalha duas ou três horas e dá um tapa numa bolachinha. O relógio bate meio-dia e a gente não pára para ver se tem fome. O horário apertado nos faz ir até o bufê, a lanchonete, ir até em casa e simplesmente almoçar. Sem fome. Três da tarde, uma fruta ou um suco. E assim por diante o dia se passa, sendo a nossa fome mitigada com coisinhas aqui e ali. Ter de novo sentido uma real sensação de fome me fez lembrar da tal mãe da tal criança. Claro que não nos socamos coisas o tempo todo. Mas eventualmente abrimos mão de sentir fome. Não há tempo para isso.
A fome tem lá suas vantagens. Anos passados, éramos crianças na cidade de Santiago-RS. Os tios se reuniram, tomaram de uns filhos e fomos todos a uma pescaria. Você, que vive no mundo moderno de hoje não deve saber o que é isso, uma pescaria. Era um antigo ritual social, um hobby para alguns, aonde se ia até uma lagoa, um rio, ou ao mar para se tentar capturar alguns seres que naquela época viviam dentro da água. Os peixes. A gente fazia um fogo, um café para passar o tempo, botava as linhas na água e esperava o tempo passar. Pois bem, tínhamos ido pescar, já estávamos de volta, fim da tarde, e então a caminhonete atolou. Ou estragou. Ou sei lá. Algo nos impediu de prosseguir viagem motorizados. Os adultos começaram a se organizar, quem é que vai buscar um trator aqui por perto.. Ah, sim, eram tempos em que não havia telefone celular. Nós crianças, os primos, fomos orientados a ir seguindo a pé, pelo meio do campo, a noite já começava a aparecer. Em grupo de quatro ou cinco primos, fomos voltando para a cidade em meio ao escuro da noite. Aí nos bateu uma fome. Não uma fome qualquer, mas aquela fome de quando se volta de um passeio estafante. De quando se está sujo, embarrado, cansado. Esta fome é mais forte. Andávamos e lamentávamos o ocorrido até que passamos por uma lavoura de milho. Os pés verdes, as espigas mal e mal apontando, aquilo nos pareceu apetitoso. Invadimos a lavoura e aqui e ali, pegamos aquelas espiguinhas de milho bem pequenas, moles, fáceis de mastigar. E, acredite, aquilo comido ali, na escuridão, no fim daquele dia, foi um banquete dos deuses. Graças a quê? Graças à FOME! Até hoje, sempre que como essas saladas onde colocam essas mini-espigas de milho em conserva, sou remetido àquela cena rural. Sim a fome tem mesmo suas vantagens. Tornar delicioso qualquer prato comido.
Uma hora dessas experimente isso. Pode ser num fim-de-semana. Permita-se sentir fome. Você vai dar risada de ter ficado tanto tempo sem sentir tal sensação.
Silvano – o impossível


MEA CULPA
Andei contando aqui uma história na qual eu houvera sido FURTADO em minha própria casa, relatando que uma mulher trouxera sua filha para consultar e num momento de descuido meu ela pegara minha máquina fotográfica. Volto ao tema para fazer uma MEA CULPA. Dia desses, andando de carro, meu guri foi juntar algo no chão do carro e - SURPRESA!! - lá estava a máquina fotográfica! Para espanto geral, a máquina tinha voltado! O guri me disse que devia estar num compartimento do carro que eu até este dia desconhecia existir. Uma fresta sob o banco traseiro. E que a máquina sempre estivera ali! Resumindo: - a mulher não me furtou nada! Eu sou um bocoió! E concorro ao troféu BOCA ABERTA 2008. O que a idade faz com a gente...


LEITOR MANDA DICA DE FILME
Indiferença - Será que existe alguém inocente? Será que somos realmente pobres vitimas das injustiças políticas e sociais? Falamos mal dos políticos, e com razão podemos acrescentar, mas, o que fazemos para melhorar a situação do nosso país? Enchemos o peito, e bradamos em alto e bom som toda espécie de criticas contra aquilo que temos certeza que é errado. Como se isso apaziguasse nossas consciências, pois de verdade, que ações concretas praticamos para realmente mudar alguma coisa? Nem mesmo contra nossos próprios e menores defeitos nos dignamos a lutar com afinco... Ou seja, não fazemos o bem nem a nós mesmos.
Olhando o filme “Lions for Lambs” (Leões e cordeiros) refletimos sobre os interessantes diálogos entre um senador e uma repórter, um professor e um aluno, onde vemos claramente os interesses de cada um.
Dentre as cenas do filme, podemos observar a realidade do que realmente move as atitudes ditas “nobres” de alguns políticos e, por outro lado, o que realmente leva os jornais a publicarem esta ou aquela noticia: Interesse pessoal.
Seja em dinheiro, seja em poder. Infelizmente, é isto que realmente move cada uma das atitudes de todo ser humano, não só dos políticos. De outro lado vemos um aluno brilhante cheio de ideais, com pontos de vista muito interessantes, que não aceita as injustiças, mas ao mesmo tempo, não faz nada.
Na nossa simplória concepção o que vale é nossa paz de consciência. Mas será nossa consciência está mesmo em paz? Nos disse T. Roosevelt: “Se eu tiver que escolher entre a paz e a justiça, eu escolho a justiça”. O que ele quis dizer com isso? Poderia haver paz sem justiça?
O que podemos concluir é que a indiferença, veja bem, não estou dizendo o pior, mas com certeza é o maior mal de toda a humanidade.
Lembrando um grande ensinamento do maior sábio que a humanidade já conheceu, Jesus: “Quando deixamos de fazer o bem que podemos, estamos fazendo um mal”.
JOY – do litoral norte gaúcho, matando a pau


Ficha Técnica

Título Original: Lions for Lambs
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Direção: Robert Redford

Robert Redford (Dr. Stephen Malley)
Meryl Streep (Janine Roth)
Tom Cruise (Senador Jasper Irving)
Peter Berg (Wirey Pink)
Michael Peña (Ernest)


11/09/2008

06 setembro 2008

Coisa de Gordo - 392


392 – UMA ARQUITETA NA FAMÍLIA
Você que lê esta blog nas quintas-feiras, há de estar admirado, já é noite de sábado, quase domingo e o texto da semana ainda não apareceu. Estive alegremente ocupado. Para minha mais completa alegria, Laura, minha “guria” mais velha se formou em Arquitetura, curso concluído na Universidade Federal do RGS.
Essa coisa de formatura enseja uma série de coisas na vida de qualquer um. Há uma verdadeira bagunça na vida da pessoa, é uma fase de transição. E agora, cair no mercado ou fazer doutorado, casar ou comprar aquela bicicleta?
Nesses tempos em que o acesso à Universidade Federal se dá em nome da cor da pele da pessoa, no fato de ser ela descendente de índios ou não, a “guria” entrou na Universidade pela porta da frente, sem favorzinho de governo qualquer. E agora, passados esses rápidos anos, eis que está no mercado, de Diploma na mão.
Por força disso, estivemos envolvidos na Festa de Formatura, da qual só agora retorno. Serei sempre suspeito para falar disso, mas a formanda estava linda e o resto da família também. Nas semanas que antecederam o evento, a sra Kátia se desdobrou em preparativos, o salão, a música, o cardápio, os garçons, o fotógrafo, os seguranças, o mestre-de-cerimônias, as cozinheiras, o chefe de eventos, entre tantas outras coisas mais.
Filosofávamos sobre isso, por esses tempos. Há várias festas no calendário da atualidade. Festa de casamento, de batizado, nas cidades do interior ainda há o debut, festas de aniversário, de quinze anos. Mas nenhuma festa é tão pessoal quanto a Formatura. Casar qualquer um casa, mas é uma coisa a dois. Fazer quinze anos, até a Dilma Russef já fez. Mas a Formatura é o coroamento, o resultado, a colheita de uma longa semeadura pessoal. Por mais assessorada que esteja a pessoa, formar-se será sempre uma conquista pessoal. “Eu consegui!” – pensa consigo o laureado.
Por isso depositamos tanta expectativa nesta festa em especial. Por julgá-la um marco de vida. Um divisor de águas. Um virar de página.
Acontece, portanto, que agora sou pai de uma arquiteta. Que coisa maluca.
Perceba que ao longo desses anos de blog (antes no site e agora aqui no blog) sempre mantive uma boa dose de discrição no que tange às coisas de casa. Evitei sempre colocar fotos e coisas de minha família no intento de protegê-los dessa gigantesca vitrine que é a internet. Provavelmente você nem sabia que tenho uma filha de nome Laura. Pois neste momento abro o coração para festejar aqui, de público, esta bela conquista.
Pai coruja é assim mesmo. Acaba que a euforia transborda e se esparrama pelo chão.
Que filha maravilhosa! Que conquista! E que Festa!
Os docinhos ali da foto? Há, estavam deliciosos. Com diploma e tudo.
Silvano – o coruja


SETE DE SETEMBRO
Puxa, já é o dia da Pátria. Passou da meia-noite. Tempos idos, por essas horas, tínhamos o Hino Nacional na ponta da língua e desfilávamos alegremente ao amanhecer. Mas de fato, eram tempos idos....



07/09/2008

28 agosto 2008

Coisa de Gordo - 391


391 – O MAL AGORA TEM ROSTO
A vida em cidades pequenas, como esta em que vivo, tem coisas muito interessantes. Coisas que só se vê em cidades do interior. Durante anos, muitos anos, a comunidade local conviveu com um LADRÃO de alcunha “Chapalito”, verdadeira celebridade local. O cara tinha (e ainda tem) o dom do furto, entrava nas casas e surrupiava coisas, objetos, jóias, videogames, TVs e o que mais estivesse ao alcance de sua mão.
Mês findava, mês se iniciava, lá vinha uma história de alguém cuja casa fora devassada por esse cara. A polícia sabia onde ele morava, conhecia sua mãe, suas irmãs, a cada caso de furto na cidade lá iam os homens da lei atrás do Chapalito. E em muitos casos recuperaram os objetos.
A coisa veio num ritmo frenético de crimes e diante da indignação da comunidade, sempre se esbarrou na lei que protege os “menores de idade”. Alguém denunciava, o cara era preso, mas, como diria a turma do Casseta e Planeta, ele era “DIMENOR”.
Interessante que o criminoso possuía um “modus operandi” característico, uma espécie de marca registrada dele. Sempre entrava na casa das pessoas em horário normal, meio-dia às vezes, casa cheia, todo mundo almoçando. Naqueles curtos minutos em que a atenção de todos se voltava ao comer, o bandido adentrava a casa e levava sua muamba.
A cidade de Santo Antônio conviveu por anos com esse meliante, sem ter muito o que fazer. Talvez isso ilustre as falhas de nossa lei. E foi sendo urdido na cidade um ódio coletivo, uma raiva diante de tamanha impunidade.
Dia desses, conversando com amiga minha que trabalhava em creches municipais, ela lembrou-me que mais de uma vez ela levou o tal menino para consultar comigo (na época ele era criança). E rimos ao lembrar que fornecíamos leite em pó para ele, ou seja, nós (sociedade) alimentávamos o pequeno monstro já na sua infância. Para que depois ele viesse a nos assaltar.
Todas as conversas confluíam sempre para um mesmo ponto. Mas afinal – dizíamos – como é a cara desse cara? Alguém tem alguma foto desse pilantra? Sim, as autoridades tinham várias fotos, mas não podiam divulgar, publicar, pois ele era menor de idade.
Engraçada essa lei que protege crianças e adolescentes criminosas. Não se pode falar no nome nem se mostrar a foto deles. Mas se um deles estuprar e matar uma menina, o nome dessa menina vai sair nos jornais. E a foto também. Então vejamos. O menor assassino tem que ter sua identidade protegida, coitadinho. O menor assassinado pode ser exposto à publicidade. Dá para entender? Eu não consigo!
Enfim, os dias se sucederam e os anos passaram. O cara enfim se transformou num maior de idade. Atingiu os dezoito anos. Mesmo para os canalhas o tempo passa. No jornal local desta semana, a Folha Patrulhense (http://www.folhapatrulhense.com.br/) eis que surge na página policial, pela primeira vez, a foto e o nome do Chapalito. O cara se chama Daniel Santos da Silva e sua cara é esta aí da foto. O mal, portanto, agora tem rosto.
Sei dos crimes cometidos, sei do contexto social, mas sempre que vejo um vagabundo desses algemado, sendo levado para mais uma detenção, não consigo deixar de sentir um tanto de pena. O que não me impede de ficar feliz sempre que ele é preso. Lá vai mais um bandido para trás das grades!
Lembro vivamente da Mãe e das irmãs do cara (a quem eventualmente também atendi). Lembro da expressão irônica da velha, sua cara desaforada, feliz com sua omissão diante da vida. O filho que ela tinha que ter educado, limitado, moldado, é hoje uma celebridade no crime.
Se lá naquele tempo em que ela ganhava leite em pó do município ela tivesse atuado como uma verdadeira mãe, talvez o destino do cara fosse outro. Talvez fosse um cidadão de bem, trabalhador, alguém voltado à família. Mas não foi o que ela fez. Com sua empáfia, sua arrogância, sua inconseqüência, ela onerou e continua onerando a sociedade com sua atitude. Semeou um jovem delinqüente, está agora colhendo um criminoso pós-graduado.
Para finalizar, uma ironia. O cara enquanto menor de idade fez e aprontou, sem que se conseguisse deixá-lo preso. Sabe por que ele foi enfim preso agora? Por ter furtado um passarinho! Isso mesmo, não foi TV nem computador. O cara furtou um passarinho com uma anilha do Ibama, e por isso, foi enfim para o Presídio Regional. Abandonado pela mãe. Odiado pela cidade. Preso por um passarinho.
Silvano – o impossível


LEITOR MANDA DICA DE DVD
Olá Silvano! Para quem gosta de música, vai a dica de um ótimo filme: trata-se de "Apenas Uma Vez" (Once), vencedor do Oscar 2008 de melhor canção original por Falling Slowly (composta pelo casal protagonista, Glen Hansard e Markéta Inglová). É um filme simples, que partiu de um roteiro de 60 páginas e foi filmado em apenas 17 dias, mas é essa simplicidade que faz dele um sucesso. Extremamente poético e tocante ele mostra o quanto a música pode aproximar as pessoas. Tem como tema um músico irlandês que toca composições próprias nas ruas de Dublin para ganhar alguns trocados. Numa dessas apresentações ele é assistido por uma tcheca que se encanta pelas melodias e entra, sem querer, na vida dele. Movidos por uma grande paixão, que é a música, eles acabam compondo canções sentimentais juntos. Uma das curiosidades é que o protagonista Glen Hansard é cantor, violonista e compositor e integra a banda The Frames e lançou seu primeiro álbum, The Swell Season, em 2006, projeto que teve a participação da multi-instrumentista, compositora e cantora Markéta Inglová. Vale a pena locar o filme, é dez!!
Flávio Rogério – do litoral norte gaúcho


28/08/2008

21 agosto 2008

Coisa de Gordo - 390

390 – TORTA DE MARIDO – Versão do Guri
Essas receitas rápidas têm tido grande aceitação entre os leitores deste Blog, já quando publiquei o Negrinho de Microondas, e depois o Bolo de Caneca, os resultados junto à critica (você mesmo!) foram ótimos. Na esteira deste processo (desculpe, este é um dos meus cacoetes de linguagem), trago ao vosso deleite mais uma dica imperdível. A Torta de Marido.
Já a houvéramos visto no programa de TV do Anonymus Gourmet, numa manhã de sábado. Nas palavras dele, é uma torta tão fácil de se fazer que até o Marido consegue dar conta. Daí a origem do nome.
Na época a sra Kátia fez a receita, aprovamos, ficou como uma boa possibilidade.
São apenas três ingredientes: - um pacote de Bolacha Maria de Chocolate; uma lata de Leite Moça; uma lata de Creme de Leite.
Misturam-se os três, põe-se na geladeira e está pronta.
O que trago de novo aqui? Meu Guri sentou olhos na resumida receita e tratou de aperfeiçoá-la. É um simples detalhe, mas que influi bastante no resultado final. Na receita do Anonymus, as bolachas eram picadas e colocadas no preparo. O Guri foi mais perfeccionista, mais cuidadoso.
Uma das grandes qualidades desta receita é a sua praticidade. Você, mulher, está em casa naquele domingo de tarde, jogada no sofá, indecisa entre se deprimir vendo o Faustão ou dormir até o fim da tarde. Seu corpo todo dói da maratona da semana. Você até pensa em desligar a TV, ou mesmo trocar de canal, mas o cansaço físico é maior do que sua indignação. Como se fosse uma jibóia após ter comido aquela ovelha, você mal consegue manter os olhos abertos, apenas digere e respira.
Neste exato momento soa a campainha, você rosna algo para o seu marido e então ele vai ver quem é, atendendo o interfone. Oba! – ele grita – a mamãe está aí!
Era só o que lhe faltava! Uma visita de sogra num domingo à tarde! Logo a sogra. E logo naquele domingo! Enquanto o elevador sobre você lembra que não tem nada em casa para servir à mulher. E percebe que ela, quando souber disso, vai fazer aquela cara de desdém para você, sacudindo a cabeça negativamente. Nesses curtos segundos que separam você, mulher, do encontro com a mãe dele, um lampejo ilumina sua mente. Você lembra da Torta de Marido. Seu marido abre a porta, você disfarçadamente vem da cozinha dizendo que estava finalizando uma sobremesa. Diz isso e logo volta para a cozinha, conseguindo fazer a Torta de Marido em três minutos. Coloca o preparado na geladeira e volta para a sala calmamente, anunciando que logo vai servir o doce. Pronto, sua tarde está salva. Sabe por que, mulher? Porque a coisa é muito fácil. Perceba isso.Olhe a seqüência de fotos abaixo e se delicie.
Silvano – o impossível


21/08/2008

Torta de Marido - versão do Guri


Ingredientes: como citei antes, apenas três coisas.
Um Pacote de Bolacha Maria de Chocolate;
Uma Lata de Leite Moça;
Uma Lata de Creme de Leite.
Use APENAS metade ou então dois terços das bolachas, para não ficar muito "massuda". Com menos bolachas elas ficará mais molhadinha, mais solta.

Passo 1


Moa as bolachas até que virem uma espécie de farinha. O Guri faz isso usando o liquidificador. Ele vai colocando porções de bolachas aos poucos, tritura, põe numa vasilha de preparo. Mói mais um pouco. Põe mais lá no prato. Assim vai moendo até que os dois terços (ou metade) do pacote tenham sido triturados, moídos, desmanchados. Este é a diferença crucial da receita original. O Anonymus deixava as bolachas em pedacinhos. Deste jeito aqui é bem melhor.

Passo 2


Acrescente os dois outros ingredientes. Vendo esta foto você já percebe que não tem como esta receita dar errado, né? É só craque na cozinha! Usando essas duas Latas, o que pode dar errado? Nada!

Passo 3


Misture vigorosamente os três ingredientes. Aquilo que antes era uma mistura heterogênea vai gradualmente se transformando em uma coisa de um aspecto só. Uma deliciosa massa de torta doce.

Passo 4


Por fim, acomode a mistura num prato circular. Vá deitando a massa delicadamente, carinhosamente, retoque com uma colher de sopa, maquie a apresentação do prato.

Passo 5


Terminado este curto ritual, coloque na geladeira por cerca de uma hora. Perceba que não foi necessário levar ao forno, cozinhar, assar, nada disso. O negócio é só misturado e resfriado. Neste período, converse com sua sogra, sabendo que em breve você vai fazer a Coroa cair da cadeira. Ao comer esta delícia que você está preparando! Parabéns! Desta vez ela não vai fazer aquela cara desdenhosa. Pelo contrário. Vai até dizer ao filho dela, aquele com quem você se “ajuntou”, que ele fez uma boa escolha. Uma boa escolha.

15 agosto 2008

Coisa de Gordo - 389


389 - ESTEREÓTIPOS
Não sei de onde vem esta palavra “estereótipo”, pois a desdobrando, o radical dela é “estéreo”, que significa movimento. O significado dela tem sido bem outro. E ando obcecado por alguns estereótipos ultimamente. E partir da observação disso, constatei estarrecido que um estereótipo é uma coisa utópica, uma figura que não existe! Serve como padrão, serve como exemplo, mas não existe.
Certa feita a Globo exibiu uma novela onde havia ciganos, época em que muita criança neste país foi batizada com o nome DARA, que era como se chamava a cigana da novela. Naquela ocasião, a TV mostrava os ciganos como pessoas charmosas, sensuais, vistosas, roupas reluzentes. As mulheres ciganas seriam algo como sereias, tal a sua verve sedutora. Tudo isso era um estereótipo. Não existe cigano assim! Uns anos atrás, morando noutra casa desta mesma cidade, observava um acampamento de ciganos situado a uma quadra de nossa casa! Sujeira total, pessoas feias, podres. As mulheres, verdadeiros “tribufus” ambulantes, andavam sem calcinha e, andando pela praça, simplesmente se agachavam ali na grama para urinar e logo em seguida seguir seu caminho. Como bichos. E bichos sujos e fedorentos. Ora, não é difícil imaginar que pessoas que vivam sem banheiro, água corrente e sabonete, sejam sujas em seu viver. Quem se propõe a viver acampando aqui e ali, por opção própria, tem seu destino atrelado a uma certa falta de higiene, falta de sociabilidade. Enfim, os tais ciganos aqueles da novela eram só estereótipo. Não conheço cigano que se enquadre no que foi mostrado na TV.
Na Literatura Brasileira temos o mito do bom selvagem. O clássico José de Alencar escreveu livros onde pintava os índios como heróis altivos, bonitos, educados, amorosos. Peri e Ceci eram quase que Romeu e Julieta! Sim, a mim parece que tal mito não foi criação do Alencar, era uma coisa do movimento cultural vigente no mundo daqueles tempos. Quem já teve a chance de ver, escutar, se aproximar de algum índio facilmente percebe a diferença. Índios na vida real são pessoas (lá vamos nós de novo...) sujas, podres, analfabetas, desdentadas, eventualmente violentas, grosseiras. Cabe a mesma apreciação de antes. Os caras vivem em Tabas, dormem dentro de Ocas, o banheiro mais próximo é o rio, se tiver, a podridão viceja por ali, portanto. Esse mito do bom selvagem transbordou para outras obras clássicas, basta lembrar que o Tarzan, aquele da Jane, foi pintando como um cara legal, justo e bonitão. Amigo(a)...pobre da Cheeta! O cara era um farrapo humano, a se considerar que ele houvesse sido criado por macacos, em meio à selva. Mas o tal mito era forte e lá veio o Tarzan com cabelo penteado e hálito puro.
Por fim, indago. Com que finalidade são criados os estereótipos? Por que aparecem? O que os condiciona? Sim, bem sei que isso é quase incontrolável, é quase como fofoca em cidade pequena. Se cria, aumenta, aparece, se espalha!
Poderia um sociólogo ponderar que o estereótipo é uma espécie de inconsciente coletivo social. Surge nas mentes das pessoas e transborda para a cena do dia-a-dia. Se a Globo colocasse ciganos imundos na sua novela, por certo não teria audiência alguma. Como captou o imaginário popular, acertou na mosca.
Enfim, percebo a existência de estereótipos e ao mesmo tempo os respeito e temo. Por serem fantasiosos, nunca se sabe aonde a coisa vai parar! Observo-os de longe, dou um passo atrás e vejo a vida passar.
Silvano – o impossível


FENACAN
Começou ontem, com este novo nome a FESTA NACIONAL DA CANA, antiga festa do Sonho, Cachaça e Rapadura de Santo Antônio da Patrulha -RS. De ontem até o próximo domingo, a cidade ganha caras novas, um movimento inusitado, vem gente de todo lugar! O desafio dos expositores de Cachaça este ano é driblar e Lei seca. Sim, porque na tal festa há uma espécie de “cachaçódromo”, um pequeno estande onde os Alambiques expõem suas marcas, colocando á degustação do público as suas cachaças. Como provar aquilo e depois dirigir carro? Impossível, e a polícia local já avisou que vai mandar ver no bafômetro. Venha, beba e, portanto, traga seu motorista cara-limpa!


RECALQUE MEU
Toda Olimpíada é a mesma coisa. Olho o quadro de medalhas e fico vexado! Que paisinho de meia-tigela é este em que vivemos! Quase caí da cadeira quando a mídia anunciou que aquela mulher do JUDÔ foi a Primeira Mulher Brasileira a ganhar uma medalha em Olimpíada, num esporte individual! Meu Deus, do céu, é muita incompetência. Chama o Cristóvão Buarque e vamos começar tudo do zero. Pela educação! Pelas escolas! Pelo incentivo às crianças desde cedo! Pela chance de sermos, um dia, um país melhor. Todas essas parcas medalhas que eventualmente ganhamos são resultado único da iniciativa pessoal de um atleta, de um grupo de atletas, coisa assim. O governo pouco liga para isso! Se aquela pessoa se determinar: - Daqui a oito anos vou correr a maratona na Olimpíada, trabalhar o dia todo, treinar sozinha à noite, durante oito anos, talvez ela enfim consiga chegar lá. O governo em nada a apóia. Recalcado que fico por causa disso, escolho uma nação para torcer, para ver se alguém desbanca aqueles americanos soberbos e cheios de si! Este ano sou CHINA desde pequenininho. Torço pelos “chinas” até em campeonato de cuspe!


ALGEMAS
Eu serei sempre suspeito, mas acho um descalabro essa bobagem de quererem regulamentar o uso de algemas em solo nacional. Não sou favorável a abusos. Não coaduno com a violência policial. Mas neste singelo momento em que o país se vê às voltas com a barbárie, a violência, a impunidade, os caras do Congresso (sempre eles) se juntam para regulamentar o uso de algemas. Ou seja, o circo pegando fogo e eles preocupados com a almofada na cadeira. O ministro Gilmar “Amigo Deles” Mendes já inaugurara esta tendência, mostrando-se tremendamente preocupado com os abusos cometidos contra o coitadinho do Daniel Dantas. O desvio de dinheiro que ele causou, a falta que isso faz nas filas do SUS, na fila dos Aposentados...isso não o estressa. O que lhe causa frisson é o “modus operandi” dos policiais em relação aos punhos do Dantas. Pois agora, resolveram falar das algemas. A seguirmos por este caminho, logo , logo estaremos discutindo as acomodações dentro dos presídios. Afinal, dirão estes mesmos, por que não coloca uma cama Box e uma TV de LCD para cada preso? Gente....(bradarão eles)..eles são bandidos mas são humanos! Humanos!! Estupradores...mas humanos. Assassinos, mas humanos.


E O PIOR....
...é que EU e VOCÊ pagamos não apenas a estadia dos presos nas penitenciárias, mas o salário dos meliantes do Congresso e o do Gilmar Mendes. Ah, sim, e para não esquecer, pagamos também o novo salário da governadora Yeda “Arrogante” Crusius que se aumentou de 7.000,00 para 17.000,00 por mês.


14/08/2008

Dica de Leitora - DVD


Caro Silvano! Gostei de ver teu Blog do Dia dos Pais, e minha dica de DVD seria O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marquez, que fala de uma paixão fulminante de um jovem que trabalha nos correios ( Florentino) por uma jovem de classe mais alta ( Firmina). Apaixonados, prometem um ao outro se amarem para sempre e o jovem então a pede em casamento. Mas seu pai não o considerando um bom partido para sua filha a manda para longe, para uma fazenda distante onde está sua prima. FLorentino a aguarda, mas quando Firmina retorna não quis mais nada com ele e passa a ser cortejada por um médico bem sucedido da cidade que trata da Cólera. Bem como tudo tem um final, este promete ser emocionante. Destaque para Javier Barden ( Florentino),Giovana Mezzogiono ( Firmina), Fernada Montenegro ( Mãe de Florentino), John Leguizamo ( Pai de Firmina) e Benjamim Bratt ( Dr. Juvenal Urbino) . Um Abraço. Sandra Gomes

08 agosto 2008

DIA DOS PAIS


DIA DOS PAIS

Feliz és tu
que não precisas
fechar os olhos
para encontrar teu pai.

Ele abre o jornal
quando abres a porta.

Teu pequeno Atlas
tem um mundo em suas mãos.

Deixa de lado
a lufada dos fatos
e vem ao teu encontro.

Abraço de mãe é travesseiro.
E árvore, o pai.

A gente sempre fica
com algumas palavras
trancadas na garganta.

O pai não quer arroubos
nem proclamas…

A roupa do pai temtantos bolsos.
É neles que guarda
pequenas humilhações
e desditas.

Mas em seu olhar
brilha um grande sonho.
Um mundo melhor
para seus filhos.

Às vezes, dá vontade
de dizer ao pai
que nós também
pisamos o barro,
sujamos a alma
e os sapatos.
Mãe é teto.Pai é viga.
Há resíduos
de nossa infância
em todos os cantos.
Até no cheirinho
de água de barba
que vem com seu abraço.

Ele cantava no chuveiro.

Deixas sob o travesseiro
uma caixa de CDs.

A noite avança,
toca o telefone.
O pai agradece.
Ao fundo,ainda ouves
o som enternecido
de um bolero.

No escuro
avalias o filho que és.

Carece ser mais companheiro,
jantar, ir ao cinema.

Dormes e sonhas com teu pai.
Chove na manhã de inverno.
E como é bom
vir da escola em seu colo,
os pingos d’água cantando
sobre o guarda-chuva.

Luiz Coronel – Poeta- Editor e Escritor

07 agosto 2008

Coisa de Gordo - 388


388 – CANYON FORTALEZA
Comentei aqui que subimos a montanha até Cambará do Sul, município situado às beiras daquelas obras da criação, os penhascos, as escarpas, os Aparados da Serra. Em ocasião anterior já subíramos até lá quando então fomos visitar o Itaimbezinho, no Parque Nacional dos Aparados da Serra. Foi um passeio rápido, breve, chegamos já de tarde, mas mesmo assim a impressão e as fotos foram boas.
Desta vez fizemos diferente. Fomos conhecer o outro Canyon, o Fortaleza. Na noite anterior ao passeio, titubeamos quanto à ida até aquela paisagem inigualável. Estávamos cansados, teríamos que acordar cedo e tomar lugar numa Van que nos levaria até lá. Diante de nossa indecisão, cancelamos a reserva na Van. O preço era de 38,00 reais por pessoa, ida e volta, o passeio durando cerca de 5 horas.
Devíamos ter ido de Van. No amanhecer do dia seguinte, após o café, vendo o belo sol que nos iluminava os caminhos, resolvemos ir até lá. Só que aí não tinha mais a Van.
O que fazer? Fomos de carro mesmo. Nosso carro. Entre o asfalto de Cambará e o Fortaleza, há uma estrada com quatro quilômetros de asfalto e dezoito quilômetros de chão. Estrada ruim, lenta, pedras e mais pedras pelo caminho. A gente tinha que andar em segunda marcha, às vezes em primeira marcha. Mas percebi que os outros carros nos ultrapassavam ao longo do percurso, talvez eu estivesse meio assustado com os buracos. Passada cerca de uma hora (o que dá a idéia da velocidade média que fizemos) enfim chegamos ao Canyon Fortaleza.
Impressionante. Belo. Lindo. Imperdível. Soberbo. Inigualável.
Local calmo, movimentado apenas pelos turistas que até lá se arriscam, é uma perfeita chance de meditação. De elevar o pensamento. E é claro, de forçar o corpo.
Aquelas fotos que se vê nos pôsteres turísticos são enganosas, ou quase isso. Nas tais fotos a gente vê a beira da escarpa e olha aquela estradinha ali do lado. Logo pensa: - fácil, dá para chegar de carro até ali. Doce ilusão.
Existe a tal estradinha, mas ela só dá acesso de carro até um certo ponto, não até a beira. E o ponto onde os carros ainda chegam é o fim dos tais vinte e dois quilômetros de pedras que citei antes. Portanto, você viaja até ali, desce do carro e a partir daí tem que caminhar! Uma distância não muito longa, é verdade. Em poucos minutos a gente se vê na beira do Canyon, tirando fotos.
Aí a gente olha para o lado e vê que há uma subida enorme, para se ter enfim a visão derradeira da região. Esta parte é uma pequena maratona. Que fizemos em uma hora de caminhada! Montanha acima.
É uma subida linda, bela, esfuziante. A cada passo que se dá, ficando mais alto, a gente vai ampliando a vista, vendo coisas antes não percebidas. Num certo momento se vê o mar ao longe e os prédios da cidade de Torres, litoral gaúcho, lá embaixo!
Continua-se a caminhada e então se chega ao topo da montanha!
Um verdadeiro show da natureza. Uma loucura. Para quem acredita nele (como eu), uma verdadeira obra-prima de Deus!
Fica esta singela dica. Suba a serra. Saindo de Porto Alegre, vá a Taquara, suba a São Francisco de Paula, e dali suba mais 67 quilômetros de excelente asfalto até Cambará. Lá há várias possibilidades de turismo, gastronomia, passeios. Se puder, agende uma Van e vá até o Canyon Fortaleza. Leve sua máquina de fotos e gaste lá suas baterias.
Eu estava sem a minha, mas nosso amigo Paulinho fez as vezes de fotógrafo. Como se pode ver nesta foto aqui colocada.
Silvano – inquieto


SABE O BOLO NA CANECA?
Causou um verdadeiro frisson na rapaziada. Recebi e-mails e contatos telefônicos elogiando a receita, adorando o preparo simples, a facilidade de se deliciar. Parabéns à leitora Claudete, que foi quem enviou a receita e as fotos.


07/08/2008