30 março 2006

CÁQUI

Como evitar voltar a este tema tão suculento? Impossível! Não é de hoje que confesso minha incondicional paixão ao CÁQUI, esta fruta tão gostosa quanto suculenta. Não bastassem as propriedades culinárias e gustativas dele, o cáqui ainda se presta a considerações em outras áreas.
Exemplo disso é a cor. Em meu tempo de colégio, vestíamos calça "cáqui", que é uma cor já consagrada entre modelistas e costureiros. Quer saber que cor de roupa é essa? Olhe a calça de um brigadiano (um Policial Militar - para os que moram fora do Rio Grande do Sul). A calça de nossos brigadianos é de cor cáqui. O que até certo ponto é meio estranho. Nunca vi um cáqui daquela cor. Mas talvez isso não venha mais ao caso. A cor já ficou consagrada.
Outros exemplos da utilidade imprescindível do cáqui são as aulas de português. Quando o professor quer ensinar acentuação gráfica, lembrando aos alunos que palavras paroxítonas terminadas em "i" devem ser sempre acentuadas, ele cita o cáqui. São poucas as palavras do vernáculo que, sendo paroxítonas, terminam em "i". Pois o cáqui vem salvar o professor, deixando tal regra límpida e clara na cabeça dos alunos. Achou simples demais? Então me diga que outras palavras assim você conhece? Não valem gírias ("lóqui") nem nomes (Tédi). Quero ver palavra de dicionário, daquelas que dá para usar no jogo de Palavras Cruzadas. Viu só?
Mas a delícia do cáqui, a sua verdadeira vocação prende-se à sua propriedade de levar prazer aos que o experimentam. Nas toscas palavras que se seguem aqui abaixo, vou me ater ao cáqui mais mole, aquele que se desmancha, deixando o cáqui-chocolate (aquele mais duro, mais consistente) para outro texto. Vou falar do CÁQUI GELADINHO.
Fruta das mais nutrientes, rica em ferro, um cáqui gelado é capaz de interromper uma briga de casal. Sim, amigo, naquela hora em que o tom ficou mais alto, em que ela lembrou de todas as vezes que você não quis ir na casa da mãe dela. Ou naquela hora em que ele citou todas as finais de campeonato brasileiro que você não deixou ele ver na TV da sala. Esta é a hora exata do cáqui. Um dos dois vai rapidamente até a geladeira e visualiza o pratinho salvador. O cachimbo da paz. Pega o prato e, antes que o outro alinhe mais argumentos, oferece mansamente: - Quer um cáqui geladinho?
Amigo, tenho sabido de casamentos que sobrevieram graças ao tal do cáqui geladinho. Amizades que se perpetuaram. Reuniões do PT que se apaziguaram apenas por esse detalhe. Na hora do racha final, o Delúbio ia até o frigobar e trazia o pratinho salvador.
Um cáqui geladinho é coisa prá se comer em casa, em ambiente fechado, recinto familiar. É que fica difícil manter certas regras de civilidade diante da consistência leve da fruta. Ao menor toque, ele se entrega, se desmancha. Basta encostar que já escorre líquido. Um olhar mais forte, e o cáqui fica vermelho de vergonha. Portanto trate de se armar de uma bandeja, possivelmente um grande guardanapo ou mesmo um pano de prato. Se for verão, tire a camisa. Permita-se, enfim, entrar em conluio com o seu cáqui geladinho. Abra sua boca e seu coração para entregar-se a esse momento de prazer. Besunte-se, vá com sede ao pote, mergulhe sua boca no cáqui, pois foi prá isso que ele foi criado. Para levar as pessoas ao limbo da alegria e do prazer oral.
Não titubeie. Vá logo buscar a sua bandeja no mercadinho, no Supermercado, etc. Coma alguns, mas tenha o cuidado de reservar uma ou duas unidades para eventuais conflitos. Sua sogra vem passar dias? O cano da pia rebentou? O carro estragou? Tudo isso fica melhor com uma dose de cáqui geladinho. Você, mulher, está na TPM? Compre duas bandejas. Você, homem, é casado com quem tem TPM? Compre três bandejas. Apenas cuidem-se para que, numa dessas reconciliações, digamos assim, "pegajosas", vocês não venham a engravidar inadvertidamente. Sim, parece haver evidências de que até isso o cáqui geladinho faz. Ele é fertilizante! Te cuida, Latorraca!
Silvano - o impossível - sempre fazendo as pessoas babarem no teclado

4 comentários:

Ivens disse...

Muito boa essa! A exemplo do cáqui, que as pessoas que vivem no Brasil insistem em chamar de caquí, totalmente errado, como nos mostra a aula de português do Silvano, temos outra fruta que temos que comer vestidos com roupa de mergulho: a manga. Ambas impossíveis de comer sem se lambusar todo. Mas que valem totalmente o lambuso!
A propósito, meus parabéns pelo novo blog.

Liliam disse...

Nossa..o blog tá legal...mas parece q ainda prefiro o site...sei lá....bah as imagens são chocantes! sempre fico com medinho de olhar...rsrsrs......
Mas é isso, não vou deixar de ler, sejá lá ou seja aqui!
Abraços

Lana Gaucha disse...

Bom dia!

Nossa, fiquei toda perdida lendo o texto sobre os parônimos, ou seja, palavras com a mesma escrita mas sons diferentes: cáqui, caqu(í) - ou nem são parônimos. Mas de uma coisa tenho certeza (ou já nem tenho mais): cáqui é a cor, e caqui (sem acento) mas pronunciado caqu(í) é a fruta, gostosa e saborosa.

De qualquer forma, a questão é aprender.

Beijos.

Lana Gaucha disse...

Psiu!

Pegando o bonde andando. Sou assídua no Espaço do Internauta, do nosso amigo Nelson Cristalino, destarte, visitei nesta semana o site {parceiro}. Por este motivo, pergunto: de que site a Liliam comenta? Gosto de visitar sites que nos permitem ler assuntos interessantes.

Paz e amor!