02 maio 2008

Coisa de Gordo - 374



374 – PARAR NA ESTRADA = PASTEL
Certo, certo, tudo na vida são questões de gosto e atitude. O que vale para um nem sempre vale para os outros. Mas nessa questão específica, a frase aí do título para mim é lei. Quando estou em viagem, sempre que paramos em algum lugar, restaurante, bar, seja lá o que for, vejo-me obrigado, coagido, intimamente forçado a comer um pastel de carne.
Sim, amigo(a), um pastel. Há pessoas que pedem pão de queijo, os que pedem rosquinhas, há os fissurados em Massa Folhada (Mil Folhas). No meu específico caso, em viagem, tem que ser pastel de carne.
Perceba que as coisas não são estanques (como diziam aqueles estudantes do PT e do PC do B, de minha juventude universitária). O fato de se comer um pastel de carne não impede que se comam outras coisas. Mas a pedida inicial sempre é o pastel de carne. Aliás, em certos botecos por este país afora, nem precisa dizer o sabor. É só dizer: - Me dá um Pastel! E ele é prontamente servido.
A sra Kátia tem lá os seus cuidados. Diz que comer fritura já é prejudicial, e que comer fritura de viagem, num lugar desconhecido, é mais prejudicial ainda. Pode ser. Mas é delicioso.
Munido desta característica, ando por aí, quilômetros e mais quilômetros, sempre desbravando o sabor dos pastéis. Não importa muito o local visitado.
Lembro de uma propaganda da Teem, aquele refri sabor de limão da Pepsi, onde o cara dizia para provocar a sede até não agüentar mais. Aí aparecia o cara chegando num bar de faroeste, todo empoeirado, e para piorar pedia um saco de batatas fritas. Ato contínuo ele emborcava uma garrafa de Teem bem gelada. Pois bem.
Cada vez que paro o carro nas viagens, ao descer e me aproximar do balcão, lembro do cara da Teem. Só que, ao contrário dele, eu chego com a voz rouca, bato no balcão e digo: - Me dá......um pastel.
E então me dedico a provar.
Tenho comido cada pastel! Cada sabor! Cada viagem!


Quer ter uma idéia? Estávamos a caminho da fronteira Brasil- Uruguai, saíramos da cidade de Rio Grande e íamos de vento em popa até o Chuí. No meio do nada, naquela distância de 230Km que separa as duas cidades, no município de Santa Vitória do Palmar, paramos para um café. Quer dizer, os outros queriam café. Eu estava a serviço de meus leitores. Queria testar e aprovar mais um pastel por este Brasil afora.
As fotos mostram o quilate do lugar.Uma pequena (ou média) birosca, empoeirada, envelhecida. Os banheiros eram pequenas pocilgas, reboco à mostra nas paredes, iluminação precária.
Tudo isso era apenas um disfarce, um obstáculo entre mim e os pastéis. Mas não se preocupe, tais adversidades superficiais não dobram um gordo ávido por um pastel. Ao contrário. A gente fica imaginando: - O que esses caras estão escondendo por trás disso tudo? Resposta óbvia: - Só pode ser um pastel.
Amigo(a), que delícia de pastel! Bem fritinho, salgadinho, saboroso. De fato, a tosca aparência do lugar era apenas uma fachada a esconder uma delícia de pastel. Nesse momento esquecem-se as dificuldades da viagem. A distância, o asfalto, os caminhões, o lugar simples para lanchar, a aparência deste lugar.
E aí a gente se concentra na textura e no sabor desta coisa tão deliciosa chamada Pastel de Carne.
A busca continua, companheiro(a). Terei que comer muitos pastéis ainda por aí. Este dado estatístico eu já posso dar. Lá no sul do Brasil, pertinho do Uruguai, no município de Santa Vitória do Palmar, há um pastel que merece ser consumido. É na Lancheria Alvorada, ao lado de um Posto de Gasolina.
Quer a maior prova de que a coisa é boa? Na volta da viagem, cansados e extenuados, paramos para comer outro pastel.
Que loucura.
Reafirmando: - Parar na estrada = pastel! E ponto final.
Silvano - itinerante


02/05/2008

4 comentários:

Anônimo disse...

A Sra Kátia que me perdoe .... mas eu também adoro um pastel de estrada (dos bem feitinhos, é lógico). Especialmente depois de um período de muita fome de estrada (que é uma fome diferente, não?). Mas mais do que os pastéis de estrada eu ainda opto pelos de Feira. Pena que por aqui existam tão poucos. E viva o pastel! O momento da “bocada” é aquele em que a gente esquece de que não gosta de fritura alguma. Rosalva

Conrado Ramos Caletti disse...

Caríssimo Dr. Silvano...!! Não mais adorador de pastel como a vossa pessoa, também tenho lá minhas quedas por esta iguaria tão conhecida. Mas para lhe provocar ainda mais no assunto "pastel", lhe convido, em uma de suas idas à capital dos gaúchos, para que prove o pastel do restaurante Cirilu's Bar, na avenida Venâncio Aires, próximo ao Hospital de Pronto Socorro. Além da comida generosamente e deliciosamente oferecida neste estabelecimento tão aprazível, o "pastel" é motivo certo para retorno ao local. Vou tentar descreve-lo em poucas palavras: de carne moída, massa de pastelina, simples porém frito de tal forma que parece ser de papel de tão sequinho. Bem, a provocação foi lançada. Assim que comprovar a qualidade do "produto", gostaria de ser informado sobre seu ponto de vista. Um abraço.

Anônimo disse...

Caro Silvano, Não poderia me furtar a falar desta maravilha que é o Pastel. É impossível ir ao litoral e não comer o Pastel de Carne do Maquine, na RS-030. Mas a lembrança da minha adolescência em Porto Alegre não se apaga nunca. Hanoi, na Rua Doutor Flores, em frente ao Palácio dos Enfeites. Oriental, na mesma Doutor Flores, esquina Salgado Filho; Su Yang, na Praça da Alfândega. Todos de china, imundos, com chineses mal humorados te atendendo. Mas o pastel...... Abraços. James.

Anônimo disse...

Experimentem o pastel de camarão da lancheria do Regis no Km 1 da estrada do mar... esse eh digno de um belo post!