26 março 2009

Clodovil

Pouco me importa o preconceito das pessoas, vou sentir falta do Clodovil. Sua figura ímpar fará falta no cenário brasileiro. Ele passava uma impressão de que falava sem se importar com ameaças ou intimidações. Foi discursar no Congresso e, vendo que ninguém lhe ouvia, chamou os seus pares de mal-educados por não ficarem calados quando alguém estava na tribuna. Chutou o balde em tantas outras situações e talvez seja disso que venhamos a nos ressentir. Ele vai fazer falta. Em meio a esse descalabro moral que vivemos, onde os ladrões do PT estão todos soltos, o Roberto Jéferson faz turismo pelo Brasil, o Maluf está solto, o Jader Barbalho está solto, o Sarney não apenas está solto como continua dando as cartas....em meio a isso tudo, fará falta a voz do Clodovil.
Li na última VEJA a entrevista derradeira que ele deu para tal revista. Lá pelas tantas ele contou uma tragédia de infância que me comoveu. Disse que quando tinha treze anos flagrou seu pai transando com seu tio (irmão da mãe dele). Ou seja, o pai do Clô tava “faturando” o cunhado. Ficou chocado com a traição que ambos estavam impingindo à mãe dele. Longe de querer justificar qualquer postura sua pela vida afora a partir desse momento crucial, o que mais o incomodou foi (penso eu) a traição. E talvez isso o tenha feito um cara moralista, meio conservador. Sim, soa paradoxal, mas o Clodovil era conservador. Do alto de sua rebeldia, de sua figura exótica, do alto de sua trajetória na vida pública do país.
Amigo(a), lembro do tempo em que havia “duas bichonas famosas” (essa era a expressão da época, coisa de anos 70). O Clodovil e o Denner. Durante um tempo eles disputaram a atenção do público com sua opção sexual, seus trejeitos, coisas assim. Mais frágil, o Denner morreu em seguida, abrindo espaço para a fama indestrutível de Clodovil.
Filho adotado, brasileiro, homossexual num país de hipocrisias, um cara solitário, eis a síntese das lutas de Clodovil. Uma pena. Como disse antes, sua voz fará falta no país.
Silvano

MAIS POLÊMICA POR AÍ ENVOLVENDO PADRE


Morreram mais católicos do que judeus no holocausto, mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo".
Este é um trecho da entrevista de Dom Dadeus Grings à revista PRESS. O cara é o Arcebispo de Porto Alegre e pode se preparar para a enxurrada de protestos dos judeus.
Noutro trecho ele diz: “Quantos milhões de católicos foram vítimas do Holocausto, 22 milhões? Vinte e dois milhões foram ao todo. Os judeus se dizem as maiores vítimas do Holocausto. Mas as maiores vítimas foram os ciganos. Foram exterminados. Isso eles não falam”.
Vai que é tua, revista PRESS!

20 março 2009

Coisa de Gordo - 420

420 – OBRA DE ARTE
Eu não sei como é que este filme não levou Oscar. Talvez tenha ficado um pouco ofuscado pelo A LENDA, do Will Smith, posto que ambos trilham um roteiro similar. Uma “virose” que acomete a população mundial e suas terríveis conseqüências. Pode ser que tenha se dado isso.
Trago tal divagação, pois este filme do diretor Fernando Meireles, chamado ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Blindness), é uma verdadeira obra de arte.
Aliás, há um outro ponto em comum com o filme do Will Smith. A brasileira Alice Braga, aquela que é sobrinha da Sônia Braga, atua em ambos. Pois é, a carreira da mulher está ficando marcada por filmes de epidemias e catástrofes. Olha o vírus, Alice! E lá vai ela filmar!
Partindo do livro do Saramago, que faz uma linda metáfora sobre a cegueira que assola a humanidade, Meireles traz ao espectador a saga de um grupo de pessoas que subitamente é tomada por uma cegueira. E o curioso é que é uma cegueira branca, quando os cegos de verdade a possuem na variante preta. Tudo fica branco, muito branco.
A partir dessa trama inicial, o diretor então vai desfolhando a personalidade humana, despindo-a da civilidade aparente que todos vestimos. Com o passar das horas e dos dias, as pessoas vão se embrutecendo, se animalizando, deixando eclodir a fera que existe dentro de cada um.
A dupla de atores centrais está soberba. Temos a Julianne Moore como a esposa do oftalmologista interpretado por Mark Ruffalo, e além deles algumas caras familiares como o Danny Glover e outros.
Sempre tive esta impressão. Somos mansos porque a luz está acesa e a polícia está nas ruas. Basta ver que se falta luz em grande escala, automaticamente acontecem saques e depredações. O mesmo vale para nossa conduta nas ruas. Se as polícias todas fizessem uma greve simultânea, a barbárie apareceria rapidamente.
Num momento inicial da trama os “doentes” são levados para uma espécie de sanatório, um asilo, onde ficam reclusos. Neste momento se confirma a máxima de que “em terra de cego quem tem olho é rei”. A pessoa que ainda consegue ver acaba assumindo um papel crucial no desenrolar da trama. Aos poucos as dificuldades vão aparecendo, a sujeira se espalha, a fome chega, aproxima-se a selvageria.
Imagino que o português Saramago aludia igualmente a isso. Esse despir-se das aparências, deste cair de máscaras e do cruel auto-exame da sociedade. O ser humano filosoficamente se vê diante de um espelho e o que ele enxerga não é nada alentador. Pelo contrário, até assusta.
Vi o diretor Fernando Meireles sendo entrevistado pelo Serginho Groissmann no ALTAS HORAS, onde ele contou que as tomadas de rua foram feitas em várias cidades do mundo. Há cenas em São Paulo e em várias outras metrópoles. Li no site ADORO CINEMA que o José Saramago autorizou a transposição para as telas, desde que não desse para saber em que país se passa o filme. Isso acontece magistralmente. O filme não deixa margem à localização.
Belo filme, triste filme. Bárbaro, violento, instigante, assustador. Impossível não se deixar tocar pelo que aparece ali.
Imperdível. Filmaço. Nota: 10,0 !
Silvano – além de impossível, cego

20/03/2009

Trailer do Filme

LEITOR MANDA RECEITA DO CHORIPAN

Nosso prezado Toninho Selistre cometeu a gentileza de mandar (em espanhol) a receita do “Choripan”. Na verdade ele manda é o preparo do salsichão (lingüiça) usado naquele lanche. Mas pelo ineditismo da receita me vi obrigado a publicar. Fala o Toninho..

Amigo Silvano, visitando seu blog, li a matéria de sua curiosidade sobre o choripãn como sou apaixonado por cozinha e principalmente por temperos diferentes, fui pesquisar, e te passo a receita, para ver quem faz primeiro... Abraço.


Choripán
Ingredientes: 1 kilo de carne de res picada muy fino o molida1/2 kilo de carne grasa de cerdo o tocino crudo (sin ahumar) 1/2 vaso de vino blanco seco6 dientes de ajo grandes1 cucharada de semillas de hinojo1/4 de cucharadita de nuez moscada rallada1/4 de cucharadita de pimienta negra molida1 cucharada grande de chile (ají rojo) molido2 cucharadas de sal gruesa1/2 cucharadita de oréganoPan de levaduraSalsa chimichurri

Procedimiento: En una sartén a fuego bajo tostar un poco las semillas de hinojo y molerlas con la sal gruesa, el ajo y orégano. Calentar el vino sin que hierva y disolver en él esta mezcla. Agregar nuez moscada, pimienta y chile o ají molido. Picar muy fino el tocino o lardo y agregarlo a la carne molida gruesa, junto con el vino y las especias. Amasar todo muy bien y dejar reposando tapado todo un día dentro del refrigerador. Embutir esta masa en tripa natural o comercial, si es que hay disponible, o simplemente darle forma de pequeñas salchichas y cocer en una plancha con poca agua hasta que se evapore y doren los chorizos. Partirlos a la mitad longitudinalmente al momento de asarlos a la plancha y colocar de inmediato en un pan partido a la mitad, aliñando con salsa chimichurri. Se acompaña con ensalada fresca si se desea.

12 março 2009

Coisa de Gordo - 419


419 – PRAZER E FISIOLOGIA
A gente lê e escuta cada coisa....Dia desses estava de ouvido na Rádio Gaúcha quando acerquei-me de um debate ali realizado em torno do cuidado com cachorros de rua. E aí os debatedores revelaram que em Porto Alegre há uma instituição que recolhe cães de rua, os recupera e aí os coloca para adoção. Interessante. Até aí, nada de novo. Aí uma mulher dessa tal instituição revelou que antes de disponibilizarem os totós para adoção eles os CASTRAM !
Ai, ai, ai – pensei eu – que crueldade. Ao que ela continuou explanando e a mim trouxe um instigante esclarecimento.
Ora – disse a mulher – o sexo para os cachorros é apenas função de reprodução. Eles o fazem por instinto, para fins apenas de reprodução. Não tem nada a ver com prazer. Portanto, finalizou ela como se falasse para mim, não fique chocado por castrarmos os cachorros.
Como posso ter vivido todos esses anos sem ter me dado conta disso? Apenas uma função fisiológica.
Saiamos do universo canino e adentremos a esfera humana. Deixemos de lado as pulgas e as coleiras e nos atenhamos aos aspectos “das gentes”.
O ser humano se vale de sua sexualidade com dois aspectos. O faz para fins de reprodução. O que me faz lembrar do método católico de controle de natalidade. Três filhos? Três relações sexuais durante a vida. Mas também o faz por PRAZER. Então a gente transa para ter bebês e igualmente transa POR QUE É BOM!
Calma, ainda não me abandone nesta altura do texto. Não fiquei imbecil de vez! Não desista de ler até o fim. Onde quero chegar?
Sempre que esses nutrólogos ou endocrinologistas vêm a público falar de dietas e gorduras eles abrem o discurso com uma afirmação que agora vejo como falsa. Ou pelo menos duvidosa. Dizem deles: - O ser humano necessita para viver de apenas tantas calorias diárias, o resto são excessos! E a partir daí eles deleitam-se em nos humilhar quando os procuramos para perder peso.
Certa feita ousei levar meu guri num endocrinologista para receber algumas orientações. Para ver se ele não seguia o caminho do pai no que tange à balança. O cara era um médico magrinho, de seus cinqüenta quilos no máximo, e com um grande desdém por comida. Recordo que lá pelas tantas ele perguntou com uma cara de nojo: - Por que as pessoas comem chocolate, hein? Que horror... E aí nos olhou com uma cara de nojo. Você pode imaginar que não voltamos mais lá.
Pois bem. Retomando o assunto dos cachorros e as explicações daquela mulher lá no início do texto. O ser humano come para suprir suas necessidades nutricionais. Isso é instintivo. Ele age assim para não sucumbir. Mas aí ele se diferencia dos animais por um detalhe a mais. Nós humanos não comemos apenas para ficar vivos, mas comemos principalmente POR QUE É BOM! Ninguém precisa comer uma Picanha mal-passada para sobreviver. A gente come isso porque é bom!
Tem uma corrente dentro da medicina que afirma que o ser humano só deveria consumir leite até os dois anos de vida, e mesmo assim, no peito da sua mãe. Depois disso, comida e só comida. Nada de leite. Lançando olhos em nossos irmãos do reino animal, tal filosofia se mostra racional. Os bichos mamam no início, depois se dirigem cada um às suas preferências alimentares. Concordo, beber leite (e seus derivados) deve ser mesmo inadequado ao ser humano mais velho. Mas então por que nos entregamos ao Nescau, à Ambrosia, ao Leite Moça e à Rapadurinha de Leite? Por uma simples razão: - É porque É BOM!
Portanto, é fato que muita gente está acima do peso. Muita gente precisa fazer dieta (a começar por mim). Mas apenas lembremos isso. Não comemos para viver. Comemos porque É BOM! Porque dá prazer. Porque é uma faceta da vida que pode ser bem explorada. De preferência, com moderação, mas bem explorada. Estamos um pouquinho acima dos bichos. Podemos fazer sexo por prazer? Então que mal há em pedir mais um Filé? Ao molho de mostarda, então....é de matar.
Silvano – o impossível


12/03/2009

NOITES DE TORMENTA

É o terceiro filme dessa dupla de atores, Richard Gere e Diane Lane. Já atuaram junto antes em COTTON CLUB e em INFIDELIDADE. Juntaram-se de novo e a gente esperava que fizessem algo melhor. O nome do filme é NOITES DE TORMENTA. Há uma ou duas coisas que valem a pena, uma delas é a bela paisagem de um litoral americano que não aparece muito em filmes. A outra coisa que vale a pena é...deixa eu ver...acho que não tem mais nada que valha a pena. O roteiro é fraquinho, simplista, improvável. Os dramas apresentados o são com superficialidade. Nem e tal tormenta do título aparece de forma convincente. Olha, eu gastei a diária da locadora de DVDs, mas se fosse você, alugaria outro filme. Como desperdiçar o talento desses dois famosos desta forma? O pior é que vi o filme ontem e hoje o canal FOX está passando o Infidelidade. Que diferença! Incomparáveis. Minha nota para este NOITES DE TORMENTA é 3,5. Esqueça.
Silvano – botando dinheiro fora

06 março 2009

Trouxe este lá do blog FEBRICITANTE

05 março 2009

Coisa de Gordo - 418


418 – DIREITO À VIDA
Penso, logo existo. Foi o que disse o pensador. Vir neste espaço opinar sobre temas polêmicos também é função desse blog. Quem me lê sabe do que estou falando.
A mídia anda estranhamente eriçada com essa história mórbida dessa menina de nove anos que foi abusada sexualmente por seu padrasto e, suprema tragédia, engravidou. De gêmeos! Tem um tio meu que diz que nunca uma coisa é tão ruim que não possa ficar pior. Nos depoimentos que prestou, o canalha do agressor acabou contando que igualmente abusava da irmã mais velha, de catorze anos, que ainda por cima é deficiente mental! Dá para acreditar?
Mas não vim aqui para falar do bandido, o que é dele está guardado.
A partir do ato cruel e bárbaro, estando a pobre criança grávida, as medidas legais foram encaminhadas para se proceder ao abortamento. Uma gestação gemelar é uma coisa meio delicada, se acontece na barriga de uma pessoinha de nove anos, então é risco total. Até aí, tudo normal. Então o inusitado aconteceu.
Algumas autoridades (serão mesmo?) religiosas vieram a público para tentar impedir o ato do abortamento, alegando que eram a favor da vida. Falo desse tema porque, sendo declaradamente espírita, sou useiro e vezeiro em debater tal assunto. Para quem ainda não sabe, sou contra a pena de morte, contra o aborto, contra o suicídio e contra a eutanásia. Mas há que se ponderar algumas coisas.
Assim como me posiciono em defesa da vida nessas quatro situações arroladas, igualmente me preocupa a vida da pobre menina de nove anos.
Perceba o seguinte. Ela vem sendo abusada pelo padrasto ao longo de três longos anos. Sim, tudo começou aos seis anos de idade.
Aliás, nessas horas sempre lembro da pergunta que não quer calar: - Onde andava a mãe dessa criança. Que em três anos não percebe que seu parceiro anda se servindo de suas duas filhas....Difícil responder.
Pois bem, a vida dessa criança de nove anos é nobre, é preciosa e neste caso, se sobrepõe às vidas dos fetos. Por ter chegado antes. Por preexistir. Por já estar ali.
Quererem mantê-la infantilmente grávida em nome de um suposto sentimento preservacionista a mim parece um grande equívoco. Para defender duas novas vidas vai-se pôr em risco a vida que já existe.
Não, não pense que estou sendo original neste raciocínio, há um livro onde se fez exatamente esta pergunta e a resposta veio curta e grossa: - Deve-se manter a vida que já existe!
Enfim, sei que é um tema afeito a várias opiniões, sei que acende ânimos religiosos, filosóficos e culturais. Mas disso é feita a vida.
Essa criança de nove anos já vem sendo torturada ao longo de três anos. Querer mantê-la grávida é sentenciá-la, aí sim, à morte.
Silvano – entrando em terreno nebuloso


QUEM BEBE GRAPETTE REPETE
Pois é, me criei bebendo esse refrigerante. Não é que os caras relançaram? Chego no Super e está lá, na prateleira. E num litrão PET. E para completar....light. Veja só, três ou quatro décadas se passaram e a Grapette retornou.
Sim, lembra direto a Fanta Uva, e aí me dei conta de que ao tempo em que gostávamos de Grapette não havia muitas outras opções nesse setor. Talvez por isso a apreciássemos tanto. Achei meio adocicada demais. Sei lá.
Se você provou dela trinta anos atrás, volte e experimente. Quem sabe que conexões de sua memória não serão ativadas...
Silvano - experimentando


05/03/2009

26 fevereiro 2009

Coisa de Gordo - 417


417 – CHORIPAN
Nessas épocas de praia e veraneio, a gente vivencia coisas as mais curiosas ali, na beira-mar. Os passeios, os banhos deliciosos, as coisinhas gostosas de se provar debaixo do guarda-sol. Estando mais uma vez em Garopaba-SC, rota inevitável de nossas últimas férias, pudemos de novo colher coisas novas na beira da praia.
Era um quente dia de verão e de veraneio. Houvéramos nos instalado na areia com o firme propósito de não precisar sair dali para almoçar. O que a praia nos trouxesse estaria bom.
Começamos por umas espigas de milho-verde. Passamos por pães de queijo. Depois demos um tapinha discreto numas iscas de peixe e até um espetinho de camarão andamos cutucando.
As horas tinham se passado, devia ser algo em torno de uma ou duas da tarde, a fome se instalara e deixara de ser crítica. Após essas horas sob o efeito do sol, do mar, do abafamento, algumas coisas da civilidade vão se perdendo. Aquela cocada que antes parecera meio mofada começa a ficar interessante.
Assim estabelecidos, eis que sentimos um cheiro delicioso no ar. Meu Deus – pensamos – quem é que está fazendo churrasco à beira-mar? Não era churrasco. Mas o cheiro lembrava as delícias da carne assada em brasas.
Fomos averiguar a fonte de todo aquele aroma, de onde será que emergia aquela fumaça enfeitiçada? Para nossa alegria, aproximava-se do grupo acampado um Carrinho com os dizeres CHORIPAN escritos do lado. Sim, os caras (eram dois) vinham vendendo Choripan ao povo da praia.
O Choripan é uma instituição nacional, é um quase churrasco. É aquilo que você vai improvisar na sua casa quando chegar uma turma grande para o almoço de domingo e no açougue mais próximo você só encontrar “lingüicinha” (para os gaúchos = salsichão). Aí você vai voltar prá casa com um monte delas, um saco de carvão e um monte de pão. Pronto. Você vai assar aquilo tudo na brasa e servir dentro dos pães. Será fácil, rápido e barato.
Voltemos à Garopaba. Os caras chegaram com a tal carrocinha deles e se propuseram a atender os pedidos de nosso grupo de amigos e familiares. Olha, deu até fila na areia.
Quero um, quero dois...eram os gritos esfomeados do grupo.
Obviamente pedimos um, e dois e vários, o que nos fez curtir o prazer daquela improvisada refeição.
Os ingredientes são simples. Abre-se o pãozinho ao meio, e ali, na fresta panina (inventei esta palavra agora) o cozinheiro vai deitando uma “lingüicinha” (salsichão), rodelas de tomate e rodelas de cebola. Até aí você por certo já se contentaria. Pronto – basta – já dá para comer.
Mas aí vem a magia.
O que dá o toque final, o diferencial, é o molho que os caras despejam sobre o preparado. O cozinheiro pegava um tubo desses de catchup e lavava o recém formado sanduíche com o tal molho. Era um líquido amarelado com pequenos grumos pretos (pimenta do reino?). Para ironia, na hora em que ele estava nos atendendo acabou o molho no tal tubo. Ele rapidamente virou para o auxiliar e disse: - Mais molho.
O cara então abriu uma portinha da carrocinha e ali dentro pegou um litrão PET cheio do tal molho. A garrafa era torta, gordurosa é claro, mas trazia dentro de si o molho mágico. Nossos convivas tentaram colher informações acerca daquele molho soberbo, mas o dono da carrocinha não falou nada sobre o assunto. Segredo industrial.
O que sei é que o tal CHORIPAN estava delicioso, saboroso, suculento, forte, bem temperado. Diria assim: - imperdível!
A foto ali ao lado mostra rudimentarmente as delícias dessa iguaria. Mas nela você perceberá a rusticidade e a consistência do tal sanduíche.
Maravilha. Já ficou na agenda para, a cada volta, pedir de novo.
Simples, rude, forte, “encorpado”. Delicioso.
Silvano – com os pés na areia

26/02/2009

Joelho de Porco


Lembra o EISBEIN, o tal joelho de porco que citei semana passada? Eis uma foto real do prato. Sim, nesse dia estava munido de máquina e registrei o troço. Favor não babar no teclado.
Silvano

21 fevereiro 2009

Coisa de Gordo - 416


416 – NA FOLIA?
Não, não pense que caí na Folia do Carnaval. Você até pode estar se preparando para a noitada, ou para ver o Desfile das Escolas na TV. O seu blog COISA DE GORDO não faz feriado. Sempre atento às exigências de seus leitores, o blog caiu na estrada.
Já tinha ouvido falar mas tive que ver com meus próprios olhos. Subindo a estrada em direção ao norte catarinense, pela BR-101, a gente se dá conta de que há vida inteligente ao norte de Florianópolis. Calma, é óbvio que estava brincando.
Eu, que na minha infância/juventude vivi em cidades variadas do Brasil, sempre soube da diversidade deste país nosso. Mas passam-se os anos, a gente vai se acomodando, nas férias vai sempre aos mesmos lugares, por isso é que tive EU esta impressão. “Gente...quanta coisa bonita aqui para cima!”
O nome da cidade é Jaraguá do Sul, situa-se ao norte de Santa Catarina, fica a uns quarenta minutos do litoral, é ali pertinho de Blumenau. Falando em Jaraguá do Sul talvez você não associe muita coisa , que cidade será esta?
Mas se eu falar que é a terra da WEG (motores elétricos), da MARISOL (malhas), da MALWEE (malhas de novo), do time de Fut-Sal da Malwee, aí você vai dizer que já tinha ouvido falar.
Para mim que moro numa pequena cidade, ela se configura como uma pequena metrópole, tem algo em torno de 140.000 habitantes. Cidade grande, próspera, industrial, trabalhadora.
Diferente da colonização das praias catarinenses (Florianópolis, Garopaba, Imbituba, Laguna, adjacências e praias mais ao sul) que foi toda açoriana, o norte catarinense (assim como o rico Oeste) foi colonizado por alemães, e isso fez toda a diferença.
O povo alemão trouxe o trabalho, o desenvolvimento, a seriedade, o esforço, o trabalho, a organização, mais trabalho...enfim....tudo que os açorianos não fizeram. Resultado disso, esta região toda é o que é. A cidade de Blumenau é uma potência regional, Joinvile é a cidade mais populosa de Santa Catarina e Jaraguá do Sul, situada ali, no coração disso tudo, acaba acompanhando essa onda toda.
Claro que os alemães trouxeram outras coisas também. Uma delas é a CERVEJA. Que é uma especialidade aqui da região. E a outra é a culinária germânica.
Estando nós aqui em Jaraguá, nesta árdua missão informativa, tratando de enriquecer sua leitura enquanto você se fantasia para o Carnaval, fomos levados por familiares a um belo recanto aqui da cidade. Trata-se do Parque da Malwee, uma extensa área verde, com lagos, passeios, caminhadas, verde, muito verde. A Malwee mantém esta extensa área privada aberta ao público, como se pública fosse. É uma das atrações da cidade. E lá dentro desse parque está o RESTAURANTE TÍPICO PARQUE MALWEE. Servem um extenso bufê de gostosuras alemãs, com chope da Eisenbahn. Ali pudemos degustar Chucrute, um outro preparado com repolho só que roxo e meio adocicado (delicioso), Carne de Porco assada, Carne de Marreco, Peixe Frito com Camarões, Saladas variadas. Em meio a isso o garçom traz lascas de Picanha assadas, detalhe que foge das tradições alemãs, mas satisfaz a gauchada. O dia era de calor, o ar condicionado fez toda a diferença. Nos drinques, nossos acompanhantes pediram aquele copão da Cerveja Erdinger, delicioso.
Nessas iguarias todas, óbvio que não poderia faltar o Joelho de Porco, aquilo a que chamam de EISBEIN. Já tinha provado esse prato no Restaurante Romanus, de Gramado-RS, e pude confirmar a delícia nesse almoço ali em Jaraguá feito.
O telefone deste restaurante é (47) 33760182, os gerentes são o Carlos e a Marlise, fica na Rua Wolfgang Weege, 770. Preço do bufê livre? Apenas 15,00 reais por pessoa.
Um belo passeio, uma cidade impressionante, uma cultura rica e diversificada. Isso é o que os visitantes encontrarão em Jaraguá do Sul.
Silvano – queimando quilômetros no asfalto


LEMBRA DO BANRISUL EM GAROPABA?
Ano passado, veraneando em Garopaba, senti falta de uma melhor estrutura do Banrisul, o banco dos gaúchos, lá naquela praia. Acontece que noventa por cento dos que veraneiam lá são gaúchos. Naquela época, mandei um email ao FALE CONOSCO do Banrisul, pedindo que eles abrissem uma pequena agência temporária de dezembro a fevereiro, que aquelas arcas maquininhas de extrato e saque que eles tinham posto lá eram insuficientes, etc, etc. Os caras me responderam alegando que tal não se fazia necessário, que não havia queixas no atendimento. POIS BEM. Chego este ano por lá e não apenas não abriram a tal mini-agência como também pioraram o serviço. O quiosque que existia no Supermercado Silveira foi fechado, sendo substituído por uma maquininha que foi colocada no supermercado concorrente, o Althof. Nas três vezes que tentei fazer alguma coisa nela, em duas ela tava desligada. PIOROU! A outra maquininha fica na feira de verão, nesta consegui alguns saques. Mas o serviço piorou de vez. Também, com o banco lucrando cada vez mais a cada ano, que importância tem o cliente, esta reles figura? O que importa se a gauchada fica toda desassistida em seu veraneio? O que isso influi nos lucros do banco? Pelo jeito....influi em nada! Quando regressar ao lar, escreverei de novo OUTRO EMAIL aos incompetentes do Banrisul. Pode ser que, antes de morrer, eu consiga que eles melhorem o serviço lá em Garopaba no veraneio. Por enquanto, têm sido palavras jogadas ao vento..... Que droga.
Silvano – indignado


21/02/2009

12 fevereiro 2009

Coisa de Gordo - 415

415 – NEGÓCIO DA CHINA
Sempre que querem dar um certo ar de erudição a alguém, dizem que a pessoa é adepta das Palavras Cruzadas. O Barak Obama que o diga. Dentre tudo que se falou sobre ele, uma das coisas que a mim chamou a atenção foi o hábito de fazer Palavras Cruzadas. Sim, o Barak gosta de se entregar ao deleite das Palavras Cruzadas.
Longe de ser um erudito, perdido que ando na minha ignorância, sou fã de Palavras Cruzadas desde jovem. Gosto de brincar com as palavras, descobrir novos significados, averiguar curiosidades e excrescências.
Freqüentemente sou visto dentro de bancas de revistas e, ali, naquele espaço abençoado, uma das coisas que mais compro são esses livrinhos do Coquetel, com Palavras Cruzadas diretas.
Aqui surge uma diferenciação. Será que o Barak gosta de diretas ou indiretas?
Todo o meu hobby se prende às Palavras Diretas. As indiretas acho meio monótonas. Assim, sou cliente milenar dos produtos do Coquetel, preferindo sempre as palavras diretas.
Você que não curte essas coisas nem imagina o quanto de diversão há dentro de um simples Coquetel desses, ao preço de 3,40 ou algo perto disso.
Há o caça-palavras, um prazer que minha avó curtia e que não acho lá essas coisas. Há o Dominox, tanto de letras quanto de números, que consiste em encaixar palavras pelo número de suas letras e pela variedade das mesmas. Há o Criptograma, onde se resolve uma coisa e se chega a outra. Há o Silabox, onde a gente resolve uma série de perguntas e forma uma palavra-chave. Há o Torto, que é aquele conjunto de dezoito letras a partir do qual a gente tem que montar tantas palavras quantas conseguir.
Ufa, deixa, ver...tem o Duplex, onde a gente responde umas coisas e acaba preenchendo um outro diagrama que está do lado. Tem a Sem Diagonal, onde não é dito onde se deve colocar a diagonal da palavra, ou seja, uma dificuldade a mais. Há sempre um Problema de Lógica, que faz a pessoa jogar com algumas variáveis para solucionar o problema.
Tem umas coisas novas que nem eu conhecia, um troço chamado Autodefinida, a Embaralhada, uma palavra-cruzada em que todas as letras já são mostradas, apenas que estão fora de ordem. Parecida com o Dominox, tem uma novidade chamada Gêmeos, que são dois diagramas paralelos. O negócio parece ser bem difícil.
Viu só, por apenas três ou quatro reais, você tem toda essa diversão garantida.
O hábito de fazer Palavras Cruzadas previne o Alzheimer, renova e mantém o bom vocabulário, traz cultura geral, amplia horizontes, e pode, pelo visto, conduzir você á Presidência dos Estados Unidos.
Trata-se de hábito barato, fácil, acessível a todas as faixas etárias e classes sociais.
Sim, o livrinho mais fácil, que é aquele feito para você iniciar o seu filho nesta irmandade é o Picolé. Depois tem outras, caa vez mais difíceis.
Consigo resolver o DIFÍCIL, é verdade, mas para prazer e diversão, prefiro sempre o MÉDIO. É um lazer sem ofensa, sem stress, sem complicação. Já percebi que os jornais que têm Palavras Cruzadas sempre colocam as de nível médio. É para que atinjam mais gente. Como disse no início do texto, neste grande grupo me situo eu.
Um mistério que a mim ocorreu. Será que há palavras DIRETAS mundo afora, ou isso é só aqui no Brasil? Digo isso pois sempre que apareceu isso em filmes, etc, eram palavras indiretas.
Outro mistério que vejo e que justifica o título do texto de hoje. Com toda a tecnologia existente, como é que ninguém lançou um jogo para computador com palavras DIRETAS? Seria um verdadeiro negócio da China. Entrei na página do Coquetel na Internet e nada, só um desfile de produtos. Fui buscar no Google e também não achei. As Indiretas tem bastante. É só querer. Mas como é que ninguém lembrou de digitalizar as DIRETAS?
Me pareceu meio uma reserva de mercado, acho que o Coquetel tem medo de lançar on line e perder as vendas nas bancas.
De qualquer forma está lançado o desafio.
Lance um software com Palavras Cruzadas Diretas e fique rico. Eu serei o primeiro a querer comprar.
Silvano – viciado nas letras


12/02/2009

06 fevereiro 2009

Relato Escrachado

Sou fã e seguidor do blog FEBRICITANTE, minha amiga a autora dele sentou o pau no David Coimbra, o todo queridinho colunista da RBS. Para ilustrar seu ódio sobre ele, ela colocou três links de vídeos dele. Fui ver os vídeos e um é hilário. Não pude deixar de colocar aqui.
Mas não se contente com isso. Depois de rir com as bobagens do David Coimbra, vá ao Febricitante (o link tá ali na minha lista).
Silvano

05 fevereiro 2009

Coisa de Gordo - 414


414 – FILÉ SOTERRADO
Já havia provado e enviado aos leitores locais deste blog uma dica da gastronomia imperdível. Com o passar dos dias, retornamos ao mesmo local e, novamente impressionados com a qualidade, resolvi trazer o relato ao grupo todo que aqui me lê.
Sim, você não virá da Inglaterra para provar. Nem de Portugal. Nem de Jundiaí. Talvez nem mesmo de Porto Alegre. Mas isso não impede o relato. O endereço é aqui mesmo, em Santo Antônio.
O Nelinho tinha um pequeno restaurante onde servia refeições comerciais. E já fazia sucesso. Por uma dessas coisas do destino, pediram-lhe o prédio, ele teve que se mudar. Ousando, edificou um belo prédio na rua Santo Antônio, nº 176. O telefone é (51) 36625198.
Neste novo local o Nelinho continuou a servir almoços comerciais. Com uma qualidade ainda melhor do que antes. Assim, ao meio-dia, a gente pode provar um suculento bufê a quilo, com várias possibilidades. Deliciosas e variadas saladas, com um certo refinamento não tão comum neste ramo. Nas carnes há peixe, gado, frango, churrasco saboroso. Para arrematar, uma sobremesa. Temos ido e conferido.
Não satisfeito com isso o Nelinho, devidamente apoiado pelo Cheff Gabriel, decidiu abrir a casa também de noite. Assim, de quartas a domingos, a cidade conta com mais esta possibilidade gastronômica. Claro que, de noite, a coisa é a la carte. E é aqui que quero chegar.
Com um cardápio variado, mas enxuto, o Nelinho oferece então variedades de Picanhas Grelhadas, Filés, Frangos e Peixes. Aliás, o prato mais caro da casa é o Côngrio ao Molho Nelo. Custa 45,00 e serve bem duas pessoas. Mas esse ainda não provamos.
Provamos o Filé à Parmegiana, sensacional. Custa 24,00 e serve bem duas pessoas.
E por fim degustamos o motivo deste texto de hoje. O FILÉ AO MOLHO NELO. Custa os mesmos 24,00 e serve mais que duas pessoas. Pelo menos foi isso que sentimos.
Vem acompanhado de Arroz. Quando ele chega à mesa, a gente não consegue visualizar o Filé. Onde está a carne? Será que esqueceram? Será que vem num prato separado? Nada disso. O Filé vem ali mesmo, soterrado pelos vegetais.
Esta montanha de vegetais compõe-se de Ervilhas, Cenouras, Aspargos, Palmitos, Brócolis, Alcaparras, Vagens e Cogumelos.
A gente começa a escavar aquela pequena montanha e aos poucos o tesouro vai aparecendo. Comem-se os brócolis, uns cogumelos, e nada dele aparecer. Aí a gente se serve de vagens tenras, alcaparras temperadas, uns palmitos e então ele começa a dar as caras. Sim, amigo(a), o Filé vem soterrado, vem coberto por esses “escombros” todos.
Aí a mistura se mostra perfeita. Tendo preparado o nosso paladar com essa rica variedade de vegetais, eis que ele está apto a saborear a carne que quase que se desmancha. Tendo alertado o nosso estômago sobre o que viria....é chegada a hora.
Imagine você um estômago de gordo recebendo aquelas lautas porções de vegetais. Ué – pensa ele, será que o cara vai começar OUTRA dieta? Mas aí ele percebe que tem muito azeite de oliva, e garfadas de arroz. O estômago começa a estranhar: - Deve estar vindo algo bom por aí. E então o astro da festa aparece.
O Filé é delicioso, suculento, tenro, dizendo enfim a que veio o Cheff Gabriel. Tentamos consumir o prato em duas pessoas e não conseguimos dar cabo. Pedimos “socorro” a um amigo que sentara-se conosco e ele deu uns tapas nos brócolis e palmitos. Mesmo assim não esvaziamos o prato.
Imperdível, saboroso, barato, delicioso!
Eu, desde então, bato cartão-ponto lá e me farto. A você que mora longe, deixo as imagens postadas aqui abaixo. Mas um dia, quem sabe....você vem e prova essa maravilha. O endereço é: Planeta Terra ; Brasil; Rio Grande do Sul; Santo Antônio da Patrulha....e aí pergunta prá qualquer cusco onde fica o Nelinho. Nos vemos lá.
Silvano – o impossível

05/02/2009

Na chegada


Você olha desconfiado, namora o Arroz com o canto do olho. Será que isso aqui é a Salada? Mas eu não pedi Salada. Estranho....

Logo adiante


Após ter removido alguns escombros, você então percebe o Filé ali, soterrado nessa montanha de gostosuras. Olá, Senhor Filé... vamos dar uma palavrinha?

Não acaba nunca...


Você rema, rema, e não consegue dar cabo do negócio...

04 fevereiro 2009

Ah, a testosterona......


O que não se faz por uma transadinha??...
Sai logo daí, cachorro!
O tigrão deve estar por perto!..