04 junho 2009

Sopa de Capeletti



A Rainha de todas as Sopas. Perceba a cor da massa, o jeito insolente do queijo ralado se despejando sobre o caldo, o calor emando do prato....

Calma, calma, use a colher....comer com a boca direto no prato vai assustar as garçonetes..

Descomunal.

Sopa da Vovó



Olhe a textura desse caldo. Não resisti e joguei uns pãezinhos torrados dentro. Sorvi o caldo quente quase que em lágrimas, murmurando..."vovó, minha vovó....essa sopa é luxo só"...

Confira quando for lá.

A Sopa de Feijão



Perceba cor negra do feijão em contraste com os alimentos ao redor. Uma imagem instigante. Você consegue olhar isso por breves segundos para logo a seguir abocanhar o forte sabor.

Imperdível!!..

O cara misterioso




Enquanto jantávamos, eis que vejo numa mesa ao lado esse soturno cidadão. O cara entrou encapuzado, ficou de capuz, comeu sua sopinha com o rosto sempre coberto. Fosse nos EUA teriam chamado o FBI. Como estávamos no Brasil, ele comeu sua sopinha em paz, sem deixar que vissem seu rosto.
Cada um que me aparece.....
Silvano

28 maio 2009

Coisa de Gordo - 430


430 – FRIOZINHO CHEGANDO
Todo ano é isso. Enquanto o resto do país curte o clima mais ameno, a gauchada se preparara para o frio que se avizinha. Sim, há um friozinho chegando. E aí, contrariando todas as orientações de nutricionistas, nutrólogos e dieteiros em geral, o corpo pede calorias.
Você está bem condicionado, estudou tudo sobre rúculas e rabanetes, foi ao Mercado e comprou molhes de temperinho verde, de salsas, virou especialista em quiabo. Tudo visando uma dieta mais balanceada, mais ponderada. Você sabia da chegada do inverno e então planejou tudo antes. Não dava para chegar na primavera gordo de novo! E o que é pior. A cada ano mais gordo! Por isso você fez aqueles cursos sobre verduras oriundas da hidroponia. Dedicou-se ao estudo do rábano silvestre. Calculou as gramas de sal que devem temperar um caldo ralo de cebola e nabo. Tudo vinha bem, você de fato se esforçou. Até que...
Ao sair do banho da noite seu corpo percebeu uma leve queda na temperatura ambiente. Um leve arrepio subiu-lhe as panturrilhas. Sua orelha esquerda ficou mais vermelha. Tudo isso se juntou e por fim seu cérebro foi avisado. Está mais frio!!!!...
Antes mesmo desse estímulo ter atingido sua córtex cerebral, um outro estímulo mais rápido e mais potente dirigiu-se a zonas mais baixas de sua constituição física. Sim, foi ali para uma zona entre seu duodeno e seu diafragma. Ele atingiu em cheio seu estômago e o fez pedir nutrientes. Assim, no exato momento em seu cérebro ficou sabendo – “está frio” – ele recebeu outro aviso – “canjica”. Sim, fazia uns meses que você nem lembrava disso e de uma hora para outra seu estômago o fez lembrar-se de uma tigelinha com canjica morninha. Amarelinha. Pulverizada com canela em pó.
Isso foi só um exemplo. Para outras pessoas a lembrança foi Arroz Doce. Ou Sopa de Capeletti.
E aí toda aquela sua erudição sobre vegetais pouco calóricos começa a ser posta em jogo. Num piscar de olhos aqueles caldos insossos e sem alma que você tanto pesquisou tornaram-se vazios e frios. Seu corpo exige um Feijão bem temperado. Uma macarronada. Um quentão com gemada!
As alfaces e acelgas o espreitam ali da fruteira, enciumadas. Após todas essas semanas, você se rendeu ao primeiro prato de pinhão de que se lembrou.
Sim, amigo(a), o frio chegou. Ponha a caneca no fogo e aproveite. Só não esqueça da canela pulverizada delicadamente. Hummmmm....
Silvano – com frio e louco de fome


JÁ TINHA LIDO ESTE EMAIL...
...e eis que ele reaparece. Trata-se de um guia supostamente escrito por um cardiologista, um tal Dr Ernesto Artur. O título do email é DOZE CONSELHOS PARA VOCÊ TER UM INFARTO FELIZ! Conheço colegas e amigos que segue alguns desses conselhos. Li as dicas e fiquei meio intrigado. Sim, a gente sempre é enquadrado, seja aqui ou ali. Bom, sem mais rodeios, eis os conselhos do Dr Ernesto:
1.Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
2.Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
3.Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
5.Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
6.Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7.Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
8.Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro.
9.Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
10.Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.
11.Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12.E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis. Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.


28/05/2009

27 maio 2009

Saiu no Jornal Daqui!




24 maio 2009

Coisa de Gordo - 429


429 – XIXI NO BANHO
Esses ecologistas tem cada uma. A gente pensa que já viu ou escutou tudo e eles vem com outra novidade. Agora querem que a gente faça xixi no banho. Isso mesmo, xixi no banho.
A lógica é interessante. Se a cada vez que uma pessoa toma banho ela parar para fazer xixi no vaso sanitário antes, aquela água toda da descarga vai ser utilizada. Os caras bolaram o seguinte. A pessoa deve fazer xixi no banho, afinal aquela água já ia ser utilizada mesmo, e assim se economiza água. Olhando essa afirmação por uma ótica apenas pessoal, quase egoística, poderíamos pensar: - Mas que bobagem! Grande diferença vai fazer uma descarga a mais ou a menos.
Aí entra a LÓGICA DO HENFIL; O Henfil era um cara de nossas juventudes, naquele tempo pueril em que imaginávamos que as esquerdas eram portadoras de idéias humanas e legais para a humanidade. Os tempos eram de ditadura e ele era uma espécie de mito. Um cara barbudão (olha o estereótipo aí, gente), calça jeans, bolsa de couro a tiracolo. Era um dos ícones do Pasquim. Anos passados, os Zé Dirceu e os Lulas vieram nos mostrar a verdadeira face das esquerdas. Pois bem. Lá pelas tantas o Henfil resolveu passar uma temporada na China e dessa sua empreitada saiu um livro: - Henfil na China (com o subtítulo – “Antes da Coca-cola”)
Esse livro virou uma coqueluche na juventude daqueles dias e acaba que passamos a entender mais o fenômeno China após a leitura dele. O livro era um relato das coisas, das idéias, das soluções que os chineses davam para as suas coisas. A gente começava a ler aquilo meio descrente e então acabava cedendo a isso que denominei de Lógica do Henfil. Vou exemplificar.
Lá pelas tantas ele contava que todo chinês usava uma roupa cinza padrão. Todo mundo vestido de cinza? Ora, o Henfil logo explicava, pense bem. São UM BILHÃO de chineses. Se quiserem comprar uma roupinha colorida nova para cada um, imagina o custo disso. Sim, esse livro saiu nos anos oitenta e os “china” eram apenas um bilhão de habitantes.
Voltando ao xixi e ao banho. De fato, uma pessoa dar descarga no vaso sanitário a mais ou a menos não vai mudar em nada o destino da natureza, mas se lembrarmos duas coisas talvez mudemos de idéia. Em primeiro lugar, aqueles “um bilhão” de chineses não perderam tempo e nesses vinte anos mandaram ver na atividade sexual, de tal sorte que hoje eles são algo em torno de UM BILHÃO E SEISCENTOS MILHÕES de amarelos. E a outra coisa a lembrar é que não só os chineses que tomam banho (será que tomam mesmo?) e muito menos não são só eles que fazem xixi. A considerar os OITO BILHÕES de urinadores que somos, uns inclusive fazendo isso de hora em hora, quase como se cachorros fossem, dá pata dimensionar a gravidade da situação.
Meu cunhado que é arquiteto ouviu a explicação mas lembrou que o ralo do banheiro não seria, em tese, destinado para isso. Que o sistema de sifão e escoamento do banho leva em conta umas coisas, ao passo que o do vaso sanitário leva em conta outras. Mas insisti com ele que a água do banho acaba diluindo eventuais excreções renais humanas. E ainda comentei que tem gente que faz coisa bem “pior” no banho, principalmente se estiver acompanhado. Ao que ele sacudiu a cabeça e silenciou. Talvez tenha lembrado de algo.
Anyway, a cada um cabe a decisão. Não sou eu que defendo a posição, são os ecologistas. E o que eles pedem? Faça xixi no chuveiro! As faxineiras vão adorar!
Silvano – a serviço do ecossistema


TEM UMAS PALAVRAS....
...que a gente lê uma vez, acha estranhas, nunca mais as usa, até que um dia elas reaparecem. A gente vira uma esquina, abre um olho ao acordar, bate de ombro come elas... Oi, tudo bem, quantos anos!! Uma dessas palavras é UXORICIDA. Sim, já a conhecia, já me defrontara com ela como se fosse ela uma mulher feia, desagradável, bruta. Vinte e cinco anos depois ao me deparar de novo com ela a lembrança veio em cheio. Você talvez não saiba (apesar de ser uma), mas UXOR quer dizer MULHER CASADA, ESPOSA. Viu só, sua uxor! Você era isso e nem sabia!
O sufixo CIDA, CÍDIO alude àquele que mata, ao ato de matar. Portanto, uxoricida é o cara que mata a esposa! Você vê casos e mais casos todos os dias nas páginas policiais e nem imaginava isso, né? Quando quiser xingar alguém, um homem casado, e não tiver mais adjetivos negativos sobre ele, diga...seu, seu, seu...Uxoricida. Pelo menos ele vai ter que chegar em casa e abrir um dicionário.

ALÉM DA BRIGA COM A BRASIL TELECOM..
..agora tenho outro adversário. A BR TURBO. Como citei no texto anterior, a Brasil Telecom vem descontando na minha conta telefônica uma mensalidade desse provedor BR TURBO, do qual NÃO SOU usuário. Pedi que cancelassem, as tais mocinhas do 0800 me instruíram a ligar para o 0800 da BR TURBO, onde as outras mocinhas estariam cancelando a cobrança indevida. Ovelhinha obediente que sou, liguei, expliquei tudo e então.....ela abriu um protocolo! Mandou que eu ligasse uns dias depois. Assim o fiz e a outra mocinha então me disse: - Seu protocolo foi indeferido!
Como assim – disse eu do lado de cá – vou continuar pagando por um serviço que não recebo e vocês não vão fazer nada sobre isso? Pois é SR SILVANO, a situação é essa.
Assim passarei a ser conhecido nos tribunais! Meu advogado tá adorando!!!!


24/05/2009

15 maio 2009

Coisa de Gordo - 428


428 – BRASIL TELECOM
Em texto anterior falei daquela história da unanimidade burra. Hoje trago uma quase unanimidade no intento de tirar de sobre ela o pejo da burrice. Você conhece a BRASIL TELECOM, é claro que conhece. É a detentora do serviço de telefonia fixa de boa parte desse serviço no sul brasileiro. E em outras regiões também.
Eu pessoalmente não conheço ninguém que goste do serviço prestado pela Brasil Telecom. Mas deve haver alguém que aprecie. Não é uma unanimidade, portanto. O que não me impede de ver além. Dentre os usuários dos serviços dessa malfadada empresa, há algumas classes que consigo identificar:
a) NOVATOS: adquiriram o serviço a pouco tempo, não conhecem muito bem a empresa, ainda não precisaram usar o 0800. Portanto não a consideram nem boa nem ruim. Mas afirmam que o telefone está funcionando.
b) CONSCIENTES: são clientes já faz um tempo maior. Já bateram boca uma ou duas vezes com as atendentes do 0800, mas por uma série de fatores, permanecem usuários do serviço. Não mudam de operadora às vezes porque na cidade em que moram não existe tal alternativa. Santo Antônio da Patrulha é assim. Ou se usa a Brasil Telecom ou se acende a fogueira e se manda sinal de fumaça.
c) IRRITADOS: esses já têm se incomodado com o 0800 mais do que algumas vezes. A empresa começa a cobrar um serviço que eles não pediram, coisas como “chamada em espera”, “identificador de chamadas”, e o cliente não consegue cancelar. E nem reaver o valor indevidamente cobrado. Alguns desses já foram à justiça para cobrar providências.
d) ENFURECIDOS: aqui estão aqueles que já mofaram no telefone, tentando solução ao mau atendimento. Ligaram para o 0800 uma, duas, inúmeras vezes, o telefone chega a esquentar em suas orelhas ensandecidas. Mas sucumbem ao “disque 2”, “disque 8”. Quando estão quase resolvendo o problema, ouvem o aviso de que aquilo que eles querem em especial só pode ser feito das 8:00 às 8:05h, se for segunda-feira e se não estiver chovendo. Nesse grupo alguns infartam e morrem, o que parece agradar ao setor de atendimento da empresa. “Um chato a menos” – pensam eles. Nesse grupo, quase todos acabam nas portas dos tribunais. Ficam hipertensos, sofrem de palpitações. Se foram mulheres, passam o tempo todo com dor de cabeça.
Sim, sou mais uma das milhares de vítimas da Brasil Telecom. Meu advogado me contou certa vez que a gritaria é tanta que no Tribunal de Justiça de Porto Alegre os caras puseram um escritório da empresa só para resolver processos. Você chega lá com um processo contra a empresa e aí é orientado a falar direto com os caras para tentar resolver o impasse antes de abrir o processo. Veja a que ponto chegamos. Sou usuário de linha fixa e banda larga. Todo fim de ano eles enlouquecem e ficam me ligando para que eu renove a fidelidade, ou seja, fique com eles por mais um ano. No final de 2008 isso se repetiu e evitei acertos. Estava pensando em sair do pesadelo. Aí, em janeiro, eles me ofereceram uma série de vantagens, descontos, etc.. inclusive me dando “de presente” um celular deles. Neguei, explicando que não queria ter um celular deles e principalmente não queria outra conta de celular. Não SR SILVANO (assim eles me chamam), não vai ter outra conta. O telefone é de presente. O senhor vai continuar pagando apenas UMA conta incluindo tudo (fixo, banda larga, celular) e por um valor bem menor. Aceitei! (com todos os diabos!!)
Desde então têm chegado DUAS contas para eu pagar, uma do fixo e outra do celular, tenho passado noites no 0800 brigando com os atendentes. E para me fazerem infartar, eles deram o toque de perversidade. Começaram a descontar na minha conta vinte reais do provedor BR TURBO. Do qual NÃO SOU ASSINANTE. Mandei eles tirarem isso da conta, mas não foi possível. O SR tem que ligar direto para eles, SR SILVANO. Mas senhorita, eu não sou cliente deles. É, mas por aqui não tenho como estar resolvendo. O SR tem que ligar para eles e assim eles vão estar resolvendo sua situação. Moça – eu ainda tento insistir – eu não tenho situação, EU NÃO SOU CLIENTE Br Turbo!!! Mas de nada adianta.
Como você deve imaginar, me incluo ali, entre os IRRITADOS e os ENFURECIDOS.
Sim, por certo terei que ir aos tribunais. Um amigo meu fez toda essa volta, foi ao juiz, os caras reconheceram o erro, devolveram o dinheiro e foram embora. No mês seguinte começaram a cobrar indevidamente de novo!!!
Não, não tenho saudades do tempo das estatais (CRT, etc). Para se ter um telefone fixo a espera era de cinco anos. Mas cair na mão dessa gente incompetente...é de lascar.
Silvano – o impossível

15/05/2009

X-MAN ORIGENS – WOLVERINE

Dessa vez me dignei a entrar num cinema para ver essa estréia. Para quem acompanha a série X-MAN este filme veio acrescentar. Filme bem feito, belo, atraente, instigante. E que se propõe a explicar a origem do personagem principal da série, o Wolverine.
Tudo começa no passado distante, lá pelos idos de 1800 e poucos, numa cena familiar. Um casamento abalado, uma ruptura, uma descoberta e então aquele menininho se enfurece e de suas mãos saem pequenas garras ósseas.
Surpresa inicial! Mas peraí, as garras do Wolverine não são de osso, são de aço. Os caras erraram. Aí, ao longo do filme, eles vão alinhavando perfeitamente a trama, fazendo com que tudo se encaixe no final. A fotografia é belíssima, nem parece um filme desse gênero.
Há, logo no início todo um resumo histórico das guerras americanas, tem que ver, o troço é uma verdadeira aula de história.
A crítica da VEJA também elogia o filme, atribuindo o resultado ao ator Hugh Jackman. Pode ser, pode ser, mas o roteiro é muito bem escrito. Para os fãs, da série, o filme é imperdível. Para os curiosos, uma atração obrigatória.
Nota 9,0!
Silvano – qual será o meu poder?



08 maio 2009

Coisa de Gordo - 427


427 – SECA? AQUI?
Criados que fomos em terras brasileiras, todos nós nos acostumamos a ouvir falar da seca do Nordeste. Lembro de ir a shows do Belchior e lá pelas tantas ele falar disso. Os músicos davam uma paradinha para descansar e ele sentava num banquinho e fazia um monólogo meloso, quase em lágrimas, suplicando a nós, o resto do Brasil, que ajudássemos o Nordeste a sair daquela situação.
Passadas umas décadas, olho para trás e me lembro de todos os nordestinos que andaram pelo poder e o que eles fizeram e ainda fazem à nação. Numa rápida avaliação consigo listar o Collor, o Sarney, a filha do Sarney o filho do Sarney, o Severino Cavalcanti, o José Genuíno e sim, o Lula, que alguns esquecem que é nordestino. Aí lembro do Belchior sentado no banquinho, emocionado, pedindo que ajudássemos o Nordeste... Belchior, vai prô raio que o parta! Os teus conterrâneos mamaram e mamam nas tetas da nação e a seca persiste por lá.
Calma, não estou agredindo o bigodudo cantor. Ainda sou fã do Belchior e tenho os discos dele. Estava apenas comentando aquele pequeno monólogo. O cara é um mito da música. E sou fã de carteirinha.
Pois bem, eis que o estado do Rio Grande do Sul começou a sofrer do mesmo mal. Faz já uns sete ou oito anos que o município de Bagé vem sofrendo com a estiagem, enfrentando a tal seca ano após ano. Os noticiários dão os dados atualizados, ao longo desse ano todo a gente vem olhando complacentemente para o lado sul da fronteira gaúcha, esperando que chova.
Falava-se numa tal de “indústria da seca” lá no Nordeste. Pelo jeito, o mesmo vai se institucionalizar aqui no sul. Por que? Porque não se vê uma iniciativa para debelar tal situação.
Certo, certo, antes que alguém pule em defesa dos governos alegando que estão abrindo açudes e cisternas, rebato dizendo que isso é só maquiagem.
Engraçado. Tem umas tais “verdades” que a gente lê e que agora começo a duvidar. Quando o assunto é água, sempre se diz que um quinto da água doce potável do planeta está no Brasil. Será? O troço tá esquentando por aqui.
Outra possível balela. Debaixo dos estados da região sul tem um troço chamado “Aqüífero Guarani” que é a maior coleção de água das Américas. Será?
Gente de Deus! O governo tem tecnologia para extrair petróleo numa profundidade de dois quilômetros abaixo do fundo do mar!! Petróleo não dá em nuvem! Não chove petróleo. E os caras o buscam lá no quinto dos infernos, para nosso uso e prazer.
Por que não se busca água nas profundezas? E perceba que para pegar água em subsolo bastam cinqüenta ou cem metros de profundidade, é rasinho! Aí vejo matéria na TV local (aqui do Rio Grande do Sul), com os jornalistas mostrando os estragos da seca, as lavouras torradas, o gado magro, e invariavelmente a matéria acaba com uma frase: - Vamos rezar para que São Pedro mande água!
Que São Pedro! Que vamos rezar! Vamos buscar essa água logo. É inconcebível que um município outrora pujante como Bagé esteja em seca faz oito anos! Nos dias de hoje, na era da tecnologia, das informações meteorológicas, da internet, das obras grandiosas, uma cidade permanecer em seca, esperando pela ajuda de São Pedro, é no mínimo ridículo!
Essa passividade já havia lá no Nordeste. A gente via os caras na miséria geração após geração, sendo deixados para morrer pelos poderosos locais. E nós aqui no sul? Não temos Sarneys e Roseanas. Não temos Barbalhos e Genuínos. Por que então ainda temos seca?
Lembro que até aquela anta do Ciro Gomes fez um aqueduto que levou água por trezentos quiloômetros de uma região para outra. Até o Ciro Gomes já fez isso, há uns dez anos atrás! O que que há com a gauchada?
Incompetência. Pura incompetência!
Seca aqui? Conta outra!
Começa a cavar (perfurar) que logo, logo a água aparece. Esperar pelo São Pedro?....conta outra.
Silvano – ressecado


08/05/2009

02 maio 2009

Coisa de Gordo - 426



426 – STAND UP
Há um tipo de humor que os americanos cultuam faz tempo e que nós, meros brasileiros, recentemente passamos a valorizar. Quem assiste ao seriado SEINFELD sabe do que eu vou falar. É aquele humor que os ianques chamam de “stand up” ou seja, um cara em pé, falando para a platéia.
Sou de um tempo que conheceu toda uma geração de comediantes e humoristas que ainda tentaram fazer esse tipo de humor. Mas não na grande mídia. Assim, havia todo um time formado por Agildo Ribeiro, Chico Anísio, Jô Soares, Renato Corte Real, Golias, Juca Chaves e outros. Esses caras tinham seus programas de humor nas emissoras de TV, sem fazer ali o modelo do stand up. Tal modalidade de comédia eles guardavam para suas apresentações pessoais, Brasil afora. Você, então, assistia o Chico Anísio com seus mais de duzentos personagens, mas só podia vê-lo fazendo a tal comédia de um homem só, em pé, num eventual show dele em teatro.
Talvez por isso esse gênero não tenha prosperado por aqui. Até um certo tempo.
Com iniciativas pessoais, aqui e ali, esse tipo de arte cênica vem se firmando diante de um público cada vez maior. Alguns grupos começaram a se organizar em turnês, apresentando esquetes, cenas do cotidiano, coisas inusitadas. Fomos assistir à trupe do Terça Insana, esses tempos, e nos deliciamos com o grupo da Greice Gianucas. Outros tantos pipocam por aí.
Tem um cara que é até gaúcho, o Rafinha Bastos. Já tinha visto ele na internet e agora o cara ocupou espaços.
O que sempre me intrigou é algo que ainda não entendo. Por que a grande mídia não abre espaço para essa arte? Será que é coisa de americano? Os raros casos em que apenas roçaram nisso foi para personagens ou imitações. Assim, na Escolinha do Professor Raimundo o André Damasceno interpretava o “Magro do Bonfa”, mas não podia ir além disso. Outros ficavam nas imitações, mas não faziam stand up. Aquele cara que faz o imperdível Joseph Cliver no esquete montado pelo grupo OS MELHORES DO MUNDO está completamente perdido e subaproveitado dentro do Zorra Total. Que é um programa de TV completamente detestável. Mas que a Globo mantém a pau e corda. Ou seja, no Zorra ele tem um personagem grotesco, nada que se aproxime da genialidade de todos os outras performances dele. Além do Joseph Cliver tem o “HERMANOTEU NA TERRA DE GODAH”.
Pois a Globo que se cuide. Existe um troço chamado YOU TUBE que divulga isso e muito mais. Assim, acessando o You Tube, você digita o nome de uma pessoa, ou de um grupo e lá aparece na hora todo tipo de show. E bastante stand up!
O que se vai fazer? Buscar fora o que não se tem dentro!
Desligue um pouco a TV convencional, conecte-se à internet e garanta uma agradável noite de risos e gargalhadas (como diria a chamada dos Três Patetas). Para tanto apenas acesse o You Tube e o resto os artistas farão. Deixo aqui abaixo algumas sugestões de links citados no texto. E como degustação um esquete de nome SANTA CEIA, executado pelo grupo OS BARBIXAS, ali na tela abaixo.
Silvano – o impossível


02/05/2009


Rafinha Bastos sobre trânsito e bebida de álcool:
http://www.youtube.com/watch?v=ByAVZp2muzU&feature=PlayList&p=4BF8AD01D92F3EFA&index=0&playnext=1

Hermanoteu na Terra de Godah:
http://www.youtube.com/watch?v=mDVGq69QHfY

Santa Ceia (Os Barbichas)

01 maio 2009

Para cinéfilos, dica de leitora

CINÉFILOS, APROVEITEM !!!
Sabe aquele filme que você gostou muito, mas cujo título você nem lembra, nem dos nomes dos atores, atrizes??..Seus problemas acabaram. Tudo o que você quiser saber (ou lembrar) sobre filmes estrangeiros em 65 anos de cinema está catalogado e está ao seu alcance. Tem a Ficha completa de cada filme. Antes de pegar filmes na locadora consulte este site feito por uma pessoa detalhista, cinéfilo há 65 anos. Um trabalho de alta qualidade. Clique no endereço abaixo e comprove:

http://www.65anosdecinema.pro.br/index.htm

Leitoras mandam coisas



ENVIADO POR MIRIAN
“Agora você pode transar com outras pessoas e manter seu casamento. Isso não é mais traição. É portabilidade.”


ENVIADO POR CÁSSIA
Olá. Acabei de ler "A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafon. É uma novela policial, leve, pra descansar a cabeça depois de uma semana de bastante trabalho. O livro é bem envolvente, o autor consegue manter a história interessante do começo ao fim. Vale a pena. Abraços.

25 abril 2009

Faço minhas as suas palavras...

23 abril 2009

Coisa de Gordo - 425


425 – UNANIMIDADE BURRA
Se tem um cara que era genial e que, na criação, era uma cabeça à frente do seu tempo, esse cara era o Nelson Rodrigues. E uma das frases clássicas dele é esta aludida aqui no título. Preconizava o Nelson: - “Toda unanimidade é burra!”
Na primeira vez em que li a frase achei-a meio escrachada, pensei logo: - O Nelson tá zoando com a minha cara! Não estava, não! Com o passar dos anos, a cada vez que me defrontava com a tal frase percebia que ela era pedra dura, era rocha, não tinha vindo para ser fugaz. Era uma afirmação que vinha para permanecer.
Assim, a cada vez que eu escutava alguém comentando uma eleição e dizendo que um certo fulano tinha sido eleito por unanimidade, eu dava de ombros e lembrava do Nelson Rodrigues. A cada vez que uma pesquisa de opinião era realizada, sei lá, entre os colegas de escritório, e TODOS escolhiam o Nogueira como o colega do ano, lá me vinha o Nelson Rodrigues de novo. Peraí, comecei a filosofar, isso não tem como ser assim, alguém deve ter alguma coisa, uma reles coisinha contra o Nogueira. Como pode ele ter sido eleito por unanimidade? Conclusão óbvia: - Que gente burra!
Chegando aonde quero chegar. Sendo ouvinte assíduo de rádio, cedo da madrugada já estou conectado nas antenas da comunicação. Por uma série de pequenos fatores, a rádio que escuto nesse horário mais cedo é a RÁDIO GAÚCHA , de Porto Alegre. O programa se chama Gaúcha Hoje, é ancorado pelo Antônio Carlos Macedo e o Daniel Scola. É um belo programa, recheado de notícias, informações, manchetes de jornais, opiniões de pessoas bem variadas. Manhã adentro, quando posso ouvir rádio, vario um pouco entre rádios locais aqui de Santo Antônio e outras emissoras de Porto Alegre.
Mas quero me ater à Rádio Gaúcha.
Em que pese eles tenham uma verdadeira constelação de atrações, radialistas dos mais variados naipes, é uma e duas e entra o tema FUTEBOL! Os caras falam muito em futebol. Senão vejamos. Neste programa matinal do acordar, nas chamadas de notícias eles dão placar dos jogos da noite anterior. Lá pelas sete e pouco entra o comentário do Silvio Benfica sobre....futebol. Mais um pouquinho e vem o dinossauro Paulo Sant'anna falando de temas variados, mas muitas vezes em...futebol. Perto das oito vem o Túlio Milmann com temas variados, que freqüentemente abordam....futebol. A partir daí, ao longo da manhã, todos os programas abrem parêntesis para...futebol. Aí o indivíduo sai do trabalho, tem que ir almoçar, pegar os filhos na escola, sei lá e então o que eles servem ao meio-dia? Um programa chamado Esportes ao Meio-Dia, onde se fala só de...futebol. À uma da tarde, começa o clássico Sala de Redação, cujo tema central é...futebol.
A tarde repete a ladainha da manhã, com todos os programas sendo invadidos por informes de futebol. Aí naquela hora crucial das seis da tarde quando você vai pegar o trânsito de volta para casa, eles oferecem um programa chamado Hoje nos Esportes que fala.....sim...sim...só de futebol. Às oito da noite, então o Pedro Ernesto De Nardin começa o Show dos Esportes, que definitivamente só fala de futebol. Resumidamente, essa é a grade da Rádio Gaúcha, isso em dias que não tem jogo de futebol. Nos fins-de-semana há outras atrações futebolísticas (No mundo da bola, Falcão na Gaúcha, etc..). Tudo, sempre sobre futebol.
Um parêntesis absolutamente necessário aqui. Sou colorado, GOSTO DE FUTEBOL, já fui sócio do Internacional na campanha em que fomos Campeões Brasileiros Invictos, nos idos de 1979. Já fui muito a jogo no Beira-Rio e em outros estádios. Torço pela seleção, meu guri me ensinou a assistir eventualmente os torneios da Europa, enfim, gosto da coisa. Mas não cabem os excessos. Há momentos para ver e falar de futebol. Mas não o dia todo!
Você não deve ter entendido nada até aqui. Como relacionar Nelson Rodrigues com isso aqui comentado? O que isso tem a ver com aquilo. Explico-me.
A cada vez que o Ibope faz levantamentos de audiência, os níveis alcançados pela Gaúcha estão mais altos! O programa matinal do Macedo e do Scola, anda batendo nos 75 a 80% de audiência. Já vi estatísticas de outros horários e a tendência é a mesma. Ou seja, vai me responder o dono da Gaúcha, fica quieto, Silvano, que quanto mais a gente fala de futebol, maior fica a nossa audiência. As outras rádios já perceberam isso e estão igualmente contaminando suas grades de programação com futebol. Que pena.
Uma noite, não tendo mais o que falar de futebol, escutei o Luciano Périco da Gaúcha entrevistar o motorista do ônibus que levaria o Inter para um jogo na serra. Ato contínuo, ele entrevistou o próprio ônibus, pois pediu ao motorista que acionasse a buzina do ônibus e transmitiu aquele som pelas ondas do rádio, pela internet, pela Sky. Sim, o cara entrevistou o ônibus do Inter. Meu cérebro derreteu e desliguei o rádio.
Ou seja, caro leitor, os caras estão banalizando a programação e estão conquistando todos, aproximando-se da tão temida unanimidade! O que mostra que a gauchada talvez seja burra! Além de estarem todos se conectando na mesma rádio, o fazem por causa de....futebol. Que pena.
Por favor, senhores radialistas, parem de tanto falar em futebol. Pode ser que a audiência caia um pouquinho, mas a cultura desse povinho vai agradecer. Entrevistar um ônibus...meu Deus do céu!
Silvano – o impossível


Do livro CONTOS E APÓLOGOS
“Prezado amigo, à maneira dos velhos peregrinos que jornadeiam sem repouso,busco-te os ouvidos pelas portas do coração. Senta-te aqui por um minuto...”
A partir de hoje, esta frase passará a ilustrar a margem de abertura deste blog. Fui flechado por ela, atingido, seduzido, sensibilizado. E carinhosamente decidi compartilhá-la com você.


23/04/2009

16 abril 2009

Coisa de Gordo - 424


424 – AINDA GRAMADO
Falávamos em Gramado. Lá estando, a gente se entrega a alguns prazeres que citei no texto anterior, coisas como chocolates, Sopas de Capeletti e outras iguarias. Mas citei também algo que se faz nessas pequenas cidades. Se brinca de morador.
Para compensar as noitadas calóricas, formamos um pequeno grupo de caminhadas matinais. Sim, era necessário gastar um pouco do que fora estocado.
Devo aqui fazer justiça a uma dupla de amigos. Anos atrás, hospedados na Estalagem St. Hubertus, nas imediações do Lago Negro, os amigos Rogério e Cristiane nos ciceronearam neste esporte, a caminhada em Gramado. Para um gordo isso soou estranho, naquela época. Como assim? A gente vem a Gramado para descansar, comer, passear.... mas caminhar? Ao que a Cristiane insistiu e nos levou a caminhar. Provamos desse fruto e gostamos.
Voltemos ao ano de 2009. No alvorecer dos lindos dias de Páscoa lá vividos, nos fardávamos de tênis, short e acessórios e íamos então caminhar pelas ruas de Gramado.
Por certo que se somavam fatores lúdicos. Uma cidade em princípio desconhecida, ou melhor que isso, uma cidade que não nos conhecia, onde éramos estranhos. O ar agradável da montanha. O silêncio das alamedas. As casas lindamente enjardinadas. Os bosques nos pátios. As araucárias. Os anões de jardim. A impressionante limpeza das ruas. O descompromisso, a conversa agradável. Enfim, tudo eram fatores que se somavam e nos embalavam naquelas deliciosas caminhadas matinais.
Aí a gente percebe que dá para ser feliz. Ou dizendo melhor. Percebe-se que basta organizar as horas dos dias e semanas, acomodando na correria das semanas e quinzenas um espacinho para caminhar, respirar um ar mais limpo. Brincar de ser saudável, por que não?
Sentindo aquele ambiente tão acolhedor, tão mágico, esse das horas silenciosas da manhã, estive a filosofar. Imagino que espécie de aura espiritual envolve uma cidade como Gramado. Imagino a espécie de Espíritos que por ali gravitam, proporcionando a nós, meros mortais, uma sensação tão grande de prazer e calma. Uma quase que paz de espírito.
Contrário a isso, lembrei de outras cidades mais litorâneas, mais quentes mais lascivas. Lembrei também das ruas sujas e do povo que para lá migra em veraneios. E igualmente imaginei uma aura espiritual, só que bem mais pesada.
Será que isso é mesmo assim? Locais mais frios, mais arejados, mais altos, seriam lar de Espíritos serenos e elevados? Ao passo que locais mais quentes, mundanos, promíscuos dariam guarda a Espíritos mais baixos, agitados? Fica a pergunta no ar. Óbvio é que não se pode generalizar, mas sentindo aquela paz toda foi o que me ocorreu.
O ar frio invadiam meus pulmões sedentários, vez que outra eu ofegava, a poeira no tênis (parado no guarda-roupas fazia um tempo) também pesava. Mas nada nos detinha, havidos que ficávamos de dobrar mais uma esquina, vislumbrar uma casa enfeitada, um chalé misterioso e continuar a passear.
Na sua próxima ida a Gramado, reserve um tempo para isso. Acorde um pouquinho mais cedo. Curta mais essa delícia da serra. Abra seus olhos, suas narinas, seus poros para perceber enfim que lá, nos altos daquelas montanhas, existe bem mais que chocolate, vinho e fondue. Há paz, e mais paz, e muita paz.
Roubando (e modificando) os versos cantados pelo ROUPA NOVA na música CRISTINA, diria:
O dia invade meu quarto, nem percebi
Que as horas que passamos foram segundos.
Mil motivos prá te amar, Gramado!!..
Silvano – o impossível

16/04/2009

Vergonha Gaúcha


Nesses sucessivos escândalos que o Senado Federal nos proporciona, ficamos sabendo que aquela nobre casa possui mais de DEZ MIL funcionários com salários altíssimos, para atenderem apenas OITENTA E UM senadores! Dá mais de cem por senador! Aí foram perguntar ao Pedro Simon (senador bagual) o que ele achava disso. Ele fez cara de surpresa, (mais de dez mil ???!!) e por fim confessou que eles votavam os projetos sem saber do que se tratava! Sim, ele desconhecia que tinha votado na aprovação de tantos cargos. VERGONHOSO! E incluo nesse constrangimento os outros dois senadores gaúchos, o PAULO PAIM e o SERGIO ZAMBIASI. No mínimo, foram omissos. E o pior é que não moveram uma palha para mudar o descalabro! Verdadeira vergonha gaúcha! Os outros estados que cuidem de seus Sarneys e Salvattis. A nós, dos pampas, resta puxar a rédea dessas três antas que lá estão se refestelando. Com o nosso dinheiro.
Silvano - indignado

09 abril 2009

Coisa de Gordo - 423


423 – GRAMADO
Se você olhar a cidade de Gramado com olhos de urbanidade, verá apenas uma pequena cidade do interior do Brasil. Nada mais que isso. Se viesse um habitante de Marte e ali aterrissasse, pedindo informações, diríamos se tratar de um pequeno aglomerado urbano, algo em torno de quarenta mil habitantes, situada entre no alto da serra gaúcha. O marciano daria uma olhada, faria umas anotações, entraria na sua nave e iria embora.
Gramado era uma cidade como outra qualquer, até que um dia, um prefeito captou no ar uma predestinação daquela comunidade, liderando o nascer de uma pequena metrópole turística. Baseado na cultura alemã, arrumou, pintou, emperiquitou, perfumou a tal cidadezinha e começou a espalhar por aí que ali se passava bem. Descansava-se. Faziam-se as mais belas fotos. E se comia o melhor chocolate.
Passadas umas poucas décadas, Gramado é destaque nacional em Turismo, a paulistada toda desce o país em busca de conhecer Gramado.
O que se faz em Gramado? Ora, come-se e bebe-se do melhor. Isso já se sabe. E aí a gente anda um pouquinho mais e vai até Canela, cidade vizinha que também já acordou para a riqueza da indústria do turismo. E tem Nova Petrópolis, São Chico, e outras cidades ao redor, todas sequiosas de beberem dessa fonte.
Mas o que mais se faz em Gramado? Bem, a gente pode caminhar despreocupadamente pela avenida central, parar na calçada para abraçar um amigo, rir das bobagens da semana, comer uma barrinha de chocolate na Lugano. Dar uma volta pelo Lago Negro, andar de bicicleta, e outras coisas mais.
Ora, o que há de tão maravilhoso nisso, andar de bicicleta e encontrar amigos na calçada em frente à praça? Você que mora em cidade pequena, como eu, talvez não perceba. Mas os milhares de habitantes das metrópoles pagam mundos e fundos para poderem fazer, em cidades pequenas bem estruturadas, aquilo que eles não podem fazer na sua grande cidade. Coisas como pedalar até ali, despreocupadamente, buscar o pão na padaria da esquina, coisas assim.
Percebi tal ritual humano ainda em Garopaba, ao sentar olhos na leveza do coração com que os turistas faziam essas pequenas coisas. E aí me dei conta de que é isso que se vai fazer também nas praias. Brincar de cidade segura. Brincar de ser vizinho dos outros. De jogar vôlei com a turma da rua. Caminhar até a esquina e voltar, só pelo prazer de ver os jardins.
Pois bem, Gramado se permite a tal papel. Ora – dirá você – mas então qualquer cidade pequena pode fazer igual. Nã, nã, nã....aí entram os diferenciais. Os caras decidiram fazer uma cidade legal. E fazem isso a cada dia. E cada vez melhor.
A cada vez que se vem a Gramado as coisas estão melhores. As ruas mais arrumadas. Os canteiros mais floridos. As estradas mais sinalizadas. Então quem sobe até ali sabe que vai passar bem. Muito bem.
A oferta de restaurantes é imensa, os passeios são diversificados, isso todos sabem. E o frio?
Em pleno inverno, a cada vez que a imprensa noticia neve a gauchada toda entra em seus carros e sobe a serra para “pegar neve em Gramado”. Aí a gente cancela compromissos, bota as crianças no banco de trás, puxa a mulher e se toca prá Gramado. Lá chegando...às vezes até que se vê um floquinho de neve,ou dois. Aí se bebe um chocolate quente e caro, e mais tarde se desce pela estrada em direção ao lar, feliz pela tentativa.
Essa é a magia dessas cidades iluminadas. Despertarem em nossas imaginações esses sonhos tão fugazes e improváveis. Mas que nos fazem felizes. Para quem vem da metrópole, “brincar de cidade pequena”. Para quem vem do interior, brincar de cidade limpa e organizada. Cidade com mil possibilidades de consumo. Que as nossas pequenas cidades não têm.
Por isso voltamos a Gramado. De novo. E ainda mais outra vez. Amanhã é sexta-santa? Dia de jejuar? De recolhimento? De moderação? Ah, não..peraí...a gente se mata a semana toda, o mês todo, só para poder dar uma fugidinha aqui e abocanhar toda essa doçura. Não só dos fondues.Não só dos chocolates.Não só do ar contagiante. O que se quer é abocanhar o sonho de se viver em Gramado. Nem que seja só por uns dias.
Feriado santo? Bobagem. Me dá um pacote de chocolate branco que quero passear por ali, sem pensar em mais nada.
Feliz Páscoa.
Silvano – impossível...profano...e adocidado

08/04/2009

03 abril 2009

Coisa de Gordo - 422


422 – BIOGRAFIA
Por uma dessas coisas inusitadas da vida, foi-me pedida uma biografia. Calma, já explico. Em parceria com um amigo meu de Espiritismo, estamos alinhavando a publicação de um livro. Na esteira desse processo (cacoete meu de linguagem a tal da esteira e o tal do processo), a gente tem que ver um monte de coisinhas, detalhes que vão surgindo aqui e ali. Uma dessas coisas é a orelha do livro.
A orelha do livro é aquele apêndice, aquela sobra de papel que você vai usar como marcador de página. É um espaço curto, exíguo, e ainda por cima com uma pequena foto.
E aí começou minha agonia. Uma foto e uma biografia. Minhas!
Não gosto de ser fotografado, não fico bem em fotos, e tal se dá por motivos óbvios. A gente não gosta de expor os excessos, o que sobra. Então é melhor que não se vejam certas coisas. Mas a tal orelha do suposto livro faz jus a uma foto. Então tive que desencavar, buscar, desenterrar uma foto e já enviei à diagramadora.
Restou a biografia. Imagine você fazer uma autobiografia. Num curto espaço, são apenas seis ou oito linhas dum A4 no Word. Nada mais. Você tem que ser sucinto, claro e objetivo.
Passei a perder o sono com isso. O que colocar na tal biografia? E o que omitir?
O que foram fatos determinantes para que eu chegasse ali, na orelha de um livro? O que poderia interessar ao público leitor?
Sendo um livro com viés espírita, algumas coisas dessa caminhada teriam que ser relacionadas.
Uma coisa me pareceu clara. Uma vida resumida num espaço tão pequeno vai ser apenas um espectro, um reflexo, uma pequena ilusão do que foi na verdade uma vida. E também há que se considerar outra coisa. Os editores imaginavam que isso iria acontecer e para evitar que o autor escrevesse outro livro com a sua biografia determinaram esse limite de espaço. Uma orelha!
E tem mais. Que grandes coisas aconteceram na minha vida que valessem a pena ser contadas e impressas? Muito poucas, muito poucas. Na verdade trata-se, caro(a) leitor(a), de uma vidinha comum, normal, destituída de grandes arroubos e tempestades. Os fatos por mim vividos só a mim impressionam e, por certo, seriam enfadonhos aos olhos de um público maior.
O que colocar na biografia? – meu Deus que agonia (até rimou).
Acabei pedindo ajuda a minha Mãe que então redigiu uma sucinta biografia. No material que enviei para a orelha tive que suprimir certas coisas que só mãe vê e colocar umas que ela não tinha como saber.
Fiquei então imaginando que, na verdade, cada pessoa possui VÁRIAS biografias. Tudo depende do público que vai ler. Se se vai escrever para fiéis católicos, a gente só vai falar de missas e hóstias. Passando de leve pelas lembranças do colégio de freiras, as irmãs bondosas, as irmãs cruéis e as irmãs gostosas (não lembro de nenhuma assim).
Se o público alvo é de futebol, as narrativas vão girar em torno de campeonatos, taças, pênaltis não marcados, Copas do Mundo e coisas de vestiário.
Se o alvo forem advogados, o texto fluirá por entre mandados e petições, recursos e alvarás. Não esquecendo de juízes e promotores.
Assim, ouso ensaiar uma biografia para os leitores do COISA DE GORDO: nascido no interior gaúcho, em meio às coxilhas do Pampa e às mantas de charque de ovelha, o pequeno Silvano (será que era?) logo disse a que veio. Mamava insistentemente dia e noite. Nos meses seguintes degustou de tudo que lhe ofereceram, chegando ao extremo de ser arrancado à força da cozinha, com os dentes recém surgidos cravados numa lingüiça temperada. Nos anos tenros de sua infância foi apresentado àquele que seria seu companheiro de caminhada, seu peito amigo, sua “cachaça”, sim ele conheceu o LEITE CONDENSADO. Na juventude descobriu novos sabores, momento em que adquiriu um vício eterno: - comer limão com sal. Passa os dias entre receitas de culinária e temperos. Fã incondicional de Coca-Light, permite-se degustar outras bebidas mas sempre volta à fonte. Para a população mundial, um exemplo de desperdício. Para os psiquiatras, um caso perdido. Para os amigos, o impossível. Impossível de agüentar, impossível de convidar, impossível de conviver.
É, talvez seja isso. Há certas fantasias e pequenos exageros no texto aí de cima. Mas há muito de verdade. Descubra por você mesmo o que é um e o que é outro.
Silvano – imbiografável


BIOGRAFIA
O que colocar numa biografia?
Meu Deus,é difícil, que agonia...
Falo das frestas, das festas enfim
Das coisas do dia. O bom e o ruim.

Conto a infância, o nascer e o crescer,
As idéias, as gafes, a minha impaciência.
Os amores sofridos de quase morrer,
Os fatos vividos na adolescência.

Destilarei sem temor minhas raivas e iras
Meus ódios e mágoas e todos meus medos.
Uma a uma...virão as mentiras
Mazelas antigas e os torpes segredos.

Como falar de uma pessoa assim?
Sem escorregar nos extremos cruéis?
É muito difícil falar sobre mim.
O que são os dedos e o que são anéis?

Diante da dúvida peço uma ajuda
Por não conseguir descrever-me a ti.
E roubo as palavras de Pablo Neruda
Dizendo então: - Confesso que vivi!


03/04/2009