17 outubro 2008

Coisa de Gordo - 398


398 – O ESPORTE BRETÃO
Eu acho uma graça disso tudo...
O Campeonato Brasileiro de Futebol foi sacudido esta semana por uma aparente patifaria feita pelo Tribunal de Justiça Desportiva contra o time do Grêmio. Alguns jogadores gremistas foram a julgamento e acabaram sendo cruelmente punidos, um ato que gerou uma onda de indignação geral.
Os gremistas da imprensa local enlouqueceram em lágrimas e berros, até mesmo os colorados da mídia reconheceram que as punições foram excessivas. Segundo a teoria da conspiração haveria toda uma conjunção de esforços para fazer do Palmeiras o time campeão deste ano. Muito bem.
Até aí nada de novo!
Amigo(a), isso é o futebol. Certa feita discutia (amavelmente) com meu amigo Totonho alegando que o futebol é um esporte louco onde o vencedor nem sempre é o melhor, que havia muita injustiça, que era uma coisa muito louca. O Totonho que é um cara mais jovem, mas mais sábio do que eu, explicou-me pacientemente que esta era a magia do futebol. A imprevisibilidade. E que por isso atraía multidões. Ora, como conceber que o INTER, o meu time, entre em campo contra o Barcelona do Ronaldinho e ganhe o Campeonato Mundial? Isso é o futebol! Num detalhe, num lance extemporâneo, decide-se todo um torneio. E às vezes o melhor time fica com a prata. Lembro sempre das finais da NBA, o basquete americano, onde são realizados SETE jogos entre os dois melhores times da competição. Bom, o time que sair vencedor é incontestavelmente o melhor! Ora...são sete jogos!
Convencido que fui pelo Totonho, passei a ver o Futebol com esses olhos, os olhos da imprevisibilidade. E de fato ele se presta bem a isso. É uma verdadeira loteria. Entre outras coisas mais.
O futebol, no meu tosco modo de entender, é o esporte da truculência, da malandragem, da cafajestada, do carteiraço, dos arranjos e conchavos. Senão, vejamos...
Em que outro esporte existe a catimba? O goleiro e os jogadores ficam enrolando para que o tempo passe e acabe logo, sem o menor controle. E os argentinos se jogam na pista atlética. E os chilenos simulam foguetaço. Amigo(a), faz o futebol ser jogado com cronômetro parado e isso acabaria! Dois tempos de vinte e três minutos (que é o tempo médio jogado em cada metade de partida)! A bola parou? O relógio pára junto. Nunca mais haveria a catimba. Alguém lembra de colocar isso em prática? Não.
Em que outro esporte vicejam pessoas do quilate do Eurico Miranda? Do Nabi Abi Chedid? Do João Havelange? Gente como o Ricardo Teixeira? Talvez só dentro dos presídios! Trata-se de gente da pior espécie, mafiosos engravatados. Usurpadores.
Em que outro esporte o herói nacional é o Romário? Ou o Edmundo”assassino” Animal? Ou o Renato Portalupi? Ou o Éder? Semana passada morreu o protagonista da cena mais violenta do esporte mundial, o Chicão. Num jogo ele deu um “coice” na perna do adversário, causando fratura. O agredido foi saindo de campo de quatro, se arrastando, aí vem o Chicão e pisa na perna fraturada do cara!! O que aconteceu ao Chicão? Nada! Isso é o futebol! Ironicamente, anos depois, os dois acabaram jogando no mesmo time.
Em que outro esporte é proibido usar câmeras de TV, computadores, tecnologia, enfim, para dirimir dúvidas? Para os donos do futebol, não importa se a bola não entrou, importa é que o juiz deu gol! Dá para levar a sério?
Nesses últimos dias escutei nas rádios locais a choradeira dos gremistas sobre a barbárie cometida pelo tribunal. Engraçado. Quando o Cacalo era presidente do Grêmio e invadia campo para intimidar o juiz, isso era folclore, não era injustiça. Na famosa Batalha dos Aflitos, quando os jogadores do Grêmio impediram que se cobrasse uma penalidade, destruindo a marcação no campo, destratando o juiz, bagunçando o jogo, isso foi encarado como “folclórico”. Depois fizeram até um DVD sobre isso. Aí não falaram em injustiça. Não vieram chorar nos microfones das rádios. É disso que falo. O futebol é o esporte da truculência, da armação. Onde o Maradona faz gol de mão e vira mito. Onde o Pelé foi expulso de campo e, revoltado, expulsou ele próprio o juiz e continuou jogando.
Por isso o Brasil é o país do futebol! Aqui nascem e florescem os corruptos, os Zé Dirceu, os Roberto Jéferson, o Lulinha. Portanto, aqui só poderia ser mesmo o país do futebol. São forças que se atraem pela sintonia de valores.
Deram uma garfada no Grêmio para o Palmeiras ser campeão? E daí. Isto é o futebol.
Silvano – o impossível


DE QUALQUER FORMA...
...os advogados gremistas conseguiram um efeito suspensivo, prorrogando o julgamento do mérito. Certa feita, final do Brasileirão, Edmundo, o animal, foi expulso no penúltimo jogo. O Vasco foi lá, mexeu os pauzinho e ele, que estaria automaticamente de fora do jogo final, entrou em campo e se bem me lembro foi até campeão. Viram só? Isso é e sempre foi assim.


17/10/2008

1 comentários:

Conrado Ramos Caletti disse...

Caríssimo doutor...!! Não vamos esquecer de quem não gosta de futebel...!! Sabemos que ainda existem "Conrados" por aí... procurando um bom filme pra assistir... e a minha dica é "Treinando o papai". Uma doce comédia, leve, pra ser vista por toda a família e que também podemos tirar várias lições de vida. Nota 9,5 (como diria o doutor...)