08 maio 2008

Egito e Equador



6 - Egito: Família Ahmed do Cairo Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68,53 dólares
Olha a cara desse bebê gorducho de verde, olhando para a ração semanal e pensando:...tá pouco!!...







7 - Equador: Família Ayme de Tingo Despesa com alimentação em 1 semana: $31,55 dólares

Veja a cara de alegre do pai da família, a dentadura do indivíduo. Perceba ainda que o número de bocas é grande, e a comida nem é tanta assim...



Butão e Chade



8 - Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5,03 dólares

Vejam o que é a miséria, a frugalidade, a vida dedicada a coisas menos materiais. Cara...tá dando uma fome...





9 - Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de BreidjingDespesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1,23 dólares
Amigo(a), este imagem e este valor são de arrasar. Lembre que estamos falando da comida que se come numa SEMANA, não numa refieção! Que dureza.
Silvano




02 maio 2008

Coisa de Gordo - 374



374 – PARAR NA ESTRADA = PASTEL
Certo, certo, tudo na vida são questões de gosto e atitude. O que vale para um nem sempre vale para os outros. Mas nessa questão específica, a frase aí do título para mim é lei. Quando estou em viagem, sempre que paramos em algum lugar, restaurante, bar, seja lá o que for, vejo-me obrigado, coagido, intimamente forçado a comer um pastel de carne.
Sim, amigo(a), um pastel. Há pessoas que pedem pão de queijo, os que pedem rosquinhas, há os fissurados em Massa Folhada (Mil Folhas). No meu específico caso, em viagem, tem que ser pastel de carne.
Perceba que as coisas não são estanques (como diziam aqueles estudantes do PT e do PC do B, de minha juventude universitária). O fato de se comer um pastel de carne não impede que se comam outras coisas. Mas a pedida inicial sempre é o pastel de carne. Aliás, em certos botecos por este país afora, nem precisa dizer o sabor. É só dizer: - Me dá um Pastel! E ele é prontamente servido.
A sra Kátia tem lá os seus cuidados. Diz que comer fritura já é prejudicial, e que comer fritura de viagem, num lugar desconhecido, é mais prejudicial ainda. Pode ser. Mas é delicioso.
Munido desta característica, ando por aí, quilômetros e mais quilômetros, sempre desbravando o sabor dos pastéis. Não importa muito o local visitado.
Lembro de uma propaganda da Teem, aquele refri sabor de limão da Pepsi, onde o cara dizia para provocar a sede até não agüentar mais. Aí aparecia o cara chegando num bar de faroeste, todo empoeirado, e para piorar pedia um saco de batatas fritas. Ato contínuo ele emborcava uma garrafa de Teem bem gelada. Pois bem.
Cada vez que paro o carro nas viagens, ao descer e me aproximar do balcão, lembro do cara da Teem. Só que, ao contrário dele, eu chego com a voz rouca, bato no balcão e digo: - Me dá......um pastel.
E então me dedico a provar.
Tenho comido cada pastel! Cada sabor! Cada viagem!


Quer ter uma idéia? Estávamos a caminho da fronteira Brasil- Uruguai, saíramos da cidade de Rio Grande e íamos de vento em popa até o Chuí. No meio do nada, naquela distância de 230Km que separa as duas cidades, no município de Santa Vitória do Palmar, paramos para um café. Quer dizer, os outros queriam café. Eu estava a serviço de meus leitores. Queria testar e aprovar mais um pastel por este Brasil afora.
As fotos mostram o quilate do lugar.Uma pequena (ou média) birosca, empoeirada, envelhecida. Os banheiros eram pequenas pocilgas, reboco à mostra nas paredes, iluminação precária.
Tudo isso era apenas um disfarce, um obstáculo entre mim e os pastéis. Mas não se preocupe, tais adversidades superficiais não dobram um gordo ávido por um pastel. Ao contrário. A gente fica imaginando: - O que esses caras estão escondendo por trás disso tudo? Resposta óbvia: - Só pode ser um pastel.
Amigo(a), que delícia de pastel! Bem fritinho, salgadinho, saboroso. De fato, a tosca aparência do lugar era apenas uma fachada a esconder uma delícia de pastel. Nesse momento esquecem-se as dificuldades da viagem. A distância, o asfalto, os caminhões, o lugar simples para lanchar, a aparência deste lugar.
E aí a gente se concentra na textura e no sabor desta coisa tão deliciosa chamada Pastel de Carne.
A busca continua, companheiro(a). Terei que comer muitos pastéis ainda por aí. Este dado estatístico eu já posso dar. Lá no sul do Brasil, pertinho do Uruguai, no município de Santa Vitória do Palmar, há um pastel que merece ser consumido. É na Lancheria Alvorada, ao lado de um Posto de Gasolina.
Quer a maior prova de que a coisa é boa? Na volta da viagem, cansados e extenuados, paramos para comer outro pastel.
Que loucura.
Reafirmando: - Parar na estrada = pastel! E ponto final.
Silvano - itinerante


02/05/2008

29 abril 2008

Dica de Filme: INVASÃO DE DOMICÍLIO


Às vezes a gente tem uma surpresa na TV por assinatura. Zapeando nos canais, encontramos um belo e desconhecido filme. O nome é este aí em cima, Invasão de Domicílio. Reunindo um pequeno elenco, o diretor Anthony Minguella (o mesmo de O Paciente Inglês) fez um filme terno, instigante, sensível por demais. Encabeçando o elenco temos Jude Law e Juliette Binoche. Só por isso o filme já vale a pena. Reunir na mesma tela duas feras desse porte é algo notável. E o engraçado é que ela é mais velha do que o Jude Law. Lembro de filmes bem antigos onde esta bela atriz já brilhava, tempos em que o Law deveria ser criança. Mas tal diferença não se mostra abertamente, muito antes pelo contrário. Os dois fazem um par perfeito. Will (Jude Law) é um próspero arquiteto e tem sua empresa atacada por ladrões de computador. Uma gurizada invade a empresa e leva o notebook do cara. Indignado, ele segue um dos ladrões até sua casa, passando a conhecer a mãe dele, Amira (Juliette Binoche), uma refugiada bósnia na Inglaterra.
O que era para ser uma contenda policial, transforma-se rapidamente num embate de emoções. Quando Will enxerga Amira, é como se já a conhecesse, como se fossem destinados, a vida dele entra num turbilhão afetivo.
Com uma atuação impecável do Jude Law, incluindo um sotaque inglês bem característico, o filme vai crescendo a cada minuto transcorrido. E aí surge e mais uma vez se reafirma a linda Juliette Binoche, atriz que verte emoção em cada passo que dá diante do expectador. Linda, charmosa, atraente, misteriosa, mãe zelosa, a cada novo take ela diz a que veio e não decepciona a ninguém.
Não entendo como este filme não foi famoso, não concorreu a Oscar em nenhuma categoria, fomos vê-lo por acaso no HBO, numa noite de semana.
Imperdível. Filmaço. Nota: 10 !
Silvano – cinéfilo de meia tigela.

Ficha Técnica
Título Original: Breaking and Entering
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra): 2006
Direção: Anthony Minghella
Roteiro: Anthony Minghella


Elenco
Jude Law (Will)
Juliette Binoche (Amira)
Robin Wright Penn (Liv)
Martin Freeman (Sandy)
Ray Winstone (Bruno)
Vera Farmiga (Oana)
Rafi Gavron (Miro)

24 abril 2008

Coisa de Gordo - 373



373 – MERCADO DAS GASOSAS
Num exercício de volta ao passado, vivências da infância, já declarei aqui neste espaço meu apreço gustativo aos refrigerantes de POMELO. Para quem não lembra, o pomelo é uma fruta cítrica, algo entre uma laranja e uma lima, com um gosto amarguinho característico. Cito que é uma volta à infância pois só bebíamos o tal refrigerante em nossas idas à Rivera (Uruguai). Ao cruzarmos a fronteira de volta ao Brasil, deixávamos do lado de lá aquele sabor inigualável (amargo no fundo) por lá, para nunca mais provar.
Anos mais tarde, desta vez em território argentino, pude mais uma vez degustar o delicioso sabor do Paso de los Toros, um dos refrigerantes desta estirpe. E aí veio uma pergunta: - Por que não se vende isso no Brasil? Por que nunca lançaram isso por aqui? Num país que já teve Mountain Dew e Crush, não seria de admirar.
Dia desses cruzamos de novo a fronteira uruguaia e eu, em plena crise de abstinência, pedi um refri de pomelo. Passados anos e anos, pude sorver de novo esta maravilha. E aí fui defrontado com uma revelação. Deste vez o nome do refrigerante era Quatro, e trazia no pé da lata descartável aquela clássica inscrição: “Un producto de Coca-cola Company”.
Puxa!!.. – pensei eu – até isto é da Coca-cola. Mas se é da Coca, por que eles não lançam no Brasil? Conversamos na mesa e deduzimos que há coisas neste mercado que parecemos desconhecer. A mesma Coca-cola é dona do Guaraná Kuat, e nem por isso o lança nos países vizinhos. É como se houvessem nichos de mercado, reservas, regras obscuras que determinam o que vai ser bebido e aonde.
Sem laivos de novidade, mas até com certo enfado, fui depois perceber que o Paso de los Toros é propriedade da Pepsi Company. Que coisa, os caras são donos de tudo.


A mim, eterno admirador, só resta lamentar e tentar entender os meandros deste lúgubre e refrigerado mercado.
Há uma teoria mais simples. Alguém na mesa alertou que talvez os caras não tenham lançado isso no Brasil pois só haveria uma pessoa na fila de compra: - EU! De fato, não é uma bebida para muitos. Tem um gosto amargo incomparável, mas que é delicioso. Quem toma Campari talvez me entenda melhor. E veja que não gosto de Campari.
É um cítrico agradável, delicioso, saboroso, encorpado, de cor parda, um bege claro característico. Como demoro a voltar ao exterior, tratei de trazer um pequeno estoque, embalagens de 1,5litro na versão light. Trouxe dois fardos de seis garrafas. Estou bebendo com um conta-gota. Não sofro grande concorrência doméstica, posto que os paladares caseiros ainda estranhem tal sabor.
Se alguém for ao exterior, Uruguai, Argentina, Paraguai, já sabe o que me trazer de presente. Nada de quinquilharias e espelhos coloridos. Traga-me um fardo do Paso de los Toros, versão light, e eu, a exemplo da Branca de Neve, viverei feliz para sempre.
Silvano – com gosto amargo na boca


QUE PENA
Desde que o governo Fernando Henrique criou o Pecúlio Comunista, esta bolada de dinheiro que os supostos perseguidos da ditadura amealham do contribuinte, um carnaval foi começado. Às custas de nosso suor e trabalho. No dia que o Carlos Heitor Cony se declarou um perseguido da ditadura, parei de ler qualquer coisa escrita por ele (inclusive ele nem dorme mais por causa disso!). Achei ofensivo, achei um absurdo, uma pouca vergonha. Para desmazelo meu, li que o Ziraldo e o Jaguar, dois mitos do Pasquim, enveredaram pelo mesmo caminho. Vão ganhar uma boladinha de um milhão, e depois um salário vitalício entre cinco e dez mil reais por mês. Amigo(a), estou ficando sem referenciais. Como dizia o Cazuza, meus heróis estão morrendo de overdose. Overdose de pouca vergonha na cara! Que pena.


24/04/2008

16 abril 2008

Coisa de Gordo - 372


372 – INVASÃO DE PRIVACIDADE
Muito se tem falado desse traficante que está preso, o Juan Carlos Abadia. E no caso dele os juízes, seguindo uma tendência já consagrada, disponibilizam os bens do condenado ao deleite da sociedade. É uma filosofia bem interessante esta. Não entendo bem a lógica disso, mas acho ela mais do que justificável.
O que pensam os juízes? Quando eles prendem e condenam traficantes, logo que podem, colocam os bens dos bandidos a serviço da polícia. Ou da comunidade. Ou de hospitais, etc. Isso é inquestionável. Tidos como os verdadeiros cânceres da sociedade, nada mais justo que sejam os traficantes constrangidos a isso. Como que devolver à sociedade aquilo que dela roubaram. Compensar os estragos.
Quando digo que não entendo a lógica disso quero dizer que não apenas concordo com isso como gostaria que tal filosofia se espraiasse em outras situações. Por que não aplicar a mesma lógica com o Collor? Com o Maluf? Com o Lalau? Com esses caras do escândalo do Detran gaúcho? Mas não. Até o momento os juízes só aplicam tal expediente junto aos traficantes de drogas. Bom, já é um começo.
Resultado disso, certa vez na praia, em conversa com um delegado, ele me explicou que na delegacia dele havia um ou dois carros expropriados de traficantes. E que agora estavam a serviço da lei. Ontem a Globo mostrou toda orgulhosa um helicóptero que a polícia está usando no Nordeste e que era de um rei do tráfico.
O que isso tudo tem a ver com o título deste texto? A imprensa toda está badalando esse verdadeiro leilão que está sendo feito das coisas do traficante Abadia. O cara é um criminoso internacional. A exemplo do Ministro José Dirceu, fez cirurgia plástica para mudar de feições. Transgrediu, abusou, foi pego e agora amarga suas condenações. Décadas de cadeia para cá, transferências para lá, apreensão de bens, carros, lanchas e outras coisas mais, tudo isso vem acossando o tal Abadia.
Em meio a essa indesejada celebridade, talvez a pior punição que esteja ele sofrendo seja justamente este leilão. A justiça mandou colocar tudo que o cara tinha à venda, dos sapatos luxuosos às camisas de seda. Da meia preta à coleção de gravatas. Da cadeira de praia às bicicletas importadas.
E aí os noticiários se esbaldam em expor esta verdadeira gincana. O povão escolhendo os objetos, fazendo rancho de cuecas, montando balaio de meias e outras coisas mais. As pessoas transitam pela casa, experimentam as coisas, apalpam as camisas, esticam as meias, verificam as condições das cuecas, vasculham as panelas, as xícaras, as almofadas.
Esse verdadeiro circo montado em nome da justiça social, em que pese seja correto, reveste-se de uma grande violência. Violência contra a privacidade da pessoa.
Certo, certo - deve pensar o Abadia- apreendam o avião e as motos. Mas precisava fazer liquidação da coleção de tampinhas de refri? Precisava mexerem nos panos de prato? Nos álbuns fotográficos?
Imagine-se você numa situação dessas. O povão remexendo as suas coisas. A sua coleção de Playboy. O seu conjunto de panelas Tramontina. Sua caixa de maquiagens (no caso feminino). Os seus espetos de churrasco que você ganhou de sua esposa quando ainda eram solteiros. Sua caixa de tintas, com os potinhos e pincéis que você juntou durante toda uma vida. Aquele canivete meio enferrujado, mas que nunca o deixou na mão. Sua vara de pescar. A mala que você comprou naquele viagem a Portugal. Os cartões de Dia dos Pais e Dia das Mães que seus filhos sempre lhe deram e que você colecionava como jóia. Aquela xícara grande, lascadinha num cantinho, na qual você tomava chocolate quente. Enfim, toda sua intimidade ali, devassada. Já pensou?
Sou abertamente contra o uso, a venda, a distribuição, o tráfico e qualquer coisa que se relacione a DROGAS. Pau neles! Mas de todas as sanções aplicadas aos meliantes, essa de rifar a vida pessoal deles me parece a maior. E a pior. Parabéns ao judiciário. Que tortura!
Silvano – em nome do pudor


LISTA PARCIAL DOS OBJETOS DO CARA EM LEILÃO
(retirada da internet, página da Gazeta On Line)
Aspirador de pó
Caderno de culinária
Cooler da marca Budwiser
Fantasia de caveira
Geladeira HELLO KITTY
Mapa (no quadro)
Tapete de pele de vaca 2X3 e 1 cama de cachorro
Garrafas de bebidas alcoólicas diversas
Camisas pólos e camisetas adultos
Óculos de grife
Aparelhos de ar condicionado
Livros e 20 revistas
Banco de bar redondo branco com pé prateado
Bicicleta do super-homem
Bicicleta TREK DCLV CARBON 9.8 prata e azul
Bicicleta TREK MADONE 5.9 vermelha e preta
Cofre cinza
Guitarra
Home theater MX2600, 1 cifão e 2 caixas de lâmpadas pequenas
Itens Hello Kitty
Kit de pesca - PLANO
Par de patins
Pé de cabra
Televisão SONY 61" Wide Screen LCD
Televisão tubo 62"
TV 29" PHILLIPS - tela plana
Tv 42" lcd panasonic
Tv lcd 26"
Tv lcd 71" samsung
Tv lg 21"
Tv panasonic 29"
Tv phillips 34"
Tv samsung 42"
Tv sony 20"
Tvs LCD 42" PHILLIPS


DEU NA COLUNA DO CLÁUDIO HUMBERTO
O Governo Lula sacou 40.000,00 por dia! Os titulares de cartões corporativos do Governo Lula sacaram, em média, quase 40 mil reais por dia, em dinheiro vivo, de 2003 a 2007. No total, R$ 72,5 milhões foram sacados na boca do caixa em 1825 dias corridos


E VOCÊ AÍ TRABALHANDO E SE ESFALFANDO...
...enquanto os caras sacaram 40 mil reais por dia. Desde o início do governo! Antes que alguém diga que o Fernando Henrique fazia igual, lembro que o escândalo é o mesmo. Cadeia nessa esquerdagem toda. Com devolução do dinheiro ao contribuinte. Ou então, no mínimo, um leilão das cuecas do Silvinho.


17/04/2008

14 abril 2008

Leitor comenta minissérie da Globo



Nosso amigo e leitor JAMES manda instigante comentário sobre a minisséris QUERIDOS AMIGOS que acabou de passar na Globo. Muito legal! Valeu, James.

Silvano

Diz o James: Recentemente, foi exibida pela Rede Globo uma minissérie, Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, baseada em um livro seu e que tratava da reunião de amigos em torno de um que está para morrer. Tema recorrente em filmes americanos, no Brasil, soa como alguma novidade. É ambientada em 1989, na véspera de primeiro turno das eleições presidenciais, as primeiras depois da ditadura. A maioria do grupo é de militantes de esquerda, que lutaram contra a ditadura, sendo alguns exilados e outros, até torturados. Este é outro tema, ainda pouco recorrente na TV país, podendo ser rememorados a ótima minissérie Anos Rebeldes (1992, de Gilberto Braga), a novela Roda de Fogo (1986, de Lauro César Muniz), com Tarcísio Meira, Bruna Lombardi, Eva Vilma, cuja personagem era uma torturada pela repressão. Tem também aquele programa Linha Direta, com um episódio sobre o frei Tito (2006)... Mas mesmo assim, a TV brasileira pouco aborda esse assunto, ao contrário do cinema. Acredito que, com o tempo, deverá abordar ainda menos esse tema. E talvez, isso explique porque estou escrevendo essas linhas. Gostei da minissérie. Rever uma época muito importante na minha vida foi bom e muito emocionante. (Coincidentemente, 1989, foi nesse ano que conheci vossa senhoria, nosso primeiro ano da residência). A minissérie foi pouco comentada. Uma prévia no caderno de TV da Zero Hora, uma opinião sobre duas personagens feita pela Ministra Dilma e uma paulada da Veja. Esta, até dá para entender, afinal, mocinhos de esquerda... mas me fez pensar, o por que de o tema ser pouco explorado. Afinal, os perdedores e as minorias não são notícia, não são atraentes, não chama atenção. A História é escrita pelos vencedores. Aquele grupo que fez oposição ativa contra o regime militar era minoria e realmente nunca chegou ao poder. A própria minissérie mostra a expectativa da vitória da esquerda nas eleições de 89, mas até hoje, esta esquerda não conseguiu galgar ao poder em condições de transformar o país. Fernando Henrique, um exilado, pediu para esquecer o seu passado. Lula, preso pela ditadura, está abraçado nos próceres desta há cinco anos. Ouvir os discursos da minissérie fez me lembrar de mim mesmo. Nos anos de chumbo, eu era criança, mas ouvia os relatos, em casa, do meu pai, tios, primos, presos, cassados, torturados. Ouvia vidrado, achava que a luta armada, a revolução socialista, seria a solução para tudo. Ao entrar na faculdade, em 79, já em plena anistia, apesar das recomendações de casa para não meter em política, pelos perigos que representava, militei no movimento estudantil, fui dirigente do centro acadêmico, mas, aos poucos, fui oPTando por ser o que eu sou hoje e não político profissional. Estive muito perto de mudar para este outro rumo e fico pensando aonde eu estaria hoje... Não, eu não estaria no poder, eu não teria negado o que minha família tinha vivido, o que eu sempre defendi. Estaria num partido de esquerda, defendendo a revolução socialista pelo voto. Eu e uma minoria, que talvez nem tivesse votos. A minoria que sempre perdeu a disputa pelo poder neste país, e também, em todo o mundo. Uma minoria que sempre quis que a educação e saúde fossem iguais para todos, que isso seja um direito de todos, que isso fosse a base para que a pessoas se diferenciassem. As pessoas seriam diferentes depois de ter estudo e saúde, e não como hoje e sempre, em que as pessoas se diferenciam porque tiveram acesso à saúde e educação. E por pensar assim, nesse país, pessoas foram presas, torturadas e mortas. Muitos desses, hoje estão no poder, abraçados nos torturadores, tão corruptos quantos aqueles que sempre foram. Pensar num mundo melhor e igualitário é ser chamado de dinossauro, afinal isso é um menosprezo por parte de quem sempre foi contra isso, seja através de que meio for, pois esta maioria sempre esteve no poder, seja pelo voto censitário, pelo voto de cabresto, pelas ditaduras do estado novo e do regime militar, pela repressão e pela tortura, seja através poder econômico e a dominação sobre os meios de comunicação. Na minissérie, diferentemente do cinemão americano, a personagem que tinha sido vítima da tortura não procura vingança, a confrontação com seu torturador a apavora, só as lembranças a faz sofrer permanentemente, como é a realidade, vide o exemplo do frei Tito. No cinema, num enredo previsível, o torturado, depois de passar pelas maiores atrocidades possíveis, mata o torturador, com um único tiro ou numa grande explosão involuntária. Uma exceção é o filme da Sigourney Weaver, onde ela bate um monte em um Ben Kingsley amarrado, em um país latino qualquer (A morte e a donzela, 1994, de Roman Polanski). Na minissérie, o que temos é um desabafo candente da Fernanda Montenegro, mãe da torturada, ao algoz e um tapa na cara deste. Ao final, há uma denúncia pública dos fatos. Mas voltando ao mundo político, estes esquerdistas, não conseguiram e nem conseguirão mudar o mundo. São minoria, não enchem uma van, e só se unem quando estão na cadeia. Mas os sonhos, estes estão vivos, talvez apenas nos discursos. Nós seguimos frustrados com aqueles que chegam ao poder com seus falsos programas, ideologicamente de esquerda. As promessas eram ótimas, os resultados são pífios. Diminuiu a fome, diminuiu o desemprego, aumentou o consumo, talvez nunca tanto como agora. Lula talvez termine o seu governo como o melhor presidente de todos os tempos, mas a saúde, a educação nunca estiveram tão ruins. Eu queria que meus filhos fossem a pé para escola do bairro, que seria igual em qualidade a de outro bairro, onde tivessem professores capazes como os americanos, bem pagos como os suecos, respeitados como os mestres japoneses. Queria que eles fossem acompanhados em sua saúde no posto do bairro, tratados por profissionais como os professores da escola do bairro. Querer isso, com exemplos de países capitalistas e não o de algum país chamado de comunista, é apenas ser de esquerda. Mas quando neste país, os governos usaram os impostos para se ter educação e saúde. Bom, a assunto era a minissérie. Os mocinhos eram gente de verdade. Eles não venceram os vilões, não ganharam eleições, não ficaram ricos, passavam por mazelas comuns da vida afetiva e familiar. Alguns se perderam pelo caminho, alguns ainda sonham em silêncio por um mundo justo. Ver isso na TV, com o coração apertado, da vontade de gritar: No passarán!

10 abril 2008

Coisa de Gordo - 371


371 – HIPOCRISIA MUNDIAL
Tenho acompanhado pela imprensa esta confusão toda em torno dos Jogos Olímpicos na China, a briga com o Tibet e as confusões advindas disso. Os “chinas” devem estar se maldizendo: - Quem foi que deu esta idéia de fazer Olimpíada aqui, com todos os diabos?
O fato é que o conflito China x Tibet é antigo, estava esquecido da mídia e agora, em função dos jogos a coisa veio à baila de novo. Resultado disso, a famosa viagem da Tocha Olímpica mundo afora deixou de ser um momento de congraçamento entre os povos, para se transformar em dor de cabeça para os anfitriões da tocha. E para os chineses, é claro.
Do quase nada que entendo de História, percebo que ao longo dos tempos sempre foi assim. Impérios surgindo, crescendo, e engolindo territórios menores. A China é o verdadeiro bicho-papão da atualidade. O país mais populoso, o maior mercado consumidor, cuidado com eles, portanto. Ao quererem anexar o território do Tibet ao seu vasto império, os chineses apenas repetem o que sempre se fez. Ou já esquecemos do Napoleão Bonaparte?
Que fique claro neste ponto do texto, sou a favor da libertação do Tibet. Apenas fico intrigado com o silêncio da mídia em relação a atos imperialistas similares. Senão vejamos.
Você lembra do Havaí? Sim, aquele estado americano situado no meio do Oceano Pacífico. Vou até a Wikipédia onde leio o seguinte: O Havaí é um dos 50 Estados dos Estados Unidos da América. O Havaí localiza-se em um arquipélago no meio do Oceano Pacífico, podendo ser considerado o Estado americano mais isolado em relação ao resto do país. Sua capital e maior cidade, Honolulu, localiza-se a mais de 3,1 mil quilômetros de qualquer outro Estado americano. O arquipélago havaiano era povoado por polinésios, sendo que a região era governada por vários chefes polinésios locais, até 1810, quando Kamehameha I centralizou o governo do arquipélago, e instituiu uma monarquia. O Havaí é o único Estado americano cujos nativos utilizaram-se da monarquia como forma de governo. Em 1894, o arquipélago tornou-se uma república, e quatro anos depois, em 1898, foi invadido militarmente e anexado pelo império dos Estados Unidos, tornando-se um território norte-americano em 1900.
É disso que quero falar. Assim como os chineses, os americanos quiseram se espalhar, adentraram o oceano em três mil quilômetros e foram lá se apossar do Havaí. Está escrito. O território era habitado por polinésios, tinha seu Rei, sua história, seu povo, seu território. Aí vieram os americanos e comeram tudo. Por que, então, nas olimpíadas de Los Angeles não houve queixa disso? Por que o mundo não protestou contra os americanos? No Oceano Pacífico pode e na Ásia não pode? Eis aí a hipocrisia de todos nós.
Você lembra das Malvinas? Sim, aquele pequeno fim de mundo situado ali, na costa da Argentina. O que houve? Os ingleses foram lá e engoliram igualmente. Voltemos à Wikipédia: No século XVIII, em 1764, Louis Antoine de Bougainville fundou uma base naval em Port Louis (Malvinas Oriental). O francês chamou-a de Îles Malouines. Ignorando a presença francesa na ilha, em 1765, John Byron (Britânico) estabeleceu uma base em Egmont (Malvina Ocidental). Em 1766 a França vendeu sua base para a Espanha, que declara guerra à presença inglesa nas ilhas, mas a disputa se acalmou no ano seguinte, decidindo-se que a parte oriental seria controlada pela Espanha e a parte ocidental pelos britânicos.
A ilha permaneceu praticamente instável até o século XIX. A Argentina montou uma colônia penal nas ilhas em 1820, e em 1829 nomeou Luis Vernet governador da ilha para colonizá-la. O Reino Unido invadiu as ilhas em 1833, mas a Argentina manteve sua reivindicação. Essas tensões levaram a uma invasão argentina em 1982. O conflito ficou conhecido como a Guerra das Malvinas. Mais tarde as ilhas foram retomadas pelos britânicos.
Viu só? Também os britânicos deram das suas. Oprimiram, usurparam, invadiram, ignoraram direitos humanos. Jamais esquecerei da Dama de Ferro, a Margareth Tatcher (essa beldade aí da foto), primeira-ministra britânica, que no fim da guerra contra a Argentina sobrevoou as Malvinas num Caça britânico, para deleite de seu orgulho, de sua beligerância, de sua crueldade pessoal. E aí? Ninguém vai fazer protesto pela libertação das Malvinas?
Repito: - sou a favor da libertação do Tibet. Apenas me incomoda esta hipocrisia mundial. Se os outros podem, por que os chinas também não podem? Não consigo entender.
Silvano – só assim gordo fala de Olimpíada


10/04/2008

03 abril 2008

Coisa de Gordo - 370


370 – A COMIDA DA CRISE
Vez que outra conversava com a turma, em casa, acerca de um tipo de comida que consumíamos na infância. É um tipo de comida que eu denomino A COMIDA DA CRISE. Sim, os tempos eram outros, vivia-se em piores condições e, resultado disso, a comida era diferente.
Só para ilustrar isso deixei as crianças intrigadas, um dia, quando comentei que fui conhecer os frios, essa variedade de queijos e mortadelas que enriquecem nossas refeições, apenas no entrar da adolescência. Eles ficaram intrigados. Como é que pode? Pois podia. Comentei que em nossas infâncias o café da noite era mais simples. O que não quer dizer que se passasse fome, nada disso. Comia-se muito bem. Mas comiam-se menos coisas.
Lembro que se bebia leite quente, no bule, e que se fazia necessária a presença de uma coisa chamada coador. Ao se ferver o leite (naquele tempo se fervia o leite), surgia em sua superfície a nata, a gordura do leite que ninguém queria beber. Para tanto, o leite era despejado nas xícaras através do citado coador. Em algumas casas de avós, a nata recolhida era separada num pote, para depois virar manteiga ou então bolachinha de nata. Coisa que Avós sabiam fazer.
Ato contínuo, colocávamos Nescafé e açúcar, ou então Nescau e açúcar. Essa era a bebida. E para acompanhar comia-se pão d’água (de meio ou de quarto), devidamente fatiado e temperado apenas com margarina. Ou manteiga. Isso era o café da noite. Às vezes variava-se com uma geléia. E só.
Sentando olhos no almoço, recordo de uma série de recursos que nossa mãe usava para nos alimentar naqueles longínquos dias. O guisado. Num dia era guisado com batata. Noutro dia, guisado com milho. Dia seguinte, guisado com ervilha. A isso se somavam arroz e feijão e estava feito o banquete. Daqueles tempos.
Outro recurso era o suflê. Num dia suflê de milho verde. Noutro dia suflê de outro sabor. Gostoso e barato.
Comentei isso em casa dia desses, citei a expressão “Comida da Crise”, e brinquei com eles que ia fazer um Guisado com Batata para matar a saudade. Os ânimos se eriçaram, a curiosidade aumentou, fizemos o tal prato. A turma adorou e viciou. Temos repetido eventualmente. Hoje me dei ao luxo de deixar a água secar na panela e o guisado ficar com um setor de “queimadinhos”. Quase deu briga na hora da mesa. De tão bom que ficou!
Voltando mais uma geração no tempo, lembro de minha Avó materna tomando café preto engrossado com farinha de mandioca. Sabe que era gostoso? Um verdadeiro pirão. Mas era barato e gostoso. Eram tempos de pobreza, os da Vó, e imagino que este fosse um recurso considerável.
Eu e a sra Kátia temos em nossa trajetória matrimonial a “Semana do Ovo”. Recém-casados, o salário da residência ainda ia demorar uns dias, tomamos de uma ou duas dúzias de ovos e passamos a semana. Num dia ovo cozido, noutro dia ovo frito, no terceiro omelete, assim fomos respirando curto até o salário chegar.
Bom, já lancei a moda, agora é só ir testando em casa. Comida da Crise. Vou fazê-los comer Guisadinho com Couve, depois Guisadinho com Repolho, deixar ver, tem ainda Beterraba...ih, a lista é interminável. Gostosa. E barata.
Silvano – pão duro


03/04/2008

COISAS DO DESIGN


A palavra soa estranha a alguns, mas os profissionais (artistas) da área do design dão aulas de criatividade, inventividade, trazendo a nós, meros mortais, uma vida mais agradável, mais ágil, mais prática, melhor, enfim. Recebi um e-mail com alguns exemplos de produtos que foram inventados, adaptados, melhorados. E fiquei impressionado com alguns deles. De fato, tem coisas ali que eu queria ter na minha casa. Ou em casa onde vou jantar. Perceba nessa foto inicial a solução dada àquela refeição em que você fica sem mão para o copo. Supimpa. Os caras criaram um prato onde se encaixa a taça. Pronto, já dá para comer e beber em paz.
Silvano

Design


Já pensou? Uma escada com gavetas embutidas. Nossa, vai dar para guardar todas aquelas quinquilharias. Sua coleção de tampinhas. Seus rótulos de cerveja. Seus livros de receitas...

Design


Alça para puxar o livro...esta é boa. Para não ter que ficar furungando a prateleira toda atrás do livro que se está lendo, basta deixá-lo com a alça dentro.

Design


E este “descansa-prato”, hein? Que presença.

Design


Toalhas flutuando? Nada disso. É apenas um suporte.

Design


Tombo de noite em casa por caminhar no escuro? Nunca mais. Veja este chinelo com farol.

FALEI NO FILME....


...e depois não dei o fechamento da história. Fomos ver na telona o EU SOU A LENDA, do Will Smith perambulado sozinho por uma Nova York dizimada por um vírus. Quando comentei o tema aqui citei o filme anterior (A Última Esperança da Terra) dos anos 70. Pois bem, fomos ver o filme atual.
Filmaço, bela produção, cenários bem engendrados, o medo perpassando as esquinas e vielas da grande metrópole. A uma certa altura do filme a sra Kátia evadiu-se da sala de exibição, premida pelo suspense e pelas cenas que ela julgou muito fortes. Mas foi apenas uma escolha dela. Dali para frente a coisa deslanchou e creio que a tal cena onde ela saiu foi a mais “forte” de todo o filme.
Como sempre, algumas coisinhas poderiam ter sido melhoradas. Há animais vagando nas ruas da cidade. A imaginar-se que quase toda a população do planeta morreu, e a imaginar-se também que alguns animais fossem refratários (não infectáveis) ao vírus assassino, isso é até bem plausível. Só que não precisava colocarem veados digitalizados nas cenas! Puxa, quer ver uns veadinhos correndo nas avenidas, vai lá e solta uns de verdade. Não precisava ter digitalizado tanto. (Cuidado! Estou falando de veados animais, aqueles da família dos cervídeos, parentes dos antílopes e gamos. Não pense que estou citando opções sexuais).
Talvez o mesmo valha para os takes dos zumbis, os verdadeiros terrores do filme. Algumas tomadas envolvendo a eles se perdem um pouquinho por ficarem um tanto artificiais, a gente vendo que aquilo foi montado no computador. Mas o filme é excelente, instigante, tenso, atuação impecável do Smith e da brasileira que lá pelas tantas entra na trama. Impossível comparar as duas obras a que assisti, face ao abismo temporal entre ambas. Uma feita nos tempos do tapa na cara e da bala de verdade, a outra feita em tecnologia de última geração. Mas quase que afirmo que esta versão atual é melhor. Sei lá, é difícil pesar valores com tantas variáveis desiguais. Mas de qualquer forma, se você é uma das raras pessoas que não viu o filme, vá ver logo e se possível no cinema. Nota 9,0. Imperdível. Menos para a sra Kátia.
Silvano – infectado

29 março 2008

Conto de Outono


EU BEM QUE TENTEI....
...mas quando me dei conta vi que foi tudo em vão. Eu me prometi: - Não vou fazer isso de novo! E veja que para fazer esta autopromessa, este verdadeiro compromisso entre mim e mim mesmo, foram necessárias várias etapas. Eu tive que mergulhar em meu íntimo, valer-me do trampolim do desespero e mergulhar em direção ao fundo de minha própria personalidade. E olha que eu tive medo, vislumbrei o trampolim meio de lado, apalpei-o, senti a textura da madeira áspera. Sim, o meu trampolim ainda é feito de madeira. Aí eu subi nele titubeante, andei a passo de formiguinha, cheguei na beira, me embalei , tomei impulso e, suando frio, me joguei. Quando aquele sábio da antiguidade disse CONHECE-TE A TI MESMO, no meu caso ele estava dizendo uma maldição, não uma orientação. Para mim, era melhor que este conhecimento não tivesse chegado nunca. Ao descer em direção ao fundo do meu ser, as coisas que eu vi não foram nada alentadoras. Se se considerasse tal descida como um filme de cinema, a coisa estava mais para roteiro do Stephen King do que para Woody Allen. As faces aterrorizantes, os gritos alternados com silêncios profundos, os saltos na escuridão, tudo isso estava lá. Mas eu continuei a descida. E enquanto caía repetia para meus próprios ouvidos escutarem: - Não vou mais fazer isso...não vou mais fazer isso, não vou mais fazer isso... As paredes úmidas e frias deste poço lúgubre em que eu me meti, apenas ecoaram meu tênue pedido. Mas nada nem ninguém respondeu. Até porque não havia quem respondesse. Só havia uma pessoa. E este alguém era eu mesmo. Está lembrado? - eu estava entrando era na MINHA intimidade, no pântano movediço de minha personalidade. E neste ambiente sufocante só havia espaço para uma pessoa: - EU. Eu e meus traumas. Eu e minhas derrotas anteriores. Eu e meus amores. Eu e minhas dores. Passei por uma pequena saleta, bem arrumadinha, clara, colorida, a Sala de Minhas Conquistas. Ambiente pequeno, acolhedor, coisa de metro e meio por metro e meio. Nada mais que isso. Saí logo dela, tão poucas eram as conquistas e vitórias ali guardadas. Andei adiante e o ar se transformou. Entrei no Salão de Minhas Derrotas. Sim, um enorme salão, do tamanho de um ginásio de esportes. Ali, postadas lado a lado, todas as minhas derrotas. As promessas não cumpridas, as mentiras, os fracassos empilhados. Parece mentira – pensei logo, mas fui eu quem empilhou tudo isso por aqui. Sim, a primeira dieta que comecei, ainda adolescente, estava ali. Como uma folha de papel amarelada, carcomida pelo tempo. As tentativas de ser uma pessoa melhor, uma ao lado da outra, ali guardadas. As iniciativas todas, as promessas das segundas-feiras, os compromissos. Caminhei por entre tudo aquilo e fiquei pasmo comigo mesmo. Uma campainha começou a soar. Um som meio perdido, vindo de longe, e por algum motivo eu sabia que aquilo era o sinal do tempo. Era chegada a hora de voltar. Subir, sair dali, retomar. Mas...engraçado...o som daquele alarme me era tão familiar. Pareceu-me que já o tinha ouvido tantas vezes, era quase que música para meus ouvidos. Chegando mais na superfície, dei-me conta do porquê de eu conhecer o som. Ele vinha do estômago e era o aviso da fome. Abri os olhos, as lágrimas tinham molhado a camisa. A luz do mundo real quase machucava os olhos. Respirei fundo. Olhei em volta.
E então, contrariando o que prometera, tomei de um enorme Ovo de Páscoa, abri o papel e comecei a comer. Para nunca mais parar.
É...eu bem que tentei....
Silvano – 29/03/2008

27 março 2008

Coisa de Gordo - 369


369 – COMENDO NAS ALTURAS
Os caras já não têm mais o que inventar. Que coisa maluca. Já tinha recebido este e-mail um tempo atrás, dia desses recebi de novo. Trata-se de um suposto restaurante na Bélgica, onde as pessoas são içadas a uma altura enorme para lá em cima, nas alturas, comerem os pratos de suas escolhas.
Imagino que o público freqüentador seja bem limitado em seu número. Começo pelo mais óbvio. O medo de altura. Eu que evito andar até em Montanha Russa falo com propriedade. Não apenas tenho medo como enjôo em tais brinquedos de Parques de Diversão. Então eu já me coloco fora do tal restaurante. Só que não sou só eu. Muita gente tem medo de altura, o que nos remete ao bom e velho instinto de preservação. É uma coisa óbvia, a gente tem que temer a altura para poder ficar vivo mais tempo. Não é uma fobia, é só preservação da vida.
Aí os caras resolvem fazer essa maluquice, abrindo mão de toda uma clientela que não vai se arriscar a subir tão alto em nome da gastronomia.
A idéia é simples. Um poderoso e enorme guindaste levanta uma espécie de plataforma lá para o infinito dos céus, levando uma mesa, os equipamentos de preparo da comida, as bebidas, o cheff, a equipe do cheff, e por fim as vítimas, digo, os fregueses.
Você escuta falar do troço, um dia um amigo o leva até lá, você espera na fila meio incrédulo, quando se dá conta o chão está desaparecendo debaixo dos seus pés e aí já é tarde demais para descer. E o pior é que deu aquela vontade de fazer xixi. E vem até uma dor de barriga. Cadê o vaso sanitário? Meu Deus – você balbucia – no que eu fui me meter?
Outros fatores por certo devem somar-se ao que descrevi até aqui. Por exemplo, a proximidade com um aeroporto. A cada Boeing que aterrissa suas orelhas vão encolhendo. Outro fator é uma coisa chamada vento. O troço vai subindo, subindo, começa aquela brisa mais fresca, quando chega lá no alto você percebe que não dá para deixar um guardanapo solto que a ventania carrega. Você começa a suar frio, o que passa despercebido aos outros, pois o vento é mais ágil em secar o seu suor do que a percepção dos convidados. Em meio à tragédia, surge uma pequena vantagem, um breve ganho secundário. Aproveitando o vento, e sem poder ir ao banheiro por causa daquela dor de barriga, você vai soltando gases que se diluem em meio ao quase-tornado que os envolve. Pobre das águias e dos condores.
Aí a plataforma começa a sacudir de um lado a outro, e você lembra de que logo vai estar enjoado. Que belo almoço o aguarda. De fato.
Só isso? Claro que não. Com a vibração, os cabos que prendem vocês por lá começam a “gemer”, a fazer barulhos os mais estranhos, ao que o Cheff tenta acalmar a todos, afirmando que aquilo é perfeitamente “norrrrmal” (carregando nos erres). Normal nessa hora seria você ligar para o Corpo de Bombeiros, a Samu, o Papa ou a SWAT e pedir uma equipe de resgate. Você só não faz isso por medo de derrubar seu celular lá de cima.
Por fim. As fotos são impressionantes. A altura é enorme. Parece que é na Bélgica. Esteja a gosto. Eu, de minha parte, ficarei com os pés bem no chão. Não vá vomitar na minha cabeça...
Silvano – que cara enjoado


27/03/08

26 março 2008

Comendo nas alturas



O email anda circulando já faz um tempo e dá conta de um suposto RESTAURANTE NA BÉLGICA. Os caras enlouqueceram de vez e resolveram montar uma plataforma a ser elevada aos céus por um guindaste. Lá nas alturas, os malucos, digo, fregueses, se deleitam nas delícias culinárias. Confira as imagens impressionantes e tente responder algumas perguntas. Por exemplo: Qual o peso máximo para os convivas? Não me parece haver nenhum gordo sentado na mesa. Outra coisa? Cadê o banheiro? Mais uma dúvida: - O fato de se fazer o troço na frente de uma Igreja tem algum significado? Já se vai direto para o céu? Bom, chega de dúvidas. Aproveite as imagens. E se imagine comendo nas alturas. Silvano - voando alto

Comendo nas alturas





No centro da plataforma, os artistas da culinária preparam sua arte. Ao fundo, um telão. Luxo e ostentação nas alturas.



















Pensa o cara: - Eu vou mais é me embebedar. Tô achando que esta é uma viagem só de ida...











Comendo nas alturas





Ai, e se eu derrubar o guardanapo ou o celular?











Será que venta muito aqui em cima?


















Ah, se o Bin Laden descobre este "alvo nas alturas"...





Comendo nas alturas





Digamos que o guindaste é de fato, bastante alto.











O que se pode confirmar nesta outra foto. Levanta isso aí, malandro...

Comendo nas alturas



O garçom diz: - Vai , magrão, come logo e não resfolega. E quanto àquela tua perguntinha idiota sobre onde está o pára-quedas...há...ele não existe.

Comendo nas alturas



Olhe as caras dos sujeitos. Este cara aqui do canto está se perguntando: -Onde será que a gente faz xixi? A mulher ao lado dele tenta aparentar calma e se pergunta: - O que que eu tô fazendo aqui? A outra do lado dela procura nervosamente o celular para se despedir dos filhos.... E enquanto isso...o piano toca ao fundo.

Comendo nas alturas



Isso, aproveita para comer antes de morrer..vai...serve logo...

20 março 2008

Coisa de Gordo - 368


368 – CALCULANDO A PÁSCOA
Uma amiga e leitora (Mara) me faz voltar no tempo, pedindo que eu comente aqui o porquê das diferentes datas de Carnaval. Num ano é mais cedo, noutro é mais tarde. Já escrevi sobre este assunto nos tempos do SITE, o que não impede que eu volte a debater o tema de novo.
Já naquela ocasião me vali do livro do Marcelo Duarte, O GUIA DOS CURIOSOS, verdadeiro manancial de cultura inútil, um dos meus hobbies favoritos. Lá, na página 386 está escrito: Como calcular a Páscoa?
Opa, dirá você, mas a leitora perguntou sobre carnaval. Calma, é que as datas estão intimamente relacionadas. Determinando o dia do domingo de Páscoa, você volta quarenta dias (a quaresma) e tem a quarta-feira de cinzas. Logo, quarenta e três dias antes temos o Carnaval. Esta a dica que está no livro e que gerou uma pequena dúvida em mim. Explicarei logo abaixo.
A palavra Páscoa significa “passagem” e alude àquela famosa travessia que o povo hebreu fez no Mar Vermelho, fugindo da escravidão no Egito.Com este sentido, a Páscoa foi instituída no ano de 1513 A.C. e continua sendo festejada pelos judeus, só que noutra data. Tudo isso está lá neste livro que citei.
A Páscoa cristã significa a ressurreição de Jesus e é festejada noutra data, que foi determinada pelo Papa Gregório XIII no ano de 1582. Ela se dá no primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre em 21 de março ou depois disso. De tal sorte que o domingo de páscoa nunca será antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. A quarta-feira de cinzas se dá 46 dias antes da Páscoa, a terça-feira de carnaval se dá 47 dias antes. Isso está no site da UFRGS, na parte de astronomia. Esta conta dá certo!
Mas e o cálculo da data? Vamos aos fatos.
Para calcular o dia da Páscoa, divida o ano por 19, some 1 ao resto da divisão e você terá o chamado “número dourado”. Ele mostra a data da lua cheia pascal. Por exemplo, dividindo o ano de 1995 por 19 dá 105. O resto é zero. Some 1 a este zero e o resultado será 1. Procure a data no número 1 da tabela abaixo, que calcula a Páscoa de 1900 a 2199. A Páscoa é festejada no domingo seguinte.
Ufa, agora entendo o que os padres fazem nas horas vagas. Inventam regras as mais malucas e depois gastam seu tempo calculando o resultado dessas regras.
Ah, sim, a tabela secreta:
Número Data
1.........................................14 de abril
2.........................................3 de abril
3.........................................23 de março
4.........................................11 de abril
5.........................................31 de março
6.........................................18 de abril
7.........................................8 de abril
8.........................................28 de março
9.........................................16 de abril
10.......................................5 de abril
11.......................................25 de março
12.......................................13 de abril
13.......................................2 de abril
14.......................................22 de março
15.......................................10 de abril
16.......................................30 de março
17.......................................17 de abril
18.......................................7 de abril
19.......................................27 de março
Fui testar esta truncada fórmula para a Páscoa deste ano. Impressionante, deu certo. Você acha isso pouco importante? Lembre que todo o Carnaval do Rio de Janeiro, bem como o do resto do mundo, depende deste singelo cálculo. Viu só? Até isso está nas mãos da Igreja. Vejamos este ano.
Pegando 2008 e dividindo por 19 chegamos a 105, sendo o resto 13. Somando 13 com 1, temos o número 14. Olhando na tabela, 14 indica a data de 22 de março (sábado próximo). O domingo seguinte é o domingo de Páscoa (23 de março). Na mosca!
Partindo de 23 de março, fui contando para trás no calendário. Usando a dica do livro do Marcelo Duarte (voltar quarenta dias para chegar à quarta-feira de cinzas) chega-se ao dia 12 de fevereiro , o que está errado. Mas usando a dica da URGS (quarenta e sete dias antes) chega-se ao dia 5 de fevereiro, o que dá certo. Mas o resto da fórmula toda está certo, incluindo a tabela ali acima. Pode guardar, usar e calcular.
Não sei bem para quê.
Silvano – o rei da cultura inútil


NÃO DAVA PRÁ TER FALADO DE BACALHAU?
Claro, claro! Amanhã, dia santo para os católicos, estarei degustando as artes culinárias do Flavinho, meu cunhado, especialista em animais e frutos do mar. Mesmo não sendo católico, entregar-me-ei a este ritual tão difícil de ser cumprido. Mandar bala num peixe frito, destroçar camarões graúdos, abocanhar lascas enormes de bacalhau. Estes católicos......


MAS E COMER CARNE?
Comeria e como com o maior prazer. Aliás, ano passado comemos um delicioso churrasco no litoral gaúcho, num alegre encontro com amigos. Vai ver que é por isso que sou amaldiçoado. A maldição de viver numa boa e tentar ser feliz.


20/03/08

14 março 2008

Coisa de Gordo - 367


367 – Plantão Calórico
Nessas correrias de feriados, andei desbravando certas terras desconhecidas, algumas cidades novas e me dediquei a fazer alguns plantões, aqui e ali. Estando em tais locais de trabalho, mergulhado nas rotinas de Postos de Saúde, Hospitais e congêneres, percebi uma coisa que me soou familiar. Sim, é algo que eu já sabia, mas meio que tinha esquecido.
Fazer plantão engorda!
As horas vão se sucedendo, as situações se apresentando, e as pessoas que trabalham assim buscam certos subterfúgios para ficarem acordadas. Ou pelo menos, mais atentas. Elas passam a comer!
Cena comum no meio de uma madrugada é alguém tirar do bolso um pacote de Bolacha Recheada, um pacotinho de Elma Chips, uma caixa de Bis Lacta e outros recursos mais. Aquela lerdeza das quatro da manhã, aquilo que alguns chamam de “lombeira” é muito bem combatida com coisas calóricas.
De tal sorte que é comum as pessoas que trabalham em ambientes assim (hospitais, clínicas, etc) acabarem por engordar. Perceba então que se o regime de plantão, ou o regime de trabalho noturno já contém em si um quê de insalubridade, dever-se-ia acrescentar a isso esse risco adicional. Comer demais. Comer mal. Comer em excesso.
Ninguém que esteja de plantão pensa em comer alface ou chá de acelga. Não, isso está fora de questão. O que se pede para comer nessas horas é Cheese-Bacon, Prensado reforçado, Batatas Rufles. Tudo isso regado a Coca-cola (que raramente é light). Os funcionários buscam um refri para beber e quase nuna se lembram de trazer um light. Pode ser que alguém da turma não goste. O refrigerante normal, doce, bem calórico, é quase que regra, portanto.
Voltei no tempo, época em que era bem mais jovem e lembrei de quando trabalhava no Pronto Socorro Cruz Azul, em Porto Alegre, ainda como interno. Uns meses depois voltaria para trabalhar com médico. Numa certa noite, movidos por este desejo intenso de comer madrugada adentro, um médico de plantão na Clínica Geral (o Dr. Tita – apelido carinhoso de um atualmente renomado cirurgião de cabeça e pescoço) cumpriu uma coisa que prometera em ocasião anterior. Ele dissera que traria uma forma inteira de Pimentões Recheados, uma especialidade culinária da mãe dele. Altas horas, da noite, o movimento mais calmo, ele foi na casa da mãe e trouxe o prato. Loucura total, delícias a mil no meio da madrugada. Lembro de comer aquele saboroso Pimentão Recheado. E lembro que havia uma euforia no grupo, os médicos, os internos, os funcionários, motoristas, enfim, todos confraternizando no meio da noite.
Isso é uma coisa interessante. Com o passar das horas as classes sociais vão se diluindo, as estranhezas vão sumindo e formam-se bons grupos de trabalho, grupo de parceiros, amigos.
Volto aos tempos atuais, recordo de outro plantão que andei fazendo, vinte e quatro horas, meio de um feriado. Chegada a hora do almoço, os funcionários se reuniram e combinaram de fazer um churrasco. Fizeram uma vaquinha, compraram uma carne simples, mas deliciosa, associaram uma salada de maionese e um arroz. Pronto. Estava feito o banquete. Enquanto atendíamos os pacientes do final da manhã, os vigilantes e motoristas assavam a carne nos fundos do Posto. Foi um dos melhores almoços que lembro em tais locais. De dar água na boca!
Eis a constatação. Fazer plantão engorda! E não pense você que isso se restringe à área médico-hospitalar. Tem muita gente que faz plantão por aí e incorre no mesmo risco. Pessoas de informática, mantenedores de sistemas computadorizados, verdadeiros vigilantes da tecnologia. Também eles comem noite adentro. E por aí afora, temos os vigias, os policiais e tantas outras classes profissionais. Dê uma conferida na circunferência abdominal de tais servidores. Frequentemente estará acima do esperado.
Fazer o quê? Ficar acordado dá trabalho....
Silvano – com sono mas sempre com fome


OS OVOS DE RAPADURA ESTÃO BOMBANDO
Sabe os Ovos de Páscoa feitos de rapadura que citei em linhas abaixo? Viraram mania, estão bombando. Não perca seu tempo, faça uma páscoa diferente. Além dos Sonhos de Valsa e Diamantes Negros, incremente sua festa com Ovos de Rapadura.
Você vai gostar. Como diria o “Seu Creysson”....eu agarântio!


14/03/08

12 março 2008

Receitas On Line


Recebo comunicação de um site muito legal, chamado RECEITAS SIMPLES E RÁPIDAS. É um site de receitas culinárias super-completo, bem variado. Há toda uma série de categorias já na página de abertura, quais sejam: Bebidas, Carnes/Aves, Churrasco, Diet, Doce, Entradas, Lanchonete, Leite e Derivados, Molhos, Pães, Papinhas para bebês, Pastas, Peixes, Risotos, Saladas, Sobremesas, Sucos, Sopas e (UFA!) Vegetarianas. Clicando em qualquer uma delas, você é direcionado para um lista, escolhe o que quer e clicando no título acessa a receita completa. E ainda por cima Simples e Rápida.
Pelo linguajar, cheguei a pensar que se tratasse de um site português, mas entrando em contato com seu mantenedor descobri que o cara é daqui mesmo. O nome do autor é Rodrigo, apelido Kaneda, e ele informa que as receitas são enviadas por internautas. A coisa toda é mantida a partir de Ribeirão Preto-SP.
Está dada a dica, portanto. Vale a pena o passeio.
http://www.receitassimples.com.br/
E numa hora de aperto, jantar marcado de última hora, visitas inesperadas, tentativas de impressionar aquela vizinha...já sabe, é só dar uma clicadinha aqui ao lado e se deliciar.
Vou deixar o LINK na minha lista de imperdíveis aqui ao lado.
Silvano - aprontando

10 março 2008

OVO DE RAPADURA?


A Páscoa se aproximando, você deve estar atarantado(a) atrás de ovos de chocolate, barras da Nestlé e outras coisas mais. Pois sempre há uma novidade para rechear a sua Páscoa! Nossas amigas do ARMAZÉM URBANO, loja aqui de Santo Antônio, estão oferecendo para esta Páscoa uma coisa inédita, inusitada, sensacional.
Acredite, você pode comprar para a Páscoa um OVO DE RAPADURA!
Confesse que esta você nunca tinha visto. Os caras inovaram e estão aproveitando para juntar duas culturas. Santo Antônio é a Terra da Rapadura. E são tempos de Páscoa. Pois agora tais coisas se sobrepuseram.
Os ovos são deliciosos, e vêm em três versões:
- Leite Condensado com Coco;
- Rapadura Especial;
- Pé-de-Moleque com açúcar mascavo.
Todos são de rapadura! O formato é aquele padrão de ovos. Pesam 500g. E agora o preço. Segure-se diante do monitor. Você não vai acreditar. Cada ovo custa 10,00 !
Vá correndo comprar os seus ovos de rapadura. Pessoas de fora podem tentar encomendar por telefone. O número é (51) 36621438. Fale com a Márcia ou a Cléia. E garanta uma páscoa diferente para os seus.
Como diria o Walter Mercado..... “ligue djá!”.
Silvano - adocicado

06 março 2008

Coisa de Gordo - 366


366 – Reticências
A língua portuguesa, essa nossa idolatrada, tem seus encantos e alegorias. Nós que nos dedicamos a ler sabemos bem disso. E se nos dedicamos a conversar também nos defrontamos com isso. Ela oferece palavras as mais variadas, as mais belas, tem verbos e advérbios inigualáveis. E paralelo a isso, essa mesma senhora sedutora (a “última flor do Lácio”) traz algumas armadilhas.
Sim, quem nunca deu uma escorregada no português? Todo mundo já deu!
Quando mais jovem, a gente tropeçava até no uso da crase. Com o tempo os erros ficam mais profundos. Concordâncias e sintaxes mal-feitas passam a nos assombrar. Metáforas mal utilizadas batem à nossa janela.
Modismos vêm e vão, como as ondas da Praia de Garopaba (idéia fixa), de tal sorte que ninguém mais agüenta o “gerundismo” que andou invadindo os textos e conversas telefônicas. “Eu vou estar ENVIANDO o documento amanhã!” Eu pessoalmente vou estar JOGANDO o telefone na cabeça de quem continuar falando assim.
E por fim há as armadilhas da língua. Os desvios, os descaminhos, as vielas úmidas e tortuosas e até as areias movediças estão ali, no cenário de quem fala ou escreve.
Uma dessas armadilhas fazia e faz parte de meu dia-a-dia, coisa que uso muito em meu ambiente de trabalho. E olha que eu nem sabia dos riscos que estava correndo. Estou falando das reticências...sim...esses simpáticos três pontos sucessivos dos quais tanto me sirvo. Imaginava que elas eram usadas como um recurso de preguiça, a gente já tinha escrito a frase toda, faltava uma palavra e aí encerrava com elas, as reticências.
Usei de tal estratagema até o dia em que debati tal assunto com uma amiga minha, psicóloga de muitas luzes, doutorada em Lingüística, que me advertiu dos riscos das reticências. As reticências, alertou-me ela, abrem portas para qualquer coisa. Você escreve uma coisa e ao colocá-las no texto, permite que a pessoa que está lendo preencha o espaço com o que ela bem entender.
Fiquei intrigado com aquilo, mas acabei percebendo a veracidade de tal afirmação. Sim, amigo(a), as reticências são algo como uma areia movediça da língua portuguesa.
No meu labor, ia prescrever uma receita para uma criança com febre, resfriada e colocava assim:
REMÉDIO TAL........................1frasco
Dar 15 gotas via oral de 8/8horas, para resfriado, gripe.....
Percebeu o risco? A mãe do Fulaninho podia preencher a frase com o que ela quisesse. Ela pensaria: “Posso dar esse remédio para gripe, resfriado, visita da sogra e TPM!” Pronto, estaria feita a confusão.
Você deixa um bilhete ou manda um bilhete para seu chefe dizendo: “Romualdo, não pude ficar até a hora da reunião. Não deu....”
Aí o tal do Romualdo pode preencher a frase com “...para agüentar esta tua cara de canalha. Fui embora para casa assistir a Sessão da Tarde”. Viu só o tamanho da confusão?
Sua vizinha de prédio, aquela loura escultural, lhe pede que a auxilie na montagem de um armário novo. No bilhete que ela deixa sob a sua porta está escrito: “Oi, vizinho. Você poderia me ajudar a montar um armário novo que comprei? Traga martelo, chave de fenda e furadeira que o resto eu providencio...
Você enlouquece, uiva virado para a lua, toma uns três banhos, se cobre de perfume, enche o bolso de camisinhas e bate à porta dela. Ela abre a porta com um bebê no colo, mais dois gêmeos fazendo barulho e a avó por perto. E ao vê-lo, diz: “Que bom que você trouxe tudo. Os parafusos e as buchas eu comprei. Pode entrar.”
Viu a confusão na qual você quase se meteu? Disfarce esse volume sob a calça e trate de marcar os buraquinhos na parede. E cuidado para não furar nenhum cano de água! Bonitão, hein, crente que ia dar um malho na louraça. Tudo culpa das reticências, tudo culpa das reticências...(ih, olha elas aí!).
Pelo sim, pelo não, cuidado com o uso delas. Dão um charme ao texto, dão até um certo ar de mistério. Mas abrem porta para as maiores confusões.
Silvano – reticente... (mas vem cá, eu não acabei de avisar?)



BANRISUL – a resposta
Comentei aqui acerca da campanha que deflagrei junto ao Banrisul para que eles abram uma Agência em Garopaba de dezembro a março, que é para a gauchada gastar mais, mas gastar bem. Enviei e-mail ao FALE CONOSCO e veio esta resposta, que, por decência, transcrevo aqui: Prezado(a) Cliente, agradecemos o acesso ao nosso site. Em atenção a sua mensagem, informamos-lhe que O Banrisul disponibiliza durante o período de veraneio diversos equipamentos de auto-atendimento no litoral Gaúcho e Catarinense, neste ano em Garopaba disponibilizamos uma segunda máquina na Feira de Verão, sendo que a do Super Silveira opera o ano todo. Informamos, ainda que, neste período estes equipamentos são totalmente terceirizados não exigindo envolvimento por parte dos empregados da agência Tubarão. Neste ano de 2008 o Banco está pondo em prática Projeto de Expansão para Santa Catarina onde estamos avaliando, tecnicamente e economicamente, os locais a serem contemplados com novos pontos de atendimento. Além disto, o Banco está executando parcerias com estabelecimentos comerciais onde serão disponibilizados correspondentes bancários, locais em que nossos clientes poderão efetuar pagamentos de contas e encargos, saques e depósitos. Leonardo Lucas – Analista Banrisul S/A - Unidade de Gestão Corporativa


A CAMPANHA CONTINUA NO AR
Acesse a página do Banco, vá ao FALE CONOSCO e peça para abrirem uma agência em Garopaba. Quando estiver veraneando lá na próxima temporada, você vai lembrar de mim.


ENQUANTO VOCÊ ESTIVER LENDO ESTE BLOG...
...eu estarei junto ao Mestre da Janela (Costela Bovina assada inteira), o Professor Zeca e sua esposa Sônia. Retorça-se de inveja, morda o lábio de fome, enquanto eu me atraco naquele costelão. Sim, fui convidado. Que janta a me esperar!!


06/03/08

04 março 2008

O Poeta



Você já tem lido algumas poesias dele. Agora associe o texto com a figura humana. E entenda porque o cara é inspirado. Camiseta branca (será que seria Hering?), jaqueta no braço, e a mais bela paisagem do mundo ao fundo, o poeta FLÁVIO TESSER diz a que veio.

Um dia...ainda quero fazer uma foto dessas...será que vai ser nesta vida?

Silvano

Um livro: A DANÇA DO UNIVERSO


Sempre fui um pouco descrente com essas celebridades que vêm a público para falar de seus conhecimentos. Por exemplo, o Dráuzio Varela não é o médico mais ilustrado para falar de medicina. No entanto, ele é quem está na mídia. Acaba que ele é que vai ser ouvido.
Já me disseram o mesmo acerca dos livros do Peninha, essa série de livros sobre História do Brasil que vende aos borbotões. Antes havia todo um preconceito sobre História do Brasil, a gente gostava mesmo é de estudar História Geral. Pois o Peninha (Eduardo Bueno) meio que mudou essa coisa, trazendo interesse e IBOPE aos fatos ocorridos em terras brasilienses. Um amigo meu, historiador, já comentou comigo que no meio especializado o Peninha não é muito considerado. Ele é inscrito naquela classe de jornalistas que adentram a seara dos historiadores. E no entanto, seus livros vendem como água e ele é que está na mídia.
Na esteira deste processo (olha o cacoete de linguagem aí, gente), quero comentar hoje um belo livro do Marcelo Gleiser. O Gleiser é um físico, professor de física e astronomia nos Estados Unidos, que de uma hora para outra ganhou um quadro no Fantástico, passando a ilustrar as noites da rede Globo. Virou celebridade. Está na mídia.
Há outros livros dele, mas quero falar de A DANÇA DO UNIVERSO. Livro instigante, ágil, divertido, e que traz embutido em si algumas preciosidades. Coisas que a gente nem imaginava. A proposta geral do livro é partir de conceitos antigos do Universo e chegar até o conceito atual, sua origem e seu fim. Iniciei, portanto a leitura, imaginando que viajaria por entre nebulosas e galáxias perdidas, volitaria por entre galáxias transversas e estudaria a intimidade de sóis e cometas longínquos. Mas não foi isso que aconteceu.
O livro abre com o Mito da Criação e imediatamente nos leva a um passeio pela história da Filosofia. Claro, o enfoque é sempre esta questão da Terra e do Universo, mas acaba que o autor nos dá um cronograma delicioso sobre a Filosofia ao longo dos tempos. Ele parte lá dos gregos antigos e vem vindo, falando de um por um, descrevendo detalhes.
Aliás, eis outra qualidade deste livro. Quem o lê tem a impressão de uma certa intimidade entre o personagem citado e o autor do livro. O Marcelo Gleiser comenta coisas da grande e da pequena vida dos caras. Fala dos feitos famosos, mas comenta também as picuinhas, as antipatias, os chiliques de ciumeira tão comuns entre gênios e cientistas.
E assim a gente vem aprendendo um monte sobre Filosofia ao longo da História da Humanidade. Com diagramas ilustrativos e tudo o mais.
No passo seguinte ele nos leva, então, aos dados históricos sobre cientistas. E aí vêm aos nossos olhos os dados de Galileus, Copérnicos e gente famosa mais. A história vem vindo, vem vindo, passa por Einstein e chega aos dias de hoje. Mais uma vez, a narrativa é recheada de casos pessoais, impressões maliciosas, disputas territoriais e outras vaidades. Mas acima de tudo paira a ciência humana, o saber da humanidade, numa espécie de desabrochar. As sombras da ignorância sendo retiradas do caminho do homem, passo a passo, projetando-o ao saber e saber e cada vez mais saber.
Não tem como na lembrar daquela frase do pensador que dizia algo como isso: - “Quanto mais sei tanto sei que nada sei!” Sim, esta é a situação da humanidade. A cada página virada, surgem centenas de outras. A cada passo dado em frente, mil caminhos se abrem.
Enfim, um livro dos mais interessantes. Na sua parte final, inevitavelmente o autor desemboca entre prótons e nêutrons, mas creio que isso era inevitável. Gosta-se mais, portanto, do terço inicial do livro, parece mais interessante. A parte final é interessante, mas pode entediar alguns mais distraídos.
Imperdível. Nota: 9,0!
Nas Americanas custa apenas 19,90.
Silvano – com a cabeça nas nuvens e nas estrelas

28 fevereiro 2008

Coisa de Gordo - 365


365 - H2OH e AQUARIUS
Quando do lançamento dessas “águas” com sabor, escrevi aqui que as achava meio sem graça no gosto e no gás. Tanto a H2OH (da pepsi) como a Aquarius Fresh (da Coca-cola) têm essa nuance. Têm menos sabor que as sodas limonadas e menos gás do que qualquer refrigerante. A aceitação do mercado foi impressionante. Virou febre! Onde você estiver comendo, lanchando, etc, sempre haverá alguém bebendo uma delas.
Intrigado, voltei a degustá-las e me surpreendi. De fato, tais bebidas são uma transição ótima entre água e refrigerantes. E aqui eu obtive um ótimo resultado.
Bebedor assíduo de coca-light, buscava me libertar um pouquinho desse vício. Comecei a beber H20H! Aos poucos fui substituindo, trocando, me acostumando. Junto a isso, voltei a beber água gelada, que ainda é a melhor bebida que existe.
Foi a coisa mais engraçada. Dia desses fui beber uma lata de coca-light num almoço de bufê e achei forte. Veja você. Eu achando coca-light forte... Resultado? Não consegui beber toda a lata. Essa foi ótima.
Essa coisa de beber refri é uma loucura. A gente bebe nos fins-de-semana. Começa a beber também na segunda, depois na terça, quando se dá conta está indo ao Super na quarta comprar mais refrigerante. Quando se dá conta, a gente está bebendo todos os dias.
As tais “águas” com gostinho de limão e com menos gás seduzem ao público jovem e de outras faixas com um outro apelo. Elas se vendem como coisas mais, digamos assim, naturais. A gurizada bebe julgando estar sendo “vida ativa”, cara limpa, etc. No rótulo de ambas a gente vê que não é bem assim. Os corantes e edulcorantes e acidulantes estão todos lá. Em menor quantidade, creio eu, mas estão todos lá.
Outra jogada maliciosa deles foi lançar os “litrões” com apenas 1,5 litros. Aí o consumidor vê na prateleira todos os refris de 2 litros e as tais águas ali, do ladinho. Olha o preço e se agrada. Puxa, está mais barato que a coca! Ledo engano! É que tem menos líquido nas garrafas.
Mas vieram, se instalaram e vão muito bem, obrigado. Nas academias e outros ambientes emagrecedores batem ombro a ombro com os gatorades da vida.
Mas comentei a questão de ter voltado ao culto da água gelada. De fato, os tempos de calor são mais convidativos a isso. Beber água. Comecei me brindando com um ritual que considero dos mais deliciosos. Pego a garrafa de água (em geral um Pet vazio de coca-cola) cheia e a coloco no congelador. Sem pressa. Um bom tempo depois volto ali e, antes do congelamento, a retiro da geladeira. O ponto ideal para isso é aquele momento em que já se formaram dentro da garrafa os primeiros cristais do congelamento. A gente saca a garrafa, perto do bocal o líquido já endureceu. Aí se aperta a garrafa por fora e os cristais quebram, formando um líquido misto dentro da garrafa. Uma parte já é cristal, a outra ainda é líquida. Olha, é difícil parar de beber.
Já existe por aí uma legião de adoradores da água, água mesmo. Tem um cunhado meu que programou na tela do computador um aviso, de tal sorte que, de quando em quando, aparece o aviso: - Está na hora de outro copo de água! Ele pára o que está fazendo e vai lá se hidratar.
Fica a sugestão. Beba e se delicie com a Aquarius Fresh (que tem sabor limão e tangerina), com a H20H, mas acima de tudo lembre que no topo dessa pirâmide está a boa e velha água gelada.
Silvano – glacial


CORRUPTO, VIOLENTO E RACISTA
Ninguém desconhece minhas opiniões acerca deste país em que vivemos, o nosso Brasil varonil. Costumo dizer que este é um país de faz-de-conta, onde se rouba e se debocha da cara da população como em nenhum outro lugar. Agora vem a ONU dizer e confirmar isso tudo. Num documento oficial, a ONU declara que o Brasil é “corrupto, violento e racista”. Senão vejamos.
CORRUPTO – ora, como esquecer do Mensalão implantado pelo PT? Como esquecer do escândalo do Detran gaúcho? Como esquecer de Waldomiro Diniz, do José Dirceu, do Maluf, do Sérgio Naia e dos dólares na cueca? Como esquecer da família Sarney? Da família Magalhães (ACM)? Da família Maluf? (de novo). De fato, isto aqui é o antro da corrupção.
VIOLENTO – sim, batemos as mortes do Vietnã todo ano, só nas estatísticas do trânsito. Que dizer dos assassinatos e da bandidagem? Das barbáries cometidas pelo MST? Das invasões? Do truculento assassinato do prefeito Celso Daniel? De fato, isso aqui é a casa da violência.
RACISTA – na mosca! Um país que classifica os vestibulandos pela cor de sua pele merece a medalha de ouro do racismo. Apesar de na Constituição estar escrita uma coisa, o atual sistema de COTAS implantado goela abaixo nas universidades federais confirma o laudo da ONU. Somos racistas, sim!


28/02/08

21 fevereiro 2008

A PIADA DA ZERO HORA


Essa Zero Hora...
Minha mãe é assinante deste brilhante jornal do grupo RBS, a Zero Hora. Ao sair de férias, ela transferiu sua assinatura aqui para minha casa, em Santo Antônio, pelo período de quinze dias. Os caras se enrolaram, ficaram telefonando e alegaram que, no “sistema deles” a minha rua não existe e deve ser em “zona rural”. O mais engraçado de tudo é que moro coração da cidade e, ACREDITE, já fui assinante da mesma Zero Hora por anos. Neste mesmo endereço.
Para arrematar com chave de ouro, recebo agora um e-mail deles me convidando a ser assinante de novo. Mas é muita cara de pau!
Se é de graça....eu moro em zona rural.
Se eu pagar....ops...a casa aparece dentro da cidade.
Quanta idoneidade, quanta transparência, que enorme senso de justiça e equidade.
Há,há,há...essa Zero Hora....
Silvano – sem jornal

UMA FRASE ARREBATADORA
“Justiça é o desejo firme e contínuo de entregar a cada um o que lhe é devido.”
Justiniano – imperador do Oriente