02 maio 2009

Coisa de Gordo - 426



426 – STAND UP
Há um tipo de humor que os americanos cultuam faz tempo e que nós, meros brasileiros, recentemente passamos a valorizar. Quem assiste ao seriado SEINFELD sabe do que eu vou falar. É aquele humor que os ianques chamam de “stand up” ou seja, um cara em pé, falando para a platéia.
Sou de um tempo que conheceu toda uma geração de comediantes e humoristas que ainda tentaram fazer esse tipo de humor. Mas não na grande mídia. Assim, havia todo um time formado por Agildo Ribeiro, Chico Anísio, Jô Soares, Renato Corte Real, Golias, Juca Chaves e outros. Esses caras tinham seus programas de humor nas emissoras de TV, sem fazer ali o modelo do stand up. Tal modalidade de comédia eles guardavam para suas apresentações pessoais, Brasil afora. Você, então, assistia o Chico Anísio com seus mais de duzentos personagens, mas só podia vê-lo fazendo a tal comédia de um homem só, em pé, num eventual show dele em teatro.
Talvez por isso esse gênero não tenha prosperado por aqui. Até um certo tempo.
Com iniciativas pessoais, aqui e ali, esse tipo de arte cênica vem se firmando diante de um público cada vez maior. Alguns grupos começaram a se organizar em turnês, apresentando esquetes, cenas do cotidiano, coisas inusitadas. Fomos assistir à trupe do Terça Insana, esses tempos, e nos deliciamos com o grupo da Greice Gianucas. Outros tantos pipocam por aí.
Tem um cara que é até gaúcho, o Rafinha Bastos. Já tinha visto ele na internet e agora o cara ocupou espaços.
O que sempre me intrigou é algo que ainda não entendo. Por que a grande mídia não abre espaço para essa arte? Será que é coisa de americano? Os raros casos em que apenas roçaram nisso foi para personagens ou imitações. Assim, na Escolinha do Professor Raimundo o André Damasceno interpretava o “Magro do Bonfa”, mas não podia ir além disso. Outros ficavam nas imitações, mas não faziam stand up. Aquele cara que faz o imperdível Joseph Cliver no esquete montado pelo grupo OS MELHORES DO MUNDO está completamente perdido e subaproveitado dentro do Zorra Total. Que é um programa de TV completamente detestável. Mas que a Globo mantém a pau e corda. Ou seja, no Zorra ele tem um personagem grotesco, nada que se aproxime da genialidade de todos os outras performances dele. Além do Joseph Cliver tem o “HERMANOTEU NA TERRA DE GODAH”.
Pois a Globo que se cuide. Existe um troço chamado YOU TUBE que divulga isso e muito mais. Assim, acessando o You Tube, você digita o nome de uma pessoa, ou de um grupo e lá aparece na hora todo tipo de show. E bastante stand up!
O que se vai fazer? Buscar fora o que não se tem dentro!
Desligue um pouco a TV convencional, conecte-se à internet e garanta uma agradável noite de risos e gargalhadas (como diria a chamada dos Três Patetas). Para tanto apenas acesse o You Tube e o resto os artistas farão. Deixo aqui abaixo algumas sugestões de links citados no texto. E como degustação um esquete de nome SANTA CEIA, executado pelo grupo OS BARBIXAS, ali na tela abaixo.
Silvano – o impossível


02/05/2009


Rafinha Bastos sobre trânsito e bebida de álcool:
http://www.youtube.com/watch?v=ByAVZp2muzU&feature=PlayList&p=4BF8AD01D92F3EFA&index=0&playnext=1

Hermanoteu na Terra de Godah:
http://www.youtube.com/watch?v=mDVGq69QHfY

Santa Ceia (Os Barbichas)

01 maio 2009

Para cinéfilos, dica de leitora

CINÉFILOS, APROVEITEM !!!
Sabe aquele filme que você gostou muito, mas cujo título você nem lembra, nem dos nomes dos atores, atrizes??..Seus problemas acabaram. Tudo o que você quiser saber (ou lembrar) sobre filmes estrangeiros em 65 anos de cinema está catalogado e está ao seu alcance. Tem a Ficha completa de cada filme. Antes de pegar filmes na locadora consulte este site feito por uma pessoa detalhista, cinéfilo há 65 anos. Um trabalho de alta qualidade. Clique no endereço abaixo e comprove:

http://www.65anosdecinema.pro.br/index.htm

Leitoras mandam coisas



ENVIADO POR MIRIAN
“Agora você pode transar com outras pessoas e manter seu casamento. Isso não é mais traição. É portabilidade.”


ENVIADO POR CÁSSIA
Olá. Acabei de ler "A Sombra do Vento", de Carlos Ruiz Zafon. É uma novela policial, leve, pra descansar a cabeça depois de uma semana de bastante trabalho. O livro é bem envolvente, o autor consegue manter a história interessante do começo ao fim. Vale a pena. Abraços.

25 abril 2009

Faço minhas as suas palavras...

23 abril 2009

Coisa de Gordo - 425


425 – UNANIMIDADE BURRA
Se tem um cara que era genial e que, na criação, era uma cabeça à frente do seu tempo, esse cara era o Nelson Rodrigues. E uma das frases clássicas dele é esta aludida aqui no título. Preconizava o Nelson: - “Toda unanimidade é burra!”
Na primeira vez em que li a frase achei-a meio escrachada, pensei logo: - O Nelson tá zoando com a minha cara! Não estava, não! Com o passar dos anos, a cada vez que me defrontava com a tal frase percebia que ela era pedra dura, era rocha, não tinha vindo para ser fugaz. Era uma afirmação que vinha para permanecer.
Assim, a cada vez que eu escutava alguém comentando uma eleição e dizendo que um certo fulano tinha sido eleito por unanimidade, eu dava de ombros e lembrava do Nelson Rodrigues. A cada vez que uma pesquisa de opinião era realizada, sei lá, entre os colegas de escritório, e TODOS escolhiam o Nogueira como o colega do ano, lá me vinha o Nelson Rodrigues de novo. Peraí, comecei a filosofar, isso não tem como ser assim, alguém deve ter alguma coisa, uma reles coisinha contra o Nogueira. Como pode ele ter sido eleito por unanimidade? Conclusão óbvia: - Que gente burra!
Chegando aonde quero chegar. Sendo ouvinte assíduo de rádio, cedo da madrugada já estou conectado nas antenas da comunicação. Por uma série de pequenos fatores, a rádio que escuto nesse horário mais cedo é a RÁDIO GAÚCHA , de Porto Alegre. O programa se chama Gaúcha Hoje, é ancorado pelo Antônio Carlos Macedo e o Daniel Scola. É um belo programa, recheado de notícias, informações, manchetes de jornais, opiniões de pessoas bem variadas. Manhã adentro, quando posso ouvir rádio, vario um pouco entre rádios locais aqui de Santo Antônio e outras emissoras de Porto Alegre.
Mas quero me ater à Rádio Gaúcha.
Em que pese eles tenham uma verdadeira constelação de atrações, radialistas dos mais variados naipes, é uma e duas e entra o tema FUTEBOL! Os caras falam muito em futebol. Senão vejamos. Neste programa matinal do acordar, nas chamadas de notícias eles dão placar dos jogos da noite anterior. Lá pelas sete e pouco entra o comentário do Silvio Benfica sobre....futebol. Mais um pouquinho e vem o dinossauro Paulo Sant'anna falando de temas variados, mas muitas vezes em...futebol. Perto das oito vem o Túlio Milmann com temas variados, que freqüentemente abordam....futebol. A partir daí, ao longo da manhã, todos os programas abrem parêntesis para...futebol. Aí o indivíduo sai do trabalho, tem que ir almoçar, pegar os filhos na escola, sei lá e então o que eles servem ao meio-dia? Um programa chamado Esportes ao Meio-Dia, onde se fala só de...futebol. À uma da tarde, começa o clássico Sala de Redação, cujo tema central é...futebol.
A tarde repete a ladainha da manhã, com todos os programas sendo invadidos por informes de futebol. Aí naquela hora crucial das seis da tarde quando você vai pegar o trânsito de volta para casa, eles oferecem um programa chamado Hoje nos Esportes que fala.....sim...sim...só de futebol. Às oito da noite, então o Pedro Ernesto De Nardin começa o Show dos Esportes, que definitivamente só fala de futebol. Resumidamente, essa é a grade da Rádio Gaúcha, isso em dias que não tem jogo de futebol. Nos fins-de-semana há outras atrações futebolísticas (No mundo da bola, Falcão na Gaúcha, etc..). Tudo, sempre sobre futebol.
Um parêntesis absolutamente necessário aqui. Sou colorado, GOSTO DE FUTEBOL, já fui sócio do Internacional na campanha em que fomos Campeões Brasileiros Invictos, nos idos de 1979. Já fui muito a jogo no Beira-Rio e em outros estádios. Torço pela seleção, meu guri me ensinou a assistir eventualmente os torneios da Europa, enfim, gosto da coisa. Mas não cabem os excessos. Há momentos para ver e falar de futebol. Mas não o dia todo!
Você não deve ter entendido nada até aqui. Como relacionar Nelson Rodrigues com isso aqui comentado? O que isso tem a ver com aquilo. Explico-me.
A cada vez que o Ibope faz levantamentos de audiência, os níveis alcançados pela Gaúcha estão mais altos! O programa matinal do Macedo e do Scola, anda batendo nos 75 a 80% de audiência. Já vi estatísticas de outros horários e a tendência é a mesma. Ou seja, vai me responder o dono da Gaúcha, fica quieto, Silvano, que quanto mais a gente fala de futebol, maior fica a nossa audiência. As outras rádios já perceberam isso e estão igualmente contaminando suas grades de programação com futebol. Que pena.
Uma noite, não tendo mais o que falar de futebol, escutei o Luciano Périco da Gaúcha entrevistar o motorista do ônibus que levaria o Inter para um jogo na serra. Ato contínuo, ele entrevistou o próprio ônibus, pois pediu ao motorista que acionasse a buzina do ônibus e transmitiu aquele som pelas ondas do rádio, pela internet, pela Sky. Sim, o cara entrevistou o ônibus do Inter. Meu cérebro derreteu e desliguei o rádio.
Ou seja, caro leitor, os caras estão banalizando a programação e estão conquistando todos, aproximando-se da tão temida unanimidade! O que mostra que a gauchada talvez seja burra! Além de estarem todos se conectando na mesma rádio, o fazem por causa de....futebol. Que pena.
Por favor, senhores radialistas, parem de tanto falar em futebol. Pode ser que a audiência caia um pouquinho, mas a cultura desse povinho vai agradecer. Entrevistar um ônibus...meu Deus do céu!
Silvano – o impossível


Do livro CONTOS E APÓLOGOS
“Prezado amigo, à maneira dos velhos peregrinos que jornadeiam sem repouso,busco-te os ouvidos pelas portas do coração. Senta-te aqui por um minuto...”
A partir de hoje, esta frase passará a ilustrar a margem de abertura deste blog. Fui flechado por ela, atingido, seduzido, sensibilizado. E carinhosamente decidi compartilhá-la com você.


23/04/2009

16 abril 2009

Coisa de Gordo - 424


424 – AINDA GRAMADO
Falávamos em Gramado. Lá estando, a gente se entrega a alguns prazeres que citei no texto anterior, coisas como chocolates, Sopas de Capeletti e outras iguarias. Mas citei também algo que se faz nessas pequenas cidades. Se brinca de morador.
Para compensar as noitadas calóricas, formamos um pequeno grupo de caminhadas matinais. Sim, era necessário gastar um pouco do que fora estocado.
Devo aqui fazer justiça a uma dupla de amigos. Anos atrás, hospedados na Estalagem St. Hubertus, nas imediações do Lago Negro, os amigos Rogério e Cristiane nos ciceronearam neste esporte, a caminhada em Gramado. Para um gordo isso soou estranho, naquela época. Como assim? A gente vem a Gramado para descansar, comer, passear.... mas caminhar? Ao que a Cristiane insistiu e nos levou a caminhar. Provamos desse fruto e gostamos.
Voltemos ao ano de 2009. No alvorecer dos lindos dias de Páscoa lá vividos, nos fardávamos de tênis, short e acessórios e íamos então caminhar pelas ruas de Gramado.
Por certo que se somavam fatores lúdicos. Uma cidade em princípio desconhecida, ou melhor que isso, uma cidade que não nos conhecia, onde éramos estranhos. O ar agradável da montanha. O silêncio das alamedas. As casas lindamente enjardinadas. Os bosques nos pátios. As araucárias. Os anões de jardim. A impressionante limpeza das ruas. O descompromisso, a conversa agradável. Enfim, tudo eram fatores que se somavam e nos embalavam naquelas deliciosas caminhadas matinais.
Aí a gente percebe que dá para ser feliz. Ou dizendo melhor. Percebe-se que basta organizar as horas dos dias e semanas, acomodando na correria das semanas e quinzenas um espacinho para caminhar, respirar um ar mais limpo. Brincar de ser saudável, por que não?
Sentindo aquele ambiente tão acolhedor, tão mágico, esse das horas silenciosas da manhã, estive a filosofar. Imagino que espécie de aura espiritual envolve uma cidade como Gramado. Imagino a espécie de Espíritos que por ali gravitam, proporcionando a nós, meros mortais, uma sensação tão grande de prazer e calma. Uma quase que paz de espírito.
Contrário a isso, lembrei de outras cidades mais litorâneas, mais quentes mais lascivas. Lembrei também das ruas sujas e do povo que para lá migra em veraneios. E igualmente imaginei uma aura espiritual, só que bem mais pesada.
Será que isso é mesmo assim? Locais mais frios, mais arejados, mais altos, seriam lar de Espíritos serenos e elevados? Ao passo que locais mais quentes, mundanos, promíscuos dariam guarda a Espíritos mais baixos, agitados? Fica a pergunta no ar. Óbvio é que não se pode generalizar, mas sentindo aquela paz toda foi o que me ocorreu.
O ar frio invadiam meus pulmões sedentários, vez que outra eu ofegava, a poeira no tênis (parado no guarda-roupas fazia um tempo) também pesava. Mas nada nos detinha, havidos que ficávamos de dobrar mais uma esquina, vislumbrar uma casa enfeitada, um chalé misterioso e continuar a passear.
Na sua próxima ida a Gramado, reserve um tempo para isso. Acorde um pouquinho mais cedo. Curta mais essa delícia da serra. Abra seus olhos, suas narinas, seus poros para perceber enfim que lá, nos altos daquelas montanhas, existe bem mais que chocolate, vinho e fondue. Há paz, e mais paz, e muita paz.
Roubando (e modificando) os versos cantados pelo ROUPA NOVA na música CRISTINA, diria:
O dia invade meu quarto, nem percebi
Que as horas que passamos foram segundos.
Mil motivos prá te amar, Gramado!!..
Silvano – o impossível

16/04/2009

Vergonha Gaúcha


Nesses sucessivos escândalos que o Senado Federal nos proporciona, ficamos sabendo que aquela nobre casa possui mais de DEZ MIL funcionários com salários altíssimos, para atenderem apenas OITENTA E UM senadores! Dá mais de cem por senador! Aí foram perguntar ao Pedro Simon (senador bagual) o que ele achava disso. Ele fez cara de surpresa, (mais de dez mil ???!!) e por fim confessou que eles votavam os projetos sem saber do que se tratava! Sim, ele desconhecia que tinha votado na aprovação de tantos cargos. VERGONHOSO! E incluo nesse constrangimento os outros dois senadores gaúchos, o PAULO PAIM e o SERGIO ZAMBIASI. No mínimo, foram omissos. E o pior é que não moveram uma palha para mudar o descalabro! Verdadeira vergonha gaúcha! Os outros estados que cuidem de seus Sarneys e Salvattis. A nós, dos pampas, resta puxar a rédea dessas três antas que lá estão se refestelando. Com o nosso dinheiro.
Silvano - indignado

09 abril 2009

Coisa de Gordo - 423


423 – GRAMADO
Se você olhar a cidade de Gramado com olhos de urbanidade, verá apenas uma pequena cidade do interior do Brasil. Nada mais que isso. Se viesse um habitante de Marte e ali aterrissasse, pedindo informações, diríamos se tratar de um pequeno aglomerado urbano, algo em torno de quarenta mil habitantes, situada entre no alto da serra gaúcha. O marciano daria uma olhada, faria umas anotações, entraria na sua nave e iria embora.
Gramado era uma cidade como outra qualquer, até que um dia, um prefeito captou no ar uma predestinação daquela comunidade, liderando o nascer de uma pequena metrópole turística. Baseado na cultura alemã, arrumou, pintou, emperiquitou, perfumou a tal cidadezinha e começou a espalhar por aí que ali se passava bem. Descansava-se. Faziam-se as mais belas fotos. E se comia o melhor chocolate.
Passadas umas poucas décadas, Gramado é destaque nacional em Turismo, a paulistada toda desce o país em busca de conhecer Gramado.
O que se faz em Gramado? Ora, come-se e bebe-se do melhor. Isso já se sabe. E aí a gente anda um pouquinho mais e vai até Canela, cidade vizinha que também já acordou para a riqueza da indústria do turismo. E tem Nova Petrópolis, São Chico, e outras cidades ao redor, todas sequiosas de beberem dessa fonte.
Mas o que mais se faz em Gramado? Bem, a gente pode caminhar despreocupadamente pela avenida central, parar na calçada para abraçar um amigo, rir das bobagens da semana, comer uma barrinha de chocolate na Lugano. Dar uma volta pelo Lago Negro, andar de bicicleta, e outras coisas mais.
Ora, o que há de tão maravilhoso nisso, andar de bicicleta e encontrar amigos na calçada em frente à praça? Você que mora em cidade pequena, como eu, talvez não perceba. Mas os milhares de habitantes das metrópoles pagam mundos e fundos para poderem fazer, em cidades pequenas bem estruturadas, aquilo que eles não podem fazer na sua grande cidade. Coisas como pedalar até ali, despreocupadamente, buscar o pão na padaria da esquina, coisas assim.
Percebi tal ritual humano ainda em Garopaba, ao sentar olhos na leveza do coração com que os turistas faziam essas pequenas coisas. E aí me dei conta de que é isso que se vai fazer também nas praias. Brincar de cidade segura. Brincar de ser vizinho dos outros. De jogar vôlei com a turma da rua. Caminhar até a esquina e voltar, só pelo prazer de ver os jardins.
Pois bem, Gramado se permite a tal papel. Ora – dirá você – mas então qualquer cidade pequena pode fazer igual. Nã, nã, nã....aí entram os diferenciais. Os caras decidiram fazer uma cidade legal. E fazem isso a cada dia. E cada vez melhor.
A cada vez que se vem a Gramado as coisas estão melhores. As ruas mais arrumadas. Os canteiros mais floridos. As estradas mais sinalizadas. Então quem sobe até ali sabe que vai passar bem. Muito bem.
A oferta de restaurantes é imensa, os passeios são diversificados, isso todos sabem. E o frio?
Em pleno inverno, a cada vez que a imprensa noticia neve a gauchada toda entra em seus carros e sobe a serra para “pegar neve em Gramado”. Aí a gente cancela compromissos, bota as crianças no banco de trás, puxa a mulher e se toca prá Gramado. Lá chegando...às vezes até que se vê um floquinho de neve,ou dois. Aí se bebe um chocolate quente e caro, e mais tarde se desce pela estrada em direção ao lar, feliz pela tentativa.
Essa é a magia dessas cidades iluminadas. Despertarem em nossas imaginações esses sonhos tão fugazes e improváveis. Mas que nos fazem felizes. Para quem vem da metrópole, “brincar de cidade pequena”. Para quem vem do interior, brincar de cidade limpa e organizada. Cidade com mil possibilidades de consumo. Que as nossas pequenas cidades não têm.
Por isso voltamos a Gramado. De novo. E ainda mais outra vez. Amanhã é sexta-santa? Dia de jejuar? De recolhimento? De moderação? Ah, não..peraí...a gente se mata a semana toda, o mês todo, só para poder dar uma fugidinha aqui e abocanhar toda essa doçura. Não só dos fondues.Não só dos chocolates.Não só do ar contagiante. O que se quer é abocanhar o sonho de se viver em Gramado. Nem que seja só por uns dias.
Feriado santo? Bobagem. Me dá um pacote de chocolate branco que quero passear por ali, sem pensar em mais nada.
Feliz Páscoa.
Silvano – impossível...profano...e adocidado

08/04/2009

03 abril 2009

Coisa de Gordo - 422


422 – BIOGRAFIA
Por uma dessas coisas inusitadas da vida, foi-me pedida uma biografia. Calma, já explico. Em parceria com um amigo meu de Espiritismo, estamos alinhavando a publicação de um livro. Na esteira desse processo (cacoete meu de linguagem a tal da esteira e o tal do processo), a gente tem que ver um monte de coisinhas, detalhes que vão surgindo aqui e ali. Uma dessas coisas é a orelha do livro.
A orelha do livro é aquele apêndice, aquela sobra de papel que você vai usar como marcador de página. É um espaço curto, exíguo, e ainda por cima com uma pequena foto.
E aí começou minha agonia. Uma foto e uma biografia. Minhas!
Não gosto de ser fotografado, não fico bem em fotos, e tal se dá por motivos óbvios. A gente não gosta de expor os excessos, o que sobra. Então é melhor que não se vejam certas coisas. Mas a tal orelha do suposto livro faz jus a uma foto. Então tive que desencavar, buscar, desenterrar uma foto e já enviei à diagramadora.
Restou a biografia. Imagine você fazer uma autobiografia. Num curto espaço, são apenas seis ou oito linhas dum A4 no Word. Nada mais. Você tem que ser sucinto, claro e objetivo.
Passei a perder o sono com isso. O que colocar na tal biografia? E o que omitir?
O que foram fatos determinantes para que eu chegasse ali, na orelha de um livro? O que poderia interessar ao público leitor?
Sendo um livro com viés espírita, algumas coisas dessa caminhada teriam que ser relacionadas.
Uma coisa me pareceu clara. Uma vida resumida num espaço tão pequeno vai ser apenas um espectro, um reflexo, uma pequena ilusão do que foi na verdade uma vida. E também há que se considerar outra coisa. Os editores imaginavam que isso iria acontecer e para evitar que o autor escrevesse outro livro com a sua biografia determinaram esse limite de espaço. Uma orelha!
E tem mais. Que grandes coisas aconteceram na minha vida que valessem a pena ser contadas e impressas? Muito poucas, muito poucas. Na verdade trata-se, caro(a) leitor(a), de uma vidinha comum, normal, destituída de grandes arroubos e tempestades. Os fatos por mim vividos só a mim impressionam e, por certo, seriam enfadonhos aos olhos de um público maior.
O que colocar na biografia? – meu Deus que agonia (até rimou).
Acabei pedindo ajuda a minha Mãe que então redigiu uma sucinta biografia. No material que enviei para a orelha tive que suprimir certas coisas que só mãe vê e colocar umas que ela não tinha como saber.
Fiquei então imaginando que, na verdade, cada pessoa possui VÁRIAS biografias. Tudo depende do público que vai ler. Se se vai escrever para fiéis católicos, a gente só vai falar de missas e hóstias. Passando de leve pelas lembranças do colégio de freiras, as irmãs bondosas, as irmãs cruéis e as irmãs gostosas (não lembro de nenhuma assim).
Se o público alvo é de futebol, as narrativas vão girar em torno de campeonatos, taças, pênaltis não marcados, Copas do Mundo e coisas de vestiário.
Se o alvo forem advogados, o texto fluirá por entre mandados e petições, recursos e alvarás. Não esquecendo de juízes e promotores.
Assim, ouso ensaiar uma biografia para os leitores do COISA DE GORDO: nascido no interior gaúcho, em meio às coxilhas do Pampa e às mantas de charque de ovelha, o pequeno Silvano (será que era?) logo disse a que veio. Mamava insistentemente dia e noite. Nos meses seguintes degustou de tudo que lhe ofereceram, chegando ao extremo de ser arrancado à força da cozinha, com os dentes recém surgidos cravados numa lingüiça temperada. Nos anos tenros de sua infância foi apresentado àquele que seria seu companheiro de caminhada, seu peito amigo, sua “cachaça”, sim ele conheceu o LEITE CONDENSADO. Na juventude descobriu novos sabores, momento em que adquiriu um vício eterno: - comer limão com sal. Passa os dias entre receitas de culinária e temperos. Fã incondicional de Coca-Light, permite-se degustar outras bebidas mas sempre volta à fonte. Para a população mundial, um exemplo de desperdício. Para os psiquiatras, um caso perdido. Para os amigos, o impossível. Impossível de agüentar, impossível de convidar, impossível de conviver.
É, talvez seja isso. Há certas fantasias e pequenos exageros no texto aí de cima. Mas há muito de verdade. Descubra por você mesmo o que é um e o que é outro.
Silvano – imbiografável


BIOGRAFIA
O que colocar numa biografia?
Meu Deus,é difícil, que agonia...
Falo das frestas, das festas enfim
Das coisas do dia. O bom e o ruim.

Conto a infância, o nascer e o crescer,
As idéias, as gafes, a minha impaciência.
Os amores sofridos de quase morrer,
Os fatos vividos na adolescência.

Destilarei sem temor minhas raivas e iras
Meus ódios e mágoas e todos meus medos.
Uma a uma...virão as mentiras
Mazelas antigas e os torpes segredos.

Como falar de uma pessoa assim?
Sem escorregar nos extremos cruéis?
É muito difícil falar sobre mim.
O que são os dedos e o que são anéis?

Diante da dúvida peço uma ajuda
Por não conseguir descrever-me a ti.
E roubo as palavras de Pablo Neruda
Dizendo então: - Confesso que vivi!


03/04/2009

26 março 2009

Coisa de Gordo - 421


421 – FAROFA DE FRUTAS DA SRA. KÁTIA
A sra Kátia veio ao mundo com a terrível missão de me manter acima do peso. Prova disso é que a mulher tem um talento impressionante na cozinha. Não gosta muito da função, acha que suja muita louça, prefere um lanche rápido, MAS quando adentra as portas da cozinha....sai de baixo! É coisa boa na certa.
Na esteira deste processo, ela nos preparou dia desses uma coisa chamada FAROFA DE FRUTAS, na verdade uma sobremesa apetitosa. Fique atento(a), portanto, o troço é doce.
Para o preparo coloque numa travessa as compotas que você mais gosta. Abra as latas e coloque apenas as frutas. Contrariando o instinto de qualquer gordo, as caldas são desprezadas no ralo da pia. Já pensou? Botar fora cala de abacaxi em calda? Ou de pêssego? Ou, meu Deus, sei lá mais o quê? Só um magro pensaria nisso. Pois fiel à receita da Sra Kátia, botamos as caldas fora.
Voltemos ao que interessa.
Você pode colocar figo, abacaxi e pêssego. Que foi o que fizemos. Usamos apenas esses três. Mas a Sra Kátia me alerta que não há limites para a sua criatividade. Você pode acrescentar frutas in natura, como por exemplo Uva Itália, pedaços de Banana, lascas de Maçã. Ainda mais, pode colocar passas de frutas, castanhas, sei lá, invente á vontade. Mas fizemos a mais simples. E nem por isso menos gostosa.
Outro detalhe, não é obrigatório que se use todo o conteúdo de lata, use apenas a quantia que julgar necessária.
Noutro vasilhame coloque uma xícara de açúcar, uma xícara de farinha de trigo, canela a gosto (sei lá, uma colher média rasa, talvez) e um quarto de tablete de manteiga. Esses quatro ingredientes serão a liga, a massa que vai envolver as frutas no momento seguinte. Portanto, lave bem as mãos (sim, sei que você é uma pessoa higiênica, mas nunca é demais lembrar) e passe a “sovar” essa mistura. Misture, amasse, vire, revire, retorça, contorça, esfregue, unte, mescle, homogeneíze...ufa, acabou meu vocabulário para essa operação. Sinta a força da mistura por entre seus dedos. Aperte a massa e a veja escapar por entre seus dedos, ansiosa por abraçar as frutas.
Tome desta massaroca e vá em direção à travessa das frutas e compotas. Ali chegando, explique ás frutas espedaçadas que a hora delas chegou, que foram criadas pela natureza para o supremo deleite de um gordo qualquer. E para que isso se dê, elas, as frutas picadas, devem abrir seus corações para a cobertura que ali vem.
Alteie o som da sua voz e, dirigindo-se às frutas, brade: -“Abri vossas almas, ó frutas abençoadas. Cedei espaço às calorias que vos aguardam. Recebei carinhosamente esta nobre mistura que acabei de fazer e em breve, alcançareis o vosso nirvana..!”
Cuide para que nenhum vizinho seu testemunhe essa bobagem toda. Ou mesmo a sua empregada. Ou um conhecido seu. Vai pegar mal, a pessoa vai achar que você enlouqueceu de vez. Ih, o cara ta conversando com uma travessa de frutas... - vai ser constrangedor.
Calma, estamos quase lá. Uma vez que tenha colocado a calda sobre as frutas, leve essa nova mistura ao forno médio, por cerca de vinte minutos.
Você vai se deliciar.
Para arrematar, o toque da mestra. Sirva ao lado de uma bola de Sorvete de Creme! Já pensou? Calma, calma, não vá babar no teclado. Olha o pessoal da lan house aí do lado espiando você.
Como dizia a loura da Platinum Plus...experimente-me a suavidade e depois...deixe-me se for capaz.
Arrasadora.
Silvano – sempre impossível


26/03/2009


Clodovil

Pouco me importa o preconceito das pessoas, vou sentir falta do Clodovil. Sua figura ímpar fará falta no cenário brasileiro. Ele passava uma impressão de que falava sem se importar com ameaças ou intimidações. Foi discursar no Congresso e, vendo que ninguém lhe ouvia, chamou os seus pares de mal-educados por não ficarem calados quando alguém estava na tribuna. Chutou o balde em tantas outras situações e talvez seja disso que venhamos a nos ressentir. Ele vai fazer falta. Em meio a esse descalabro moral que vivemos, onde os ladrões do PT estão todos soltos, o Roberto Jéferson faz turismo pelo Brasil, o Maluf está solto, o Jader Barbalho está solto, o Sarney não apenas está solto como continua dando as cartas....em meio a isso tudo, fará falta a voz do Clodovil.
Li na última VEJA a entrevista derradeira que ele deu para tal revista. Lá pelas tantas ele contou uma tragédia de infância que me comoveu. Disse que quando tinha treze anos flagrou seu pai transando com seu tio (irmão da mãe dele). Ou seja, o pai do Clô tava “faturando” o cunhado. Ficou chocado com a traição que ambos estavam impingindo à mãe dele. Longe de querer justificar qualquer postura sua pela vida afora a partir desse momento crucial, o que mais o incomodou foi (penso eu) a traição. E talvez isso o tenha feito um cara moralista, meio conservador. Sim, soa paradoxal, mas o Clodovil era conservador. Do alto de sua rebeldia, de sua figura exótica, do alto de sua trajetória na vida pública do país.
Amigo(a), lembro do tempo em que havia “duas bichonas famosas” (essa era a expressão da época, coisa de anos 70). O Clodovil e o Denner. Durante um tempo eles disputaram a atenção do público com sua opção sexual, seus trejeitos, coisas assim. Mais frágil, o Denner morreu em seguida, abrindo espaço para a fama indestrutível de Clodovil.
Filho adotado, brasileiro, homossexual num país de hipocrisias, um cara solitário, eis a síntese das lutas de Clodovil. Uma pena. Como disse antes, sua voz fará falta no país.
Silvano

MAIS POLÊMICA POR AÍ ENVOLVENDO PADRE


Morreram mais católicos do que judeus no holocausto, mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo".
Este é um trecho da entrevista de Dom Dadeus Grings à revista PRESS. O cara é o Arcebispo de Porto Alegre e pode se preparar para a enxurrada de protestos dos judeus.
Noutro trecho ele diz: “Quantos milhões de católicos foram vítimas do Holocausto, 22 milhões? Vinte e dois milhões foram ao todo. Os judeus se dizem as maiores vítimas do Holocausto. Mas as maiores vítimas foram os ciganos. Foram exterminados. Isso eles não falam”.
Vai que é tua, revista PRESS!

20 março 2009

Coisa de Gordo - 420

420 – OBRA DE ARTE
Eu não sei como é que este filme não levou Oscar. Talvez tenha ficado um pouco ofuscado pelo A LENDA, do Will Smith, posto que ambos trilham um roteiro similar. Uma “virose” que acomete a população mundial e suas terríveis conseqüências. Pode ser que tenha se dado isso.
Trago tal divagação, pois este filme do diretor Fernando Meireles, chamado ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Blindness), é uma verdadeira obra de arte.
Aliás, há um outro ponto em comum com o filme do Will Smith. A brasileira Alice Braga, aquela que é sobrinha da Sônia Braga, atua em ambos. Pois é, a carreira da mulher está ficando marcada por filmes de epidemias e catástrofes. Olha o vírus, Alice! E lá vai ela filmar!
Partindo do livro do Saramago, que faz uma linda metáfora sobre a cegueira que assola a humanidade, Meireles traz ao espectador a saga de um grupo de pessoas que subitamente é tomada por uma cegueira. E o curioso é que é uma cegueira branca, quando os cegos de verdade a possuem na variante preta. Tudo fica branco, muito branco.
A partir dessa trama inicial, o diretor então vai desfolhando a personalidade humana, despindo-a da civilidade aparente que todos vestimos. Com o passar das horas e dos dias, as pessoas vão se embrutecendo, se animalizando, deixando eclodir a fera que existe dentro de cada um.
A dupla de atores centrais está soberba. Temos a Julianne Moore como a esposa do oftalmologista interpretado por Mark Ruffalo, e além deles algumas caras familiares como o Danny Glover e outros.
Sempre tive esta impressão. Somos mansos porque a luz está acesa e a polícia está nas ruas. Basta ver que se falta luz em grande escala, automaticamente acontecem saques e depredações. O mesmo vale para nossa conduta nas ruas. Se as polícias todas fizessem uma greve simultânea, a barbárie apareceria rapidamente.
Num momento inicial da trama os “doentes” são levados para uma espécie de sanatório, um asilo, onde ficam reclusos. Neste momento se confirma a máxima de que “em terra de cego quem tem olho é rei”. A pessoa que ainda consegue ver acaba assumindo um papel crucial no desenrolar da trama. Aos poucos as dificuldades vão aparecendo, a sujeira se espalha, a fome chega, aproxima-se a selvageria.
Imagino que o português Saramago aludia igualmente a isso. Esse despir-se das aparências, deste cair de máscaras e do cruel auto-exame da sociedade. O ser humano filosoficamente se vê diante de um espelho e o que ele enxerga não é nada alentador. Pelo contrário, até assusta.
Vi o diretor Fernando Meireles sendo entrevistado pelo Serginho Groissmann no ALTAS HORAS, onde ele contou que as tomadas de rua foram feitas em várias cidades do mundo. Há cenas em São Paulo e em várias outras metrópoles. Li no site ADORO CINEMA que o José Saramago autorizou a transposição para as telas, desde que não desse para saber em que país se passa o filme. Isso acontece magistralmente. O filme não deixa margem à localização.
Belo filme, triste filme. Bárbaro, violento, instigante, assustador. Impossível não se deixar tocar pelo que aparece ali.
Imperdível. Filmaço. Nota: 10,0 !
Silvano – além de impossível, cego

20/03/2009

Trailer do Filme

LEITOR MANDA RECEITA DO CHORIPAN

Nosso prezado Toninho Selistre cometeu a gentileza de mandar (em espanhol) a receita do “Choripan”. Na verdade ele manda é o preparo do salsichão (lingüiça) usado naquele lanche. Mas pelo ineditismo da receita me vi obrigado a publicar. Fala o Toninho..

Amigo Silvano, visitando seu blog, li a matéria de sua curiosidade sobre o choripãn como sou apaixonado por cozinha e principalmente por temperos diferentes, fui pesquisar, e te passo a receita, para ver quem faz primeiro... Abraço.


Choripán
Ingredientes: 1 kilo de carne de res picada muy fino o molida1/2 kilo de carne grasa de cerdo o tocino crudo (sin ahumar) 1/2 vaso de vino blanco seco6 dientes de ajo grandes1 cucharada de semillas de hinojo1/4 de cucharadita de nuez moscada rallada1/4 de cucharadita de pimienta negra molida1 cucharada grande de chile (ají rojo) molido2 cucharadas de sal gruesa1/2 cucharadita de oréganoPan de levaduraSalsa chimichurri

Procedimiento: En una sartén a fuego bajo tostar un poco las semillas de hinojo y molerlas con la sal gruesa, el ajo y orégano. Calentar el vino sin que hierva y disolver en él esta mezcla. Agregar nuez moscada, pimienta y chile o ají molido. Picar muy fino el tocino o lardo y agregarlo a la carne molida gruesa, junto con el vino y las especias. Amasar todo muy bien y dejar reposando tapado todo un día dentro del refrigerador. Embutir esta masa en tripa natural o comercial, si es que hay disponible, o simplemente darle forma de pequeñas salchichas y cocer en una plancha con poca agua hasta que se evapore y doren los chorizos. Partirlos a la mitad longitudinalmente al momento de asarlos a la plancha y colocar de inmediato en un pan partido a la mitad, aliñando con salsa chimichurri. Se acompaña con ensalada fresca si se desea.

12 março 2009

Coisa de Gordo - 419


419 – PRAZER E FISIOLOGIA
A gente lê e escuta cada coisa....Dia desses estava de ouvido na Rádio Gaúcha quando acerquei-me de um debate ali realizado em torno do cuidado com cachorros de rua. E aí os debatedores revelaram que em Porto Alegre há uma instituição que recolhe cães de rua, os recupera e aí os coloca para adoção. Interessante. Até aí, nada de novo. Aí uma mulher dessa tal instituição revelou que antes de disponibilizarem os totós para adoção eles os CASTRAM !
Ai, ai, ai – pensei eu – que crueldade. Ao que ela continuou explanando e a mim trouxe um instigante esclarecimento.
Ora – disse a mulher – o sexo para os cachorros é apenas função de reprodução. Eles o fazem por instinto, para fins apenas de reprodução. Não tem nada a ver com prazer. Portanto, finalizou ela como se falasse para mim, não fique chocado por castrarmos os cachorros.
Como posso ter vivido todos esses anos sem ter me dado conta disso? Apenas uma função fisiológica.
Saiamos do universo canino e adentremos a esfera humana. Deixemos de lado as pulgas e as coleiras e nos atenhamos aos aspectos “das gentes”.
O ser humano se vale de sua sexualidade com dois aspectos. O faz para fins de reprodução. O que me faz lembrar do método católico de controle de natalidade. Três filhos? Três relações sexuais durante a vida. Mas também o faz por PRAZER. Então a gente transa para ter bebês e igualmente transa POR QUE É BOM!
Calma, ainda não me abandone nesta altura do texto. Não fiquei imbecil de vez! Não desista de ler até o fim. Onde quero chegar?
Sempre que esses nutrólogos ou endocrinologistas vêm a público falar de dietas e gorduras eles abrem o discurso com uma afirmação que agora vejo como falsa. Ou pelo menos duvidosa. Dizem deles: - O ser humano necessita para viver de apenas tantas calorias diárias, o resto são excessos! E a partir daí eles deleitam-se em nos humilhar quando os procuramos para perder peso.
Certa feita ousei levar meu guri num endocrinologista para receber algumas orientações. Para ver se ele não seguia o caminho do pai no que tange à balança. O cara era um médico magrinho, de seus cinqüenta quilos no máximo, e com um grande desdém por comida. Recordo que lá pelas tantas ele perguntou com uma cara de nojo: - Por que as pessoas comem chocolate, hein? Que horror... E aí nos olhou com uma cara de nojo. Você pode imaginar que não voltamos mais lá.
Pois bem. Retomando o assunto dos cachorros e as explicações daquela mulher lá no início do texto. O ser humano come para suprir suas necessidades nutricionais. Isso é instintivo. Ele age assim para não sucumbir. Mas aí ele se diferencia dos animais por um detalhe a mais. Nós humanos não comemos apenas para ficar vivos, mas comemos principalmente POR QUE É BOM! Ninguém precisa comer uma Picanha mal-passada para sobreviver. A gente come isso porque é bom!
Tem uma corrente dentro da medicina que afirma que o ser humano só deveria consumir leite até os dois anos de vida, e mesmo assim, no peito da sua mãe. Depois disso, comida e só comida. Nada de leite. Lançando olhos em nossos irmãos do reino animal, tal filosofia se mostra racional. Os bichos mamam no início, depois se dirigem cada um às suas preferências alimentares. Concordo, beber leite (e seus derivados) deve ser mesmo inadequado ao ser humano mais velho. Mas então por que nos entregamos ao Nescau, à Ambrosia, ao Leite Moça e à Rapadurinha de Leite? Por uma simples razão: - É porque É BOM!
Portanto, é fato que muita gente está acima do peso. Muita gente precisa fazer dieta (a começar por mim). Mas apenas lembremos isso. Não comemos para viver. Comemos porque É BOM! Porque dá prazer. Porque é uma faceta da vida que pode ser bem explorada. De preferência, com moderação, mas bem explorada. Estamos um pouquinho acima dos bichos. Podemos fazer sexo por prazer? Então que mal há em pedir mais um Filé? Ao molho de mostarda, então....é de matar.
Silvano – o impossível


12/03/2009

NOITES DE TORMENTA

É o terceiro filme dessa dupla de atores, Richard Gere e Diane Lane. Já atuaram junto antes em COTTON CLUB e em INFIDELIDADE. Juntaram-se de novo e a gente esperava que fizessem algo melhor. O nome do filme é NOITES DE TORMENTA. Há uma ou duas coisas que valem a pena, uma delas é a bela paisagem de um litoral americano que não aparece muito em filmes. A outra coisa que vale a pena é...deixa eu ver...acho que não tem mais nada que valha a pena. O roteiro é fraquinho, simplista, improvável. Os dramas apresentados o são com superficialidade. Nem e tal tormenta do título aparece de forma convincente. Olha, eu gastei a diária da locadora de DVDs, mas se fosse você, alugaria outro filme. Como desperdiçar o talento desses dois famosos desta forma? O pior é que vi o filme ontem e hoje o canal FOX está passando o Infidelidade. Que diferença! Incomparáveis. Minha nota para este NOITES DE TORMENTA é 3,5. Esqueça.
Silvano – botando dinheiro fora

06 março 2009

Trouxe este lá do blog FEBRICITANTE

05 março 2009

Coisa de Gordo - 418


418 – DIREITO À VIDA
Penso, logo existo. Foi o que disse o pensador. Vir neste espaço opinar sobre temas polêmicos também é função desse blog. Quem me lê sabe do que estou falando.
A mídia anda estranhamente eriçada com essa história mórbida dessa menina de nove anos que foi abusada sexualmente por seu padrasto e, suprema tragédia, engravidou. De gêmeos! Tem um tio meu que diz que nunca uma coisa é tão ruim que não possa ficar pior. Nos depoimentos que prestou, o canalha do agressor acabou contando que igualmente abusava da irmã mais velha, de catorze anos, que ainda por cima é deficiente mental! Dá para acreditar?
Mas não vim aqui para falar do bandido, o que é dele está guardado.
A partir do ato cruel e bárbaro, estando a pobre criança grávida, as medidas legais foram encaminhadas para se proceder ao abortamento. Uma gestação gemelar é uma coisa meio delicada, se acontece na barriga de uma pessoinha de nove anos, então é risco total. Até aí, tudo normal. Então o inusitado aconteceu.
Algumas autoridades (serão mesmo?) religiosas vieram a público para tentar impedir o ato do abortamento, alegando que eram a favor da vida. Falo desse tema porque, sendo declaradamente espírita, sou useiro e vezeiro em debater tal assunto. Para quem ainda não sabe, sou contra a pena de morte, contra o aborto, contra o suicídio e contra a eutanásia. Mas há que se ponderar algumas coisas.
Assim como me posiciono em defesa da vida nessas quatro situações arroladas, igualmente me preocupa a vida da pobre menina de nove anos.
Perceba o seguinte. Ela vem sendo abusada pelo padrasto ao longo de três longos anos. Sim, tudo começou aos seis anos de idade.
Aliás, nessas horas sempre lembro da pergunta que não quer calar: - Onde andava a mãe dessa criança. Que em três anos não percebe que seu parceiro anda se servindo de suas duas filhas....Difícil responder.
Pois bem, a vida dessa criança de nove anos é nobre, é preciosa e neste caso, se sobrepõe às vidas dos fetos. Por ter chegado antes. Por preexistir. Por já estar ali.
Quererem mantê-la infantilmente grávida em nome de um suposto sentimento preservacionista a mim parece um grande equívoco. Para defender duas novas vidas vai-se pôr em risco a vida que já existe.
Não, não pense que estou sendo original neste raciocínio, há um livro onde se fez exatamente esta pergunta e a resposta veio curta e grossa: - Deve-se manter a vida que já existe!
Enfim, sei que é um tema afeito a várias opiniões, sei que acende ânimos religiosos, filosóficos e culturais. Mas disso é feita a vida.
Essa criança de nove anos já vem sendo torturada ao longo de três anos. Querer mantê-la grávida é sentenciá-la, aí sim, à morte.
Silvano – entrando em terreno nebuloso


QUEM BEBE GRAPETTE REPETE
Pois é, me criei bebendo esse refrigerante. Não é que os caras relançaram? Chego no Super e está lá, na prateleira. E num litrão PET. E para completar....light. Veja só, três ou quatro décadas se passaram e a Grapette retornou.
Sim, lembra direto a Fanta Uva, e aí me dei conta de que ao tempo em que gostávamos de Grapette não havia muitas outras opções nesse setor. Talvez por isso a apreciássemos tanto. Achei meio adocicada demais. Sei lá.
Se você provou dela trinta anos atrás, volte e experimente. Quem sabe que conexões de sua memória não serão ativadas...
Silvano - experimentando


05/03/2009