30 outubro 2008

Coisa de Gordo - 400


400 - VOCÊ SABE QUE EU TE AMO
Nesta reforma da língua portuguesa que o governo federal está implantando tem umas coisas muito estranhas. Já tratei deste tema aqui, lá quando escrevi o CG – 342, de setembro de 2007. Se quiser matar a saudade: http://coisa-de-gordo.blogspot.com/2007/09/coisa-de-gordo-342.html Pois é, sob a justificativa de se unificarem as publicações dos países que falam português, os caras resolveram dar uma uniformizada.
Noite dessas, zapeando na rádio, escutei o professor Flávio Ledur fazendo uma interessante crítica a esta reforma. Alertou ele que não adianta uniformizar a escrita das palavras se não se mexer nos seu significado. E aí ele citou uma série de exemplos que nos diferenciam, por exemplo, de nossos irmãos portugueses.Em Portugal, a palavra "buseta" designa um pequeno ônibus, e a sua pronúncia é essa mesma que você está pensando. Ora, não adianta se convencionar que a partir de agora os dois países vão escrever igual se lá a coisa tem um significado automotivo, ao passo que aqui se presta a considerações mais canhestras.Partindo deste exemplo, você pode imaginar a infinidade de palavras nas quais se vai mexer a grafia (forma de escrever), se que se uniformize o significado. Resultado óbvio disso: - este reforma é um grande, um gigantesco desperdício.
Ora, Silvano, dirá você leitor. Toda mudança causa resistência. Deixe de ser limitado, abra seus horizontes.Abro montes e horizontes, mas ainda não consigo ver tanta utilidade assim na tal reforma.Eu que não cozinho na primeira fervura, fui alfabetizado ali, no limiar da última reforma que houve no Brasil, a de 1971. Sim, crianças, eu já sabia ler na Copa de 70! Por muito tempo os livros ainda continham palavras impressas do jeito antigo, coisas como "facto" que virou fato. E de fato (olha a redundância aí, gente) o país sobreviveu àquela reforma.. Assim como eu. Sobreviveremos a esta? Por certo. O que não me impede de apreciar o desperdício de tempo, dinheiro e papel. Aliás, ainda não escutei nenhum ecologista berrando contra a nova reforma. Sim, porque os livros que temos até então virarão lixo daqui a quatro anos. Toda a bibliografia nacional vai ter que ser reimpressa. Vai ter árvore prá isso tudo? E aí, IBAMA? E então FEPAM? Tudo em paz. Ninguém vai pedir um RIMA (relatório de impacto ambiental) desta reforma ortográfica? Ela já tem alvará?
Onde quero chegar. O presidente Lula, o itinerante, poderia aproveitar esta deixa maravilhosa para acerta a fala dele e de muita gente que fala como ele, anexando na reforma umas coisinhas que o tirariam para sempre do anedotário nacional. Por exemplo...
POBLEMA - ficaria estabelecido que a palavra certa seria poblema, resolvendo de uma vez por todas esse grande problema que alguns governantes enfrentam. A palavra, uma vez oficializada, entraria para o Aurélio e o Houaiss pela porta da frente. Imagine quantos discursos de posse seriam elogiados. Quantas atas de reunião da CUT não ficariam corrigidas?.. Quantos comentaristas esportivos paulistas (né, Juarez Soares?) poderiam ser enfim aplaudidos nas suas falas? Uma infinidade.
VOCÊ SABE QUE EU TE AMO - faz trinta anos que meu ouvido sangra nas novelas da Globo, quando ouço os mocinhos e mocinhas dizerem esta clássica frase. Que fere todos os princípios da concordância. O certo seria: - Você que sabe que eu lhe amo. Ou então: - Você sabe que eu o amo. Ou por fim: - Tu sabes que eu te amo. Mas essa mistureba que as atrizes e galãs têm feito não pode mais persistir na ilegalidade. Vamos legalizar esta droga! Só esta, Gabeira, só esta. Poderemos encher a boca e declamar às nossas amadas e amados: - Você sabe que eu te amo! - sem o risco de sermos corrigidos ou despachados.
AGÁ – esta gíria inicialmente médica invadiu o linguajar popular e poderia ser incluída na reforma. O Fulano foi lá na loja, xingou, brigou, fez o maior “agá”. Vem da letra H, letra inicial de Histeria. Aquilo a que os médicos, em plantão, chamam de “agazão”, ou “agá infectado”. Pois é, antes só se falava isso em plantão, agora até criança usa em sala de aula: - Bah, a Diretora veio aqui e fez o maior “agá”!
Enfim, como todos os países que falam a língua portuguesa são nações prósperas e ricas, botar esses milhões na lata do lixo por certo não vai fazer falta. Pobre de nós. Ou será "nóis"?
Silvano - the impossible


UM BELO DIA...
....estávamos no Shopping Praia de Belas, Porto Alegre, provamos do Sorvete de Doce de Leite da Parmalat e adorei. Chegando em casa, escrevo um e-mail a um pequeno grupo, contando aquela doce aventura. Título do e-mail? COISA DE GORDO.
Na semana seguinte outro relato. Depois mais outro, na média escrevi um por semana. Estamos completando o número 400 neste de hoje! Quer calcular? Dá uns sete anos e meio. Gente, tá na hora de botar isso no papel. Mesmo com a cara feia do Ibama. E antes que mude a grafia. Acho que ficará mais original escrito assim, como é hoje.

DANDO ÁGUA NA BOCA


O Professor Zeca fez outra das suas. Assou uma Tainha na brasa, nos convidou, mas não conseguimos prestigiar. Que dureza! Mas ele manda esta foto eum bilhete. Cuidado. Não babe no teclado. Silvano
Disse o Professor:
Salve! Salve! Amigos, boa noite, e tenham uma ótima semana. A tainha estava muito boa, colorida, apetitosa e caçada por todos. O filé de anjo também fez muito sucesso. A salada da Sonia é incrível. Sentimos suas faltas. Entendemos o motivo, não tem o que fazer. Fica para outra. Um forte abraço e fiquem com Deus. Zéca, Sonia e Cia.

23 outubro 2008

Coisa de Gordo - 399


399 – HOSPITAL ?
Essa coisa de que Hospital deve ter aspecto de, digamos assim, hospital, parece estar mudando. Dia desses nos vimos às voltas com uma internação, uma familiar teve que recolocar o ombro no lugar e foi levada ao Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Não entrarei aqui no mérito da especialização médica, na excelência da prática médica ali realizada. O propósito não é este.
Trago ao seus olhos a maravilha do ambiente naquele nosocômio. No primeiro dia da visita fomos até o quarto e após cumprimentar a paciente dei uma olhada pela janela. Impressionante!
Para quem tem a sorte de ficar ali internado, metade da cura vem daquela vista. O Moinhos é situado no alto de um morro. Da janela a gente via o Rio Guaíba (lago?), uma das paisagens mais belas do mundo. De quando em quando, um avião aterrissava e sua aproximação rumo ao aeroporto Salgado Filho podia ser testemunhada ali, daquela janela.
O indivíduo ali internado pode entregar-se ao deleite dessa paisagem, nutrindo-se da paz que isso proporciona. As ruas da capital gaúcha, o rio, os carros se movendo, os aviões chegando, tudo isso compõe um cenário indescritível de serenidade.
Mas o Hospital não fica apenas nisso. Os quartos têm TV com alguns bons canais da NET, O ambiente é claro, iluminado. No piso de entrada há um das mais deliciosas cafeterias de Porto Alegre, cafeteria e restaurante. No almoço eles servem um bufê imponente, com pratos levemente requintados.
Os acompanhantes podem se socorrer desse agradável ambiente para buscar lanches, guloseimas, refeições. Não bastasse isso tudo, a gente se serve e come de frente para um bosque, um conjunto de árvores frondosas que acompanham o declínio do terreno. Dá a impressão de que se está comendo num passeio campestre. Mais relaxante, impossível.
Tempos atrás a gente penava para conseguir estacionar ali, os caras então construíram um prédio de sete andares só para se estacionar.
E imagino que tem ainda o sinal de internet livre para os hóspedes.
Bom, em meio a isso tudo é mais difícil prestar atenção em gazes e curativos. Sim, a dor dói no doente, mas pelo menos ele tem um consolo ambiental muito bom.
Volto no tempo e lembro de anos atrás quando fomos visitar uma amiga, desta feita em outro hospital, o Divina Prividência. Em que pese seja construído num subúrbio, o “Divina” está erigido ao lado de uma montanha com floresta, o que faz com que de qualquer quarto dele e pessoa fique de frente para uma bela paisagem verde. E envolta por um canto ensurdecedor de pássaros. Outro exemplo do que estou falando.
Não se deseja hospital a ninguém. Mas na iminência disso acontecer, que bom que tais coisas estejam sendo oferecidas a nós mortais. Soro e penicilina são bons. Mas pôr-do-sol e gaivotas ajudam a que os efeitos sejam melhores.
Silvano – o impossível


23/10/2008

Quando a morte cruel der seu abraço...


Na premiação do Emmy, a exemplo do que acontece no Oscar, tem uma hora que eles dão a lista dos atores que morreram ao longo do ano. Puxa, o cara entrou na lista por pouco, afinal morreu no dia 09 de agosto de 2008. Trata-se de BERNIE MAC, aquele negão alto, cara de brabo, que atuou no ONZE HOMENS E UM SEGREDO, e mais tarde no delicioso A FAMÍLIA DA NOIVA, em que ele aterroriza o genro “branquelo” que ousou namorar sua filha. Pois é, o cara morreu. Que pena. Vai deixar saudades.
Silvano

Um filme : O BICHO VAI PEGAR


A gente sempre gosta de filmes de animação tipo Toy Story e Procurando Nemo. Este aqui, chamado O BICHO VAI PEGAR se encaixa nesta categoria. Você vai gostar. O que não me impede de sentar olhos sobre algumas coisinhas. Certos chavões. Senão, vejamos. A exemplo do Shrek, há um personagem grandalhão que já tem sua situação definida ( o Urso). Aí surge um outro personagem que no Shrek era o Burro e aqui neste é um Alce, um personagem histriônico, engraçado, mais frágil e que suplica para ser aceito. A partir disso se desenrolam ambos os filmes. História bonitinha, curta, bem costurada. Este filme vale a pena ser visto. Mas seu sorriso vai estar mais contido. Muito do que ali está você já viu. Nota: 7,0. Boa diversão. Silvano

Outro filme: INSTINTO SECRETO


Filme instigante, intrigante, quase fascinante. O Mr Brooks do título original é interpretado por Kevin Costner (veja só), numa atuação convincente. Casado, pai e esposo renomado, homem de negócios premiado, ele tem uma faceta secreta em sua vida. É um serial killer. Dedica-se a, minuciosamente, arquitetar e executar a morte de pessoas. Sobre isso o filme se desenrola. Há destaques dignos de nota. A personagem da Demy Moore, uma policial que parte em busca do assassino. E principalmente há o personagem interpretado por William Hurt, o “Marshal”. Para nós espíritas, ele é o que chamamos de Obsessor. Alguém que fica ali, à espreita, sugerindo o mal. Insistindo, insinuando, prejudicando. Para os cientistas, ele seria a personalidade dupla do serial killer. E para os sonhadores, ele seria apenas o produto da imaginação do matador. Seja como for, o cara é brilhante, assustador, soturno. O filme mostra o dilema moral do assassino que titubeia entre parar de matar ou persistir na senda do mal. E do início ao fim do filme ele balbucia a clássica frase de Reinhold Niebuhr : “Que Deus me dê serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas.”
Imperdível. Filmaço. Nota: 9,0.
Silvano
Título Original: Mr. Brooks
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Direção: Bruce A. Evans
Kevin Costner (Earl Brooks)
Demi Moore (Detetive Tracy Atwood)
Dane Cook (Sr. Smith)
Willian Hurt (Marshall)
Marg Helgenberger (Emma Brooks)
Ruben Santiago-Hudson (Hawkins)

17 outubro 2008

Coisa de Gordo - 398


398 – O ESPORTE BRETÃO
Eu acho uma graça disso tudo...
O Campeonato Brasileiro de Futebol foi sacudido esta semana por uma aparente patifaria feita pelo Tribunal de Justiça Desportiva contra o time do Grêmio. Alguns jogadores gremistas foram a julgamento e acabaram sendo cruelmente punidos, um ato que gerou uma onda de indignação geral.
Os gremistas da imprensa local enlouqueceram em lágrimas e berros, até mesmo os colorados da mídia reconheceram que as punições foram excessivas. Segundo a teoria da conspiração haveria toda uma conjunção de esforços para fazer do Palmeiras o time campeão deste ano. Muito bem.
Até aí nada de novo!
Amigo(a), isso é o futebol. Certa feita discutia (amavelmente) com meu amigo Totonho alegando que o futebol é um esporte louco onde o vencedor nem sempre é o melhor, que havia muita injustiça, que era uma coisa muito louca. O Totonho que é um cara mais jovem, mas mais sábio do que eu, explicou-me pacientemente que esta era a magia do futebol. A imprevisibilidade. E que por isso atraía multidões. Ora, como conceber que o INTER, o meu time, entre em campo contra o Barcelona do Ronaldinho e ganhe o Campeonato Mundial? Isso é o futebol! Num detalhe, num lance extemporâneo, decide-se todo um torneio. E às vezes o melhor time fica com a prata. Lembro sempre das finais da NBA, o basquete americano, onde são realizados SETE jogos entre os dois melhores times da competição. Bom, o time que sair vencedor é incontestavelmente o melhor! Ora...são sete jogos!
Convencido que fui pelo Totonho, passei a ver o Futebol com esses olhos, os olhos da imprevisibilidade. E de fato ele se presta bem a isso. É uma verdadeira loteria. Entre outras coisas mais.
O futebol, no meu tosco modo de entender, é o esporte da truculência, da malandragem, da cafajestada, do carteiraço, dos arranjos e conchavos. Senão, vejamos...
Em que outro esporte existe a catimba? O goleiro e os jogadores ficam enrolando para que o tempo passe e acabe logo, sem o menor controle. E os argentinos se jogam na pista atlética. E os chilenos simulam foguetaço. Amigo(a), faz o futebol ser jogado com cronômetro parado e isso acabaria! Dois tempos de vinte e três minutos (que é o tempo médio jogado em cada metade de partida)! A bola parou? O relógio pára junto. Nunca mais haveria a catimba. Alguém lembra de colocar isso em prática? Não.
Em que outro esporte vicejam pessoas do quilate do Eurico Miranda? Do Nabi Abi Chedid? Do João Havelange? Gente como o Ricardo Teixeira? Talvez só dentro dos presídios! Trata-se de gente da pior espécie, mafiosos engravatados. Usurpadores.
Em que outro esporte o herói nacional é o Romário? Ou o Edmundo”assassino” Animal? Ou o Renato Portalupi? Ou o Éder? Semana passada morreu o protagonista da cena mais violenta do esporte mundial, o Chicão. Num jogo ele deu um “coice” na perna do adversário, causando fratura. O agredido foi saindo de campo de quatro, se arrastando, aí vem o Chicão e pisa na perna fraturada do cara!! O que aconteceu ao Chicão? Nada! Isso é o futebol! Ironicamente, anos depois, os dois acabaram jogando no mesmo time.
Em que outro esporte é proibido usar câmeras de TV, computadores, tecnologia, enfim, para dirimir dúvidas? Para os donos do futebol, não importa se a bola não entrou, importa é que o juiz deu gol! Dá para levar a sério?
Nesses últimos dias escutei nas rádios locais a choradeira dos gremistas sobre a barbárie cometida pelo tribunal. Engraçado. Quando o Cacalo era presidente do Grêmio e invadia campo para intimidar o juiz, isso era folclore, não era injustiça. Na famosa Batalha dos Aflitos, quando os jogadores do Grêmio impediram que se cobrasse uma penalidade, destruindo a marcação no campo, destratando o juiz, bagunçando o jogo, isso foi encarado como “folclórico”. Depois fizeram até um DVD sobre isso. Aí não falaram em injustiça. Não vieram chorar nos microfones das rádios. É disso que falo. O futebol é o esporte da truculência, da armação. Onde o Maradona faz gol de mão e vira mito. Onde o Pelé foi expulso de campo e, revoltado, expulsou ele próprio o juiz e continuou jogando.
Por isso o Brasil é o país do futebol! Aqui nascem e florescem os corruptos, os Zé Dirceu, os Roberto Jéferson, o Lulinha. Portanto, aqui só poderia ser mesmo o país do futebol. São forças que se atraem pela sintonia de valores.
Deram uma garfada no Grêmio para o Palmeiras ser campeão? E daí. Isto é o futebol.
Silvano – o impossível


DE QUALQUER FORMA...
...os advogados gremistas conseguiram um efeito suspensivo, prorrogando o julgamento do mérito. Certa feita, final do Brasileirão, Edmundo, o animal, foi expulso no penúltimo jogo. O Vasco foi lá, mexeu os pauzinho e ele, que estaria automaticamente de fora do jogo final, entrou em campo e se bem me lembro foi até campeão. Viram só? Isso é e sempre foi assim.


17/10/2008

10 outubro 2008

Coisa de Gordo - 397


397 – PESQUISAS ELEITORAIS
Passada essa onda toda da eleição municipal por este Brasil afora, podemos sentar olho sobre algumas coisas interessantes nesta área. Dia desses conversava com o Flavinho e ele me fez a pergunta que me deixou intrigado: - Para que servem as pesquisas eleitorais?
Ora, Flavinho, elas servem para....deixa eu ver...para que a gente....bom...deixa eu ver...sei lá.
de fato, não encontrei resposta a mim convincente. Ora, disse-me o Flavinho, se algum eleitor de Porto Alegre (o que não é o meu caso) quer votar na Vera Guasso, que ele vote na Vera Guasso! Ao ler as pesquisas nos jornais, o imaginário eleitor vai se sentir desestimulado, talvez queira fazer valer o VOTO ÚTIL, mude de voto em função das pesquisas.
Ah, mas o povo quer saber as tendências. Então, ó povo, vote em quem você quer e espere a apuração, aí teremos a tendência do eleitorado.
Impressionante, fui atingido pela idéia. Por que não proibir pesquisas eleitorais?
Vamos adiante: - A quem interessam as pesquisas eleitorais? Pois é, eu não sei bem. O mais perto que chego é que elas acabam drenando votos para os macacos velhos da política, as cartas marcadas desse jogo. Mas não me arriscaria a dizer que são uma espécie de conspiração. Acho que não vão a tanto. O que acontece é que as pesquisas foram chegando, chegando, se instalaram e acabam por ditar o resultado de muitas eleições.
E o pior é que a ladainha é sempre a mesma. O candidato que aparece na frente nas pesquisas alega que isso é o resultado do seu trabalho, da sua vida de honestidade e retidão, que o eleitor sabe votar muito bem, e que ele já esperava este resultado nas pesquisas. Sei, sei, me engana que eu gosto!
Do outro lado, o candidato que aparece atrás sempre acusa os institutos de pesquisa, que aquilo é uma farsa, que o partido dele realizou uma pesquisa particular que mostra o oposto, blá, blá, blá.
Para que se fazer pesquisa eleitoral?
Na última eleição para governador aqui no Rio Grande do Sul as pesquisas diziam que a luta era para ver quem iria para o segundo turno com o Governador Germano Rigotto, se era o Olívio Dutra ou a Ieda Crusius. Os institutos criaram esta expectativa e na hora do vamos ver o Germano acabou ficando de fora, passaram os dois que vinham correndo por fora. Tudo por causa das pesquisas. É bem verdade que neste caso elas nos prestaram um favor, mas reforço a idéia de que tiraram a espontaneidade do eleitor.
Para que se fazer pesquisa eleitoral?
Uma das raízes do problema é que os tais institutos de pesquisas são em geral ligados a conglomerados de comunicação, que faturam alto com elas. E que por certo esperneariam com uma eventual proibição. Ademais, o que aqueles comentaristas políticos todos ficariam fazendo até o dia da eleição, se não se fizerem as pesquisas? Nada, perderiam seus empregos. Lembra um pouco os caras do futebol que em dia de final entrevistam até a namorada do porteiro do prédio do massagista do Palmeiras. Pois as pesquisas dão combustível aos analistas políticos que vão, assim, moldado a cabeça do eleitor.
Enfim, para que se fazer pesquisa eleitoral?
Eu não sabia disso, mas o Flavinho me fez descobrir que sou contra. Azar o meu!
Silvano – o impossível


LEITOR MANDA MISSIVA INTERESSANTE
Ola Dr. Silvano, entrei em seu Blog e li muito rapidamente. Gostei do nome de seu blog e do conteúdo de seu site. Meu nome é Carlos e trabalho desde 1998 na internet o que me fez fazer parte do time dos gordos. Inclusive, nos últimos 6 anos engordei um quilo por mês, passando de pré-obeso para todas as categorias que a OMS criou e hoje me encontro na categoria máxima. E até brinco que eu não tenho barriga e sim recordações.... recordações de pizza churrascos cervejas... enfim, só lembranças boa. Só que é tanta coisa boa que ficou enorme a minha recordação (barriga). Mas resolvi escrever para o “Doc” não para falar como entrei no clube dos gordos e sim para contar que em meio às andanças de negócios na internet nos últimos quatro anos desenvolvi comércio eletrônico de produtos naturais e consulta on line com nutricionistas. Por causa disso acabei tendo contato com um numero enorme de gordos. Resumindo.... virei um gordo de peso e andei conversando com milhares de gordo e recentemente resolvi pensar a respeito....
Fato real, a obesidade é um problema, mas também...tantas coisas não são? O que será que mata mais obesidade ou stress vindo do trabalho e de um mundo competitivo? Enfim, concordo que ser gordo tem os seus problemas, mas também não é tudo isso. Para o senhor ter uma idéia, estou pensando em colocar psicólogos na minha empresa, além dos nutricionistas. O que aparece de gordo com baixa estima... Tudo por uma tremenda imposição de uma pseudo-beleza do mercado... E vamos e convenhamos, se uma pessoa é escolhida pela beleza física, com o passar dos anos essa pessoa irá perder a beleza. Agora, se for pela inteligência, caráter, etc, essas coisas com os anos só vão melhorar.
Por quê do meu contato? Eu estava pensando em montar um site ou portal a favor dos gordos. Não algo como existe hoje na Europa, fazendo a apologia do legal e estiloso da anorexia (sites assim estão tendo lá um crescimento avassalador que já está quase virando questão de saúde publica). Queria sim mostrar que gordo também é gente. E em geral gente muito boa, pois antes dessa ditadura de corpo perfeito, ser gordo sempre foi sinônimo de alegria e de ser uma pessoa de bem com a vida. Sempre houve ícones como Papai Noel, Rei Momo. Dona Benta, Tia Anastácia...enfim...sempre figuras boas e alegres. Hoje quando em um anúncio de empregos pedem boa aparência, não é a tanto a cor da pele que importa pois garanto que uma Naomi Campbel arrumaria um emprego por aparência na hora, mas uma Wilza Carla nunca.
Aí tem coisas gozadas. Negros têm cotas em faculdades, deficientes físicos têm cotas em empresas, idosos têm caixas e filas preferenciais. E no caso dos idosos teve ainda aqueles que usaram esse beneficio para comprar ingressos do show da Madonna para repassar aos cambistas.... Já os gordos.. Tem tanto preconceito quanto os outros ou até mais. Portanto, na minha cabeça, ou o povo pára de encher o saco dos gordos, de meter o pau nos gordos, e deixa cada um ser como gosta, ou então que nos dê umas vantagenzinhas..... Afinal “no inferno abrace o capeta”.
Brincadeiras à parte, gostaria de usar a mídia da internet para ser uma voz contra essa ditadura do corpo perfeito, e como já disse Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Minha pergunta é se o senhor acha boa minha idéia de ter um site não falando bem, mas sim mostrando que se pode ser gordo e ser totalmente feliz. Tanto com o próprio corpo quanto com a cabeça. Penso que na vida temos que buscar a amizade, a sabedoria, o encontro consigo mesmo, e não uma busca patética por um corpo perfeito. Será que sorvete, pizza e “churras” é tudo veneno? Caminhadas?...Eu pago aqui em Piracicaba um guri prá ele andar no meu lugar.
Nós interagimos com o mundo através dos sentidos e a comida mexe com todos eles, o tato, a visão, o paladar e o aroma. E após estar satisfeito, com a audição vinda de um belo e sonoro arroto. Portanto, xô com as dietas. E não tenha vergonha de ser feliz.
É evidente que minha idéia deste site tem um fundo monetário que seria vender camisetas e coisas do gênero para custear o projeto. E tem mais. Sabe que nos últimos seis anos nos quais engordei muito me mudei para o interior e roupa prá gordo em cidades pequenas é difícil. Daí pensei em trocar os produtos naturais de emagrecimento para roupas de gordo (se não pode com eles, junte-se a eles). Me desculpe pelo meu português horrível e por escrever um e-mail tão extenso e confuso. É coisa de empresário pontocom... Abraços.
Carlos Costa – New Solutions Comercial - Piracicaba


http://www.newsolutions.com.br/
*o site ainda está em construção aí neste endereço, mas aguarde que um dia abrirá.


RESPONDENDO AO TIJOLAÇO DO LEITOR
Carlos, me chama de TU ou VOCÊ, por favor. Obrigado pelo contato. A resposta à tua pergunta é a existência do meu BLOG, que justamente vem tentar aliar as coisas atinentes ao excesso de peso com uma boa visão da vida! Sim, todo gordo quer emagrecer, e me incluo nesta categoria, o que não me impede de rir um pouco durante a caminhada. Que eu não sei se vai ter fim. Muito obrigado pelo contato. Estamos esperando que o site fique pronto logo. Um abração. SILVANO
PS: o desenho ali ao lado do texto é meramente ilustrativo, não foi enviado pelo leitor.


10/10/2008

06 outubro 2008

Escrutínio

Recebo informações urgentes acerca das duas candidaturas em Torres-RS. No primeiro caso, o do GIMI, o cara das receitas culinárias no Santinho, ELE FOI ELEITO com 618 votos ( 6º mais votado). Parabéns a ele, a estratégia das receitas deu certo.
No segundo caso, o do SILVANO DA FARMÁCIA, o cara ficou de fora. Deve ser a maldição do nome, coitado. Fez 262 votos e vai ter que esperar para daqui a quatro anos.
Obrigado aos leitores Nelson e Liliam que vasculharam os dados.
Silvano - mas que coisa

Silvano Vereador !!??



Passado o furor de Eleição, um amigo me manda esta foto tirada na cidade de Torres-RS, com algumas revelações. Primeira revelação: - eu tenho uma Farmácia. Ou pelo menos trabalho numa. Segunda revelação: - eu sou Tucano! Vejam só. Terceira revelação: - Fui candidato a vereador!

Após tantas revelações, fica uma dúvida......terei sido eleito?

Silvano - sempre aprontando

02 outubro 2008

Coisa de Gordo - 396



396 – CANDIDATO GORDO
Essas eleições trazem coisas as mais interessantes, engraçadas, assustadoras ou até mesmo inusitadas aos nossos olhos. A gente vê cada coisa. Escuta cada coisa. Fica sabendo de cada coisa....
Não moro na cidade de Torres, mas tenho amigos de lá. Esta, que é considerada a mais bela praia gaúcha, possui na sua topografia um quê de litoral catarinense, rochedos, paisagens, belas fotos. Mas é gaúcha. Por esta época, os eleitores de Torres vêm recebendo toda a propaganda eleitoral esperada para este momento. E os amigos que citei me propiciaram conhecer um candidato voltado ao público GORDO.
O santinho do cara é por demais inovador. Ao invés de colocar ali o seu currículo as suas promessas, a sua ficha policial, o candidato GIMI colocou uma série de RECEITAS CULINÁRIAS!
Veja que supimpa, que inédito, que inventivo. Sei, sei, por este Brasil afora já deve ter aparecido de tudo mas que EU tenha visto esta é a primeira vez.
Os amigos de Torres afirmaram que o cara é gordo, sim, inclusive disseram que ele é maior do que eu! Coitado! Mas não se entristeça o candidato pela comparação. Olhando a foto no santinho constato que o cara é bastante parecido comigo (só que ele é claro), e parece ser mais bonito que eu. O que não é muito difícil. Eu não sou loiro e nem tenho olhos azuis. E como diria o João Bosco..“não sou candidato a nada, meu negócio é batucada..”. Mas o cara é ótimo. Olhe só.
As receitas são caseiras, identificando as fontes culinárias. Assim, de um lado temos:
- BOLO AMERICANO – da Mimi
- BOLINHAS DE QUEIJO – da Leninha
- BOLO DE CAFÉ COM BANANA – da Vó Inês
- PUDIM DE CLARA – da Dona Lídia
- BOLINHOS DE AIPIM – do Restaurante Tiamélia
- PÃO DE QUEIJO TRADICIONAL – da Fátima






Achou pouco? Calma, este é só um lado do santinho. Do outro lado a exposição continua:
- CASADINHOS DE BERINJELA – da Luciléia
- SOBREMESA CREMOSA – da Dona Elisa
- BISCOITOS AMANTEIGADOS DE LARANJA – da Camilinha
As receitas são completas, detalhando ingredientes e modo de preparo. Em momento algum ele fala em obras viárias, construção de postos de saúde, vagas em creches ou passagem escolar. O santinho do cara só tem isso: - COMIDA!
A considerar que a população brasileira está engordando a olhos vistos, o cara atirou mais do que certo. Atirou em mais da metade da população votante. Dê-lhe GIMI, este seu santinho é um caso clássico de Coisa de Gordo, de tal sorte que não poderia me furtar de aqui colocá-lo.
Fico até curioso para saber do resultado da eleição. Semana que vem, se souber algo, conto a você.
Macaco velho que sou, tomei o cuidado de omitir das fotos o partido do cara e outras coisas. Sim, as patrulhas ideológicas andam à solta e não quero perder sua simpatia por mero detalhe partidário. Até porque, como disse antes, não voto no município de Torres.
Mas estou torcendo pelo cara.
Silvano – o impossível



MINHA AMIGA SÔNIA...
...sempre mata a pau. Dia desses jantamos com ela e o marido (o professor Zeca) ao que ela me prometeu uma bandeja de SUSHIS. Amigo(a), comigo é assim, promete comida..eu apareço lá para buscar. Na noite aprazada, dei uma passada lá na casa deles e busquei a preciosidade. DELICIOSOS! Verdadeiras obras de arte. Dê uma olhada na foto e perceba que dá até pena de comer um troço desses. Mas....eu comi! Imperdível, imperdível!
Você leitor de Santo Antônio e arredores, não perca tempo. Ligue e faça a sua encomenda. Negocie o preço e saiba que estará levando comida da melhor espécie. Telefone? (51) 36626666.


02/10/2008

25 setembro 2008

Coisa de Gordo - 395



395 – QUE BARULHO É ESSE?
Mistérios da meia-noite. Ou do meio da manhã. Quem primeiro escutou foi a Sra Kátia. Eram batidas, pancadas, um som seco contra uma parede. Ou um vidro. O que seria aquilo?
De um dia para o outro, ela relatou-me que escutava umas pancadas, um som que ainda não conseguia definir. No início não dei muita importância. Deve ser a dilatação dos materiais. A mudança de estação. Sei lá. Mas ela insistiu que era algo estranho.
Noutro dia, ao amanhecer, o ruído voltou. E desta vez eu também o escutei. Batidas, pancadas, um som seco de algo batendo contra outro algo. Mas de onde vinha aquilo?
Perambulei rapidamente pelos recantos da casa, mas sempre que me aproximava o ruído cessava. O mistério continuava. O que era aquilo?
Lembrei dos primórdios do Espiritismo, quando as Irmãs Fox deram vazão a uma torrente de manifestações físicas em seu pequeno barraco. Eram pancadas, ruídos, aparentemente sem uma causa aparente. E deu no que deu. Sacudi a cabeça por ter relacionado as duas coisas. Mas o mistério persistia.
Horas se passaram, já houvera vasculhado o derredor da casa, a vizinhança, o Google Earth e nada.
Novamente a Sra Kátia veio trazer luzes sobre o mistério. Após uma breve análise do caso, após curtas comparações entre coisas e troços, por fim ela matou a charada. Não, não eram almas de outro mundo. Não era a dilatação dos materiais diante do sol. Sequer eram ruídos dos vizinhos. Tudo estava na ação de um, apenas um, passarinho.
Acostumada a cuidar das coisas do pátio, ela familiarizou-se com um Sabiá que freqüentemente aterrissa por ali. Era antes um pequeno pássaro, com o passar das semanas e por se alimentar de minhocas e formigas que nossa casa lhe fornece, o pequeno ser alado foi ficando não apenas grande, mas de fato um pouco gordo. Sim, ela já houvera me chamado a atenção para aquele Sabiá, inclusive se referira a ele como “o nosso Sabiá”. Engraçado que o bicho não sabia disso. Ela voa o dia todo livre pelas redondezas, e numa certa hora da manhã aterrissa em nosso pátio para o lanche da manhã. Pois essa assiduidade fez dele o “nosso Sabiá”.
Pois justamente este singelo animal é o causador dos ruídos. Numa certa hora da manhã, o sol faz um certo ângulo com uma de nossas janelas, tornando o vidro dela um perfeito espelho. Justamente nesta hora o bicho vem comer por ali. Ao ver-se no reflexo do vidro, ele julga estar diante de outro Sabiá, o que é inadmissível para o seu domínio territorial. Assim, ele senta num galho próximo, enxerga-se no vidro e, diariamente, parte para o ataque. A si mesmo!
Imagino ele voando lá pelo alto, curtindo o amanhecer, a movimentação da cidade. Aí ele vem dar uma curingada no meu pátio, mas como o sol ainda não se posicionou ele não enxerga nada. Meio da manhã chegando, ele volta ao seu terreiro e dá de cara com aquele “intruso”. A partir daí ele fica enlouquecido e investindo contra o vidro. Que bicho burro. Bom de visão, mas burro.
Enfim, desfez-se o mistério. Pela perspicácia da Sra Kátia que desvendou o segredo.
Nossa casa não estava sendo alvo de manifestações transdimensionais. Não era alvo de meteoros intergalácticos. Sequer era uma estação de recepção de Código Morse. Tudo, tudo aquilo era obra de um Sabiá. Um gordo Sabiá. Que insiste em investir contra o nosso vidro. Água mole em pedra dura... Cadê o vidraceiro que tava por aqui??..
Silvano – o impossível




IMAGEM DO BICHO
Ei-lo em pleno ataque. Terei que ver um psicólogo para esse Sabiá. Ele anda muito auto-destrutivo. Tendências suicidas.. quem sabe uma fluoxetina ao entardecer...











OUTRA IMAGEM DO BICHO
Perceba que ele está meio gordo, seu IMC deve estar acima de 30.


25/09/2008

Dica de Filme


DICA DE FILME: NOSSO AMOR DO PASSADO
Já comentei aqui neste espaço que de vez em quando é bom a gente ver um filme (cinema ou DVD) em que não haja tiros, explosões, carros voando sobre lanchas e tecnologia de animação digital. É bom lembrar que com sentimentos também de faz cinema. E dos bons. Os europeus que o digam. Vimos na SKY, mas acredito que também esteja nas locadoras. O filme se chama NOSSO AMOR DO PASSADO e traz na verdade o diálogo de duas pessoas sofridas. O filme começa, um vem falar com o outro, a conversa começa e quando a gente se dá conta já passou meia-hora de filme e eles continuam conversando. E prendendo a nossa atenção. Com o avançar do filme, sentimentos afloram e feridas sangram. Lá pelas tantas...uma revelação impressionante. Assim como é impressionante a atuação dos dois protagonistas. Eles estão perfeitos em seus papéis. Esta atriz Helena Bonham Carter é deslumbrante! Vale o filme, vale o tempo, vale o divertimento e acima de tudo vale a lição de arte. O único efeito especial deste filme é remexer com os nossos sentimentos. Imperdível. Nota: 9,5!
Silvano

FICHA TÉCNICA
Título no Brasil: Nosso Amor do Passado
Título Original: Conversations with Other Women
País de Origem: Inglaterra / EUA
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Direção: Hans Canosa
ELENCO
Aaron Eckhart .... Homem
Helena Bonham Carter .... Mulher
Brian Geraghty .... Noivo
Brianna Brown .... Noiva
Thomas Lennon .... Cara filmando

22 setembro 2008

Conto curto de Fim-de-Inverno


Os passos rápidos escadaria abaixo prenunciavam que alguma coisa iria acontecer. Ele segurou-se firmemente ao travesseiro, escondendo o rosto contra a fronha. Como se aquilo o protegesse do que estava por vir. Forçaram inicialmente a porta. Depois, a janela. Seu pequeno coração acelerou ainda mais. O cara ia conseguir entrar! E ele estava sozinho. Indefeso. Esperando pelo pior. Ouviu um barulho de vidro quebrando. O cara tinha entrado pela janela. Passos secos pela sala. Até que a mão o tocou no ombro.
- Agora é a tua vez, neném! – disse a voz aterradora!
Por segundos ainda vislumbrou sua cadeira de rodas, pedaço de seu corpo, ali ao lado da cama. O cara arrancou o travesseiro de suas mãos retorcidas e o comprimiu contra o seu rosto, aos gritos de: - Morre, aleijado filho-da-puta! Na próxima vez que for testemunhar contra mim lembra que tudo tem volta.
Obediente, ele morreu!

Silvano - 19/09/2008

Conto curto de Início de Primavera


- Me dá uma lambidinha no teu sorvete? – disse a voz fininha, assim do nada.
O homem estranhou aquilo ali, em meio ao parque, naquela hora da tarde. O que faria aquela menina ali sozinha? Onde estaria sua mãe, seu pai, alguém? No entorno não havia ninguém que parecesse conhecer a menina.
- Quem está te cuidando, guria? Com quem tu veio aqui?
A vozinha insistiu: - Moço...me dá uma lambidinha no teu sorvete... Eu vou chamar o Tadeu.
Mas que situação maluca. De onde tinha saído aquela criança, meu Deus?
- Isso, guriazinha, chama esse Tadeu logo. Chama ele aqui, por favor.
A pancada forte na cabeça acabou por derrubá-lo, mal ele viu o brutamontes se aproximando de skate por trás. Agora ali jazia ele, cabeça ensangüentada, o cara esvaziando seus bolsos. E por suprema ironia, o sorvete ainda na mão. Voltou a vozinha:
- Moço, agora que o Tadeu já pegou o que ele queria...me dá uma lambidinha no teu sorvete?

Silvano - 19/09/2008

Dica de DVD


DICA DE DVD: HOMEM DE FERRO
Sim, eu sei que a gente já está de saco cheio desses filmes de super-heróis, começamos com o Batman, Homem-Aranha, Super-Homem, passamos pelo Quarteto Fantástico e pecamos no Incrível Hulk. Mas cabe indicar este filme por uma série de eventos convergentes. O principal deles é o ROTEIRO bem amarrado. Este roteiro é que dá veracidade a tudo que se vê na tela (ou na TV). Na versão dos quadrinhos (de Stan Lee – sempre ele), o herói surgia na Guerra do Vietnã. Neste filme a coisa foi atualizada e a transformação se dá em pleno Iraque. Ou será no Afeganistão? Bom, é no mundo bélico árabe da atualidade. Um milionário é seqüestrado e, a partir disso, cria uma roupa especial, um traje com super-poderes, para combater o mal. As cenas são belas, críveis, impressionantes. Confirmando a tendência de sua carreira, o ator Robert Downey Jr abrilhanta este filme. Após isso por certo ele cai em overdose de drogas de novo, num contínuo sobe-desce. Mas neste filme ele está na ascendente. Tem também o Jeff Bridges, a Gwineth Paltrow e como curiosidade o próprio Stan Lee numa pontinha.
Vale a pena tirar na locadora. Diversão garantida! Nota: 9,0!
Silvano – enferrujado

FICHA TÉCNICA
Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Direção: Jon Favreau

Elenco
Robert Downey JR ( Tony Stark – Homem de Ferro)
Terrence Howard ( Cel Jim Rhodes)
Jeff Bridges (Obadiah Stane – Monge de Ferro)
Gwineth Paltrow (Virginia Pots)

18 setembro 2008

Coisa de Gordo - 394




394 – DOS CÉUS PARA AS TAÇAS
Por indicação de amigos, fomos levados a um doce passeio pelo interior aqui de Santo Antônio. Já havíamos escutado algumas coisas, já tínhamos conversado sobre isso, mas ainda não experimentáramos o sabor.
Para dirimir este pequeno suspense inicial, parto da história curta de uma pessoa. O nome dele é ZOLIN. Nessas fotos aqui ao lado é aquele de vermelho e com avental estilizado. O homem era piloto de avião na Varig, aposentou-se e foi em busca de diversificar sua atividade. Numa propriedade localizada no interior de Santo Antônio, localidade chamada Evaristo, ele ergueu uma Vinícola e passou a produzir seu próprio vinho. Da marca ZOLIN, é óbvio.
A partir disso, eventualmente a gente cruzava com o tal empreendedor. Numa exposição em um Supermercado. Num estande de Festas Regionais. A gente passeando, e lá estava o Zolin expondo, divulgando, vendendo seu vinho. O qual ainda não prováramos.






Para divulgar sua marca, seu produto, o Zolin passou então a organizar jantares lá na Vinícola. Jantares para casais. Em grupos pequenos, coisa de vinte e poucas pessoas, o povo local começou a visitar a Vinícola, nessas jantas onde se paga um valor fechado, come-se livremente e bebe-se o vinho do cara à vontade. Para a nossa pequena cidade isso foi um achado. Algo diferente. Algo inusitado.
Numa noite dessas, lá fomos conhecer.
Partindo da zona urbana da cidade, andam-se 13 km em estrada de chão, estrada boa, dá para carros comuns. A gente sai da cidade e vai em direção ao Monjolo. Vira à direita e segue em direção ao Evaristo, a tal localidade onde a coisa está. No folder que recebemos quando da aquisição do Ingresso, há toda uma seqüência de referências. Passa duas pontes, entra à direita. Numa encruzilhada há uma placa indicando a Vinícola. Passa então por uma Igreja Adventista à direita, depois um Cemitério à esquerda, mais uma ponte e ...ufa, chega-se ao alvo!





O prédio é todo novo, erigido dentro das normas sanitárias vigentes, paredes azulejadas, limpeza total. O dono obteve ainda licença junto à FEPAM e ao IBAMA. A produção de vinho se dá a partir de uvas ali mesmo plantadas e colhidas. E também a partir de uvas nobres da Serra Gaúcha.
A partir disso ele fabrica quatro vinhos, assim descritos no folder.
Um SUAVE, elaborado com uvas americanas Bordô e Isabel, selecionadas no próprio vinhedo. Você sabe que vinho suave não é a minha praia! Mas para quem gosta, tem este.
Um TINTO SECO, elaborado com as mesmas uvas citadas no anterior.
Um BORDÔ, vinho tinto de mesa, encorpado, de cor rubi, elaborado com uvas americanas e Bordô e uma pequena percentagem de uvas americanas Isabel, selecionadas no próprio vinhedo.
Por fim, um CABERNET SAUVIGNON, vinho tinto fino, encorpado, de cor rubi, com um leve sabor de frutas vermelhas silvestres e um toque sutil de carvalho, elaborado com uvas selecionadas da Serra Gaúcha.




Este Cabernet Sauvignon ficou de fora do preço do jantar, não estava para consumo livre. Quem o quisesse beber pagava por fora. Mas valia a pena. Se valia!
Ah, sim já ia esquecendo. O prato da noite era SALMÃO NA BRASA, acompanhado de Arroz, Batata Suíça e Saladas. Janta deliciosa! Saborosa. E que se prestou muito bem a nos acolher ali na Vinícola, naquela fria noite de inverno. Não é restaurante. Não é lancheria. Trata-se de uma Vinícola divulgando sua produção. Quem vai até lá vai imbuído deste espírito.
Vale o delicioso passeio pelo interior de Santo Antônio (sempre belo), vale o encontro, as pessoas. E vale sobretudo conhecer este belo empreendimento ali incrustado.


Fomos à noite, já citei que foi um jantar. Fiquei com vontade de voltar de dia. Para mais fotos. Mais passeio. Mais campo, natureza. Mais vinho e queijo. Enfim, para quem veio dos céus da Varig, um mergulho em taças saborosas vale como uma lição de vida.
Silvano – o impossível




CONTATOS COM O HOMEM?
O site está em construção, portanto por aqui ainda não dá. Mas para quem quiser falar direto com o produtor, tem o celular (51) 99994494. O e-mail que está no folder é vinicolazolin@gmail.com


18/09/2008

11 setembro 2008

Coisa de Gordo - 393


393 – VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
O tema da fome é uma coisa muito maluca. A gente ouve todo dia pelo menos umas dez ou vinte vezes a palavra FOME, seja de nossa própria boca, antes do almoço, seja das pessoas ao redor, seja do casal do Jornal Nacional. Se tivéssemos que selecionar as cinqüenta palavras com as quais passamos o dia, por certo a fome estaria lá pelo alto da lista.
Fome na Etiópia, Programa Fome Zero, fome de votos, o termo preenche os minutos da TV e do Rádio. A palavra ficou até vulgar. Banalizamos o seu uso. No futebol? Fome de gols.
No meu dia-a-dia profissional, as mães me repetem em cantilena que seus filhos não têm fome! Amigo(a), se elas permitissem que a criança tivesse fome...
Isso me lembra certa criança que tive a chance de atender, tempos atrás, cuja mãe me pranteava exatamente isso. “Ela não come, ela não quer nada, a gente tem que ficar oferecendo coisas o tempo todo” e por aí afora. Mães são assim. E em seu relato minucioso ela me contou que a cada vinte ou trinta minutos ela assediava a criança com um prato de mingau, ou uma gelatina, ou uma bolacha, ou sei lá eu o quê! Na hora do sono, ela traiçoeiramente socava uma mamadeira na criança a cada três horas. Pensei um pouco e disse a ela que a pobre criança nunca tivera a sensação de fome em toda sua curta vida de dois anos. Que ela, a mãe, nunca permitira que aquela área do cérebro que dá o aviso, o alerta da fome, fosse irrigada por sangue. Que a filha dela tinha uma espécie de deficiência cerebral, tendo em vista a total vigilância alimentar que a própria mãe exercia. E finalizei pedindo que ela desse uma folga para a coitada da criança, para que, pela primeira vez na vida, ela pudesse ter s sensação de fome! Os olhos aterrorizados daquela mãe me perscrutaram de cima a baixo, ela silenciou, a consulta terminou e ambas se foram. Para nunca mais voltar. A verdade assim colocada, por vezes fere ouvidos mais sensíveis.
Trago esse tema para uma pontinha de filosofia. Dia desses, horas adiantadas, algo me impediu de seguir a rotina tradicional de acordar, banho, café, pasta de dente, trabalho, almoço...blá..blá..blá. E eis que lá pelas tantas senti essa estranha sensação. Sim, amigo(a), falo dela, aquela que a citada criança nunca tivera! Para admiração minha...eu estava com FOME!!! Gente do céu... – pensei de mim para mim mesmo – então fome é assim. Tinha até me esquecido! No meu específico caso, havia uma mescla de um pequeno mal-estar abdominal, com um centésimo de enjôo, um milésimo de irritabilidade e sim, eu estava com fome!
Percebi, diante do acima exposto, que na rotina em que vivemos acabamos da mesma forma impedindo que a fome apareça. A gente trabalha duas ou três horas e dá um tapa numa bolachinha. O relógio bate meio-dia e a gente não pára para ver se tem fome. O horário apertado nos faz ir até o bufê, a lanchonete, ir até em casa e simplesmente almoçar. Sem fome. Três da tarde, uma fruta ou um suco. E assim por diante o dia se passa, sendo a nossa fome mitigada com coisinhas aqui e ali. Ter de novo sentido uma real sensação de fome me fez lembrar da tal mãe da tal criança. Claro que não nos socamos coisas o tempo todo. Mas eventualmente abrimos mão de sentir fome. Não há tempo para isso.
A fome tem lá suas vantagens. Anos passados, éramos crianças na cidade de Santiago-RS. Os tios se reuniram, tomaram de uns filhos e fomos todos a uma pescaria. Você, que vive no mundo moderno de hoje não deve saber o que é isso, uma pescaria. Era um antigo ritual social, um hobby para alguns, aonde se ia até uma lagoa, um rio, ou ao mar para se tentar capturar alguns seres que naquela época viviam dentro da água. Os peixes. A gente fazia um fogo, um café para passar o tempo, botava as linhas na água e esperava o tempo passar. Pois bem, tínhamos ido pescar, já estávamos de volta, fim da tarde, e então a caminhonete atolou. Ou estragou. Ou sei lá. Algo nos impediu de prosseguir viagem motorizados. Os adultos começaram a se organizar, quem é que vai buscar um trator aqui por perto.. Ah, sim, eram tempos em que não havia telefone celular. Nós crianças, os primos, fomos orientados a ir seguindo a pé, pelo meio do campo, a noite já começava a aparecer. Em grupo de quatro ou cinco primos, fomos voltando para a cidade em meio ao escuro da noite. Aí nos bateu uma fome. Não uma fome qualquer, mas aquela fome de quando se volta de um passeio estafante. De quando se está sujo, embarrado, cansado. Esta fome é mais forte. Andávamos e lamentávamos o ocorrido até que passamos por uma lavoura de milho. Os pés verdes, as espigas mal e mal apontando, aquilo nos pareceu apetitoso. Invadimos a lavoura e aqui e ali, pegamos aquelas espiguinhas de milho bem pequenas, moles, fáceis de mastigar. E, acredite, aquilo comido ali, na escuridão, no fim daquele dia, foi um banquete dos deuses. Graças a quê? Graças à FOME! Até hoje, sempre que como essas saladas onde colocam essas mini-espigas de milho em conserva, sou remetido àquela cena rural. Sim a fome tem mesmo suas vantagens. Tornar delicioso qualquer prato comido.
Uma hora dessas experimente isso. Pode ser num fim-de-semana. Permita-se sentir fome. Você vai dar risada de ter ficado tanto tempo sem sentir tal sensação.
Silvano – o impossível


MEA CULPA
Andei contando aqui uma história na qual eu houvera sido FURTADO em minha própria casa, relatando que uma mulher trouxera sua filha para consultar e num momento de descuido meu ela pegara minha máquina fotográfica. Volto ao tema para fazer uma MEA CULPA. Dia desses, andando de carro, meu guri foi juntar algo no chão do carro e - SURPRESA!! - lá estava a máquina fotográfica! Para espanto geral, a máquina tinha voltado! O guri me disse que devia estar num compartimento do carro que eu até este dia desconhecia existir. Uma fresta sob o banco traseiro. E que a máquina sempre estivera ali! Resumindo: - a mulher não me furtou nada! Eu sou um bocoió! E concorro ao troféu BOCA ABERTA 2008. O que a idade faz com a gente...


LEITOR MANDA DICA DE FILME
Indiferença - Será que existe alguém inocente? Será que somos realmente pobres vitimas das injustiças políticas e sociais? Falamos mal dos políticos, e com razão podemos acrescentar, mas, o que fazemos para melhorar a situação do nosso país? Enchemos o peito, e bradamos em alto e bom som toda espécie de criticas contra aquilo que temos certeza que é errado. Como se isso apaziguasse nossas consciências, pois de verdade, que ações concretas praticamos para realmente mudar alguma coisa? Nem mesmo contra nossos próprios e menores defeitos nos dignamos a lutar com afinco... Ou seja, não fazemos o bem nem a nós mesmos.
Olhando o filme “Lions for Lambs” (Leões e cordeiros) refletimos sobre os interessantes diálogos entre um senador e uma repórter, um professor e um aluno, onde vemos claramente os interesses de cada um.
Dentre as cenas do filme, podemos observar a realidade do que realmente move as atitudes ditas “nobres” de alguns políticos e, por outro lado, o que realmente leva os jornais a publicarem esta ou aquela noticia: Interesse pessoal.
Seja em dinheiro, seja em poder. Infelizmente, é isto que realmente move cada uma das atitudes de todo ser humano, não só dos políticos. De outro lado vemos um aluno brilhante cheio de ideais, com pontos de vista muito interessantes, que não aceita as injustiças, mas ao mesmo tempo, não faz nada.
Na nossa simplória concepção o que vale é nossa paz de consciência. Mas será nossa consciência está mesmo em paz? Nos disse T. Roosevelt: “Se eu tiver que escolher entre a paz e a justiça, eu escolho a justiça”. O que ele quis dizer com isso? Poderia haver paz sem justiça?
O que podemos concluir é que a indiferença, veja bem, não estou dizendo o pior, mas com certeza é o maior mal de toda a humanidade.
Lembrando um grande ensinamento do maior sábio que a humanidade já conheceu, Jesus: “Quando deixamos de fazer o bem que podemos, estamos fazendo um mal”.
JOY – do litoral norte gaúcho, matando a pau


Ficha Técnica

Título Original: Lions for Lambs
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Direção: Robert Redford

Robert Redford (Dr. Stephen Malley)
Meryl Streep (Janine Roth)
Tom Cruise (Senador Jasper Irving)
Peter Berg (Wirey Pink)
Michael Peña (Ernest)


11/09/2008

06 setembro 2008

Coisa de Gordo - 392


392 – UMA ARQUITETA NA FAMÍLIA
Você que lê esta blog nas quintas-feiras, há de estar admirado, já é noite de sábado, quase domingo e o texto da semana ainda não apareceu. Estive alegremente ocupado. Para minha mais completa alegria, Laura, minha “guria” mais velha se formou em Arquitetura, curso concluído na Universidade Federal do RGS.
Essa coisa de formatura enseja uma série de coisas na vida de qualquer um. Há uma verdadeira bagunça na vida da pessoa, é uma fase de transição. E agora, cair no mercado ou fazer doutorado, casar ou comprar aquela bicicleta?
Nesses tempos em que o acesso à Universidade Federal se dá em nome da cor da pele da pessoa, no fato de ser ela descendente de índios ou não, a “guria” entrou na Universidade pela porta da frente, sem favorzinho de governo qualquer. E agora, passados esses rápidos anos, eis que está no mercado, de Diploma na mão.
Por força disso, estivemos envolvidos na Festa de Formatura, da qual só agora retorno. Serei sempre suspeito para falar disso, mas a formanda estava linda e o resto da família também. Nas semanas que antecederam o evento, a sra Kátia se desdobrou em preparativos, o salão, a música, o cardápio, os garçons, o fotógrafo, os seguranças, o mestre-de-cerimônias, as cozinheiras, o chefe de eventos, entre tantas outras coisas mais.
Filosofávamos sobre isso, por esses tempos. Há várias festas no calendário da atualidade. Festa de casamento, de batizado, nas cidades do interior ainda há o debut, festas de aniversário, de quinze anos. Mas nenhuma festa é tão pessoal quanto a Formatura. Casar qualquer um casa, mas é uma coisa a dois. Fazer quinze anos, até a Dilma Russef já fez. Mas a Formatura é o coroamento, o resultado, a colheita de uma longa semeadura pessoal. Por mais assessorada que esteja a pessoa, formar-se será sempre uma conquista pessoal. “Eu consegui!” – pensa consigo o laureado.
Por isso depositamos tanta expectativa nesta festa em especial. Por julgá-la um marco de vida. Um divisor de águas. Um virar de página.
Acontece, portanto, que agora sou pai de uma arquiteta. Que coisa maluca.
Perceba que ao longo desses anos de blog (antes no site e agora aqui no blog) sempre mantive uma boa dose de discrição no que tange às coisas de casa. Evitei sempre colocar fotos e coisas de minha família no intento de protegê-los dessa gigantesca vitrine que é a internet. Provavelmente você nem sabia que tenho uma filha de nome Laura. Pois neste momento abro o coração para festejar aqui, de público, esta bela conquista.
Pai coruja é assim mesmo. Acaba que a euforia transborda e se esparrama pelo chão.
Que filha maravilhosa! Que conquista! E que Festa!
Os docinhos ali da foto? Há, estavam deliciosos. Com diploma e tudo.
Silvano – o coruja


SETE DE SETEMBRO
Puxa, já é o dia da Pátria. Passou da meia-noite. Tempos idos, por essas horas, tínhamos o Hino Nacional na ponta da língua e desfilávamos alegremente ao amanhecer. Mas de fato, eram tempos idos....



07/09/2008

28 agosto 2008

Coisa de Gordo - 391


391 – O MAL AGORA TEM ROSTO
A vida em cidades pequenas, como esta em que vivo, tem coisas muito interessantes. Coisas que só se vê em cidades do interior. Durante anos, muitos anos, a comunidade local conviveu com um LADRÃO de alcunha “Chapalito”, verdadeira celebridade local. O cara tinha (e ainda tem) o dom do furto, entrava nas casas e surrupiava coisas, objetos, jóias, videogames, TVs e o que mais estivesse ao alcance de sua mão.
Mês findava, mês se iniciava, lá vinha uma história de alguém cuja casa fora devassada por esse cara. A polícia sabia onde ele morava, conhecia sua mãe, suas irmãs, a cada caso de furto na cidade lá iam os homens da lei atrás do Chapalito. E em muitos casos recuperaram os objetos.
A coisa veio num ritmo frenético de crimes e diante da indignação da comunidade, sempre se esbarrou na lei que protege os “menores de idade”. Alguém denunciava, o cara era preso, mas, como diria a turma do Casseta e Planeta, ele era “DIMENOR”.
Interessante que o criminoso possuía um “modus operandi” característico, uma espécie de marca registrada dele. Sempre entrava na casa das pessoas em horário normal, meio-dia às vezes, casa cheia, todo mundo almoçando. Naqueles curtos minutos em que a atenção de todos se voltava ao comer, o bandido adentrava a casa e levava sua muamba.
A cidade de Santo Antônio conviveu por anos com esse meliante, sem ter muito o que fazer. Talvez isso ilustre as falhas de nossa lei. E foi sendo urdido na cidade um ódio coletivo, uma raiva diante de tamanha impunidade.
Dia desses, conversando com amiga minha que trabalhava em creches municipais, ela lembrou-me que mais de uma vez ela levou o tal menino para consultar comigo (na época ele era criança). E rimos ao lembrar que fornecíamos leite em pó para ele, ou seja, nós (sociedade) alimentávamos o pequeno monstro já na sua infância. Para que depois ele viesse a nos assaltar.
Todas as conversas confluíam sempre para um mesmo ponto. Mas afinal – dizíamos – como é a cara desse cara? Alguém tem alguma foto desse pilantra? Sim, as autoridades tinham várias fotos, mas não podiam divulgar, publicar, pois ele era menor de idade.
Engraçada essa lei que protege crianças e adolescentes criminosas. Não se pode falar no nome nem se mostrar a foto deles. Mas se um deles estuprar e matar uma menina, o nome dessa menina vai sair nos jornais. E a foto também. Então vejamos. O menor assassino tem que ter sua identidade protegida, coitadinho. O menor assassinado pode ser exposto à publicidade. Dá para entender? Eu não consigo!
Enfim, os dias se sucederam e os anos passaram. O cara enfim se transformou num maior de idade. Atingiu os dezoito anos. Mesmo para os canalhas o tempo passa. No jornal local desta semana, a Folha Patrulhense (http://www.folhapatrulhense.com.br/) eis que surge na página policial, pela primeira vez, a foto e o nome do Chapalito. O cara se chama Daniel Santos da Silva e sua cara é esta aí da foto. O mal, portanto, agora tem rosto.
Sei dos crimes cometidos, sei do contexto social, mas sempre que vejo um vagabundo desses algemado, sendo levado para mais uma detenção, não consigo deixar de sentir um tanto de pena. O que não me impede de ficar feliz sempre que ele é preso. Lá vai mais um bandido para trás das grades!
Lembro vivamente da Mãe e das irmãs do cara (a quem eventualmente também atendi). Lembro da expressão irônica da velha, sua cara desaforada, feliz com sua omissão diante da vida. O filho que ela tinha que ter educado, limitado, moldado, é hoje uma celebridade no crime.
Se lá naquele tempo em que ela ganhava leite em pó do município ela tivesse atuado como uma verdadeira mãe, talvez o destino do cara fosse outro. Talvez fosse um cidadão de bem, trabalhador, alguém voltado à família. Mas não foi o que ela fez. Com sua empáfia, sua arrogância, sua inconseqüência, ela onerou e continua onerando a sociedade com sua atitude. Semeou um jovem delinqüente, está agora colhendo um criminoso pós-graduado.
Para finalizar, uma ironia. O cara enquanto menor de idade fez e aprontou, sem que se conseguisse deixá-lo preso. Sabe por que ele foi enfim preso agora? Por ter furtado um passarinho! Isso mesmo, não foi TV nem computador. O cara furtou um passarinho com uma anilha do Ibama, e por isso, foi enfim para o Presídio Regional. Abandonado pela mãe. Odiado pela cidade. Preso por um passarinho.
Silvano – o impossível


LEITOR MANDA DICA DE DVD
Olá Silvano! Para quem gosta de música, vai a dica de um ótimo filme: trata-se de "Apenas Uma Vez" (Once), vencedor do Oscar 2008 de melhor canção original por Falling Slowly (composta pelo casal protagonista, Glen Hansard e Markéta Inglová). É um filme simples, que partiu de um roteiro de 60 páginas e foi filmado em apenas 17 dias, mas é essa simplicidade que faz dele um sucesso. Extremamente poético e tocante ele mostra o quanto a música pode aproximar as pessoas. Tem como tema um músico irlandês que toca composições próprias nas ruas de Dublin para ganhar alguns trocados. Numa dessas apresentações ele é assistido por uma tcheca que se encanta pelas melodias e entra, sem querer, na vida dele. Movidos por uma grande paixão, que é a música, eles acabam compondo canções sentimentais juntos. Uma das curiosidades é que o protagonista Glen Hansard é cantor, violonista e compositor e integra a banda The Frames e lançou seu primeiro álbum, The Swell Season, em 2006, projeto que teve a participação da multi-instrumentista, compositora e cantora Markéta Inglová. Vale a pena locar o filme, é dez!!
Flávio Rogério – do litoral norte gaúcho


28/08/2008